'Capitã Marvel': Marvel começa a despedida de forma eficiente

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Capitã Marvel", Direção: Anna Boden e Ryan Fleck (Foto: Divulgação - Marvel Studios / Disney)
Estamos quase chegando no encerramento do Universo Cinematográfico da Marvel como conhecemos, mas a empresa decide aos 48 do 2º tempo lançar mais um filme de origem. A grande diferença desta vez é que se trata do primeiro projeto solo de uma heroína do estúdio, quebrando a sequência de 20 longas protagonizados por homens ou equipes. 

Isso por si só já seria um marco importante, mas poderia empalidecer caso não tivesse por trás uma narrativa eficiente que o sustentasse. Felizmente, "Capitã Marvel" se mostra um acerto muito calculado, com personagens bem desenvolvidos, clima de nostalgia e cenas de ação eficazes. Toda a histeria pré-lançamento se comprovou uma onda de raivinha ignorante de supostos "fãs" que sequer se preocuparam em assistir o filme. Aquela mesma campanha melequenta e infantil (no pior sentido da palavra) que já havia atingido "Caça-Fantasmas" (remake) e "Mulher-Maravilha". E o que esses produtos tem em comum, que desperta tanto ódio de gente tóxica e desocupada, eu vou deixar vocês adivinharem. 

O importante é que mesmo às vésperas de "Vingadores: Ultimato", o Marvel Studios entrega sim uma ótima personagem, que certamente fará toda diferença na franquia daqui em diante. A Carol Danvers se destaca dos demais protagonistas por percorrer uma estrada muito mais pessoal do que externa. Ao ser levada da Terra, ela perde suas memórias e até a própria personalidade. A boa sacada do roteiro é deixá-la se encontrar de forma independente, sem precisar atrelar a jornada a um interesse romântico ou aos outros conflitos dos Vingadores.

(Foto: Divulgação - Marvel Studios / Disney)
Brie Larson encontra sua heroína ao fugir da solenidade e delicadeza da Mulher-Maravilha ou da introspecção excessiva da Viúva Negra, investindo num tom debochado e cheio de si, mas também sem perder a doçura e o lado humano. O mesmo pode ser dito sobre Samuel L. Jackson, que revela faces de um jovem Nick Fury até então desconhecidas pelo público. As relações entre os personagens são um dos pontos fortes do filme, tanto os momentos buddy-cop de Carol com Fury, quanto a bela amizade entre a protagonista e a Maria Rambeau de Lashana Lynch.

Claro que a obra tem seus problemas, sendo o principal deles a falta de uma identidade visual mais acentuada, que tanto foi importante para "Guardiões da Galáxia" ou "Pantera Negra". Apesar de algumas boas passagens, como a sequência espacial da Capitã já transformada e o duelo velho-oeste já no finalzinho (este super bem decupado, devo reconhecer), de uma forma em geral os diretores Anna Boden e Ryan Fleck (do ótimo "Se Enlouquecer, Não se Apaixone") não conseguiram muito dar personalidade para o projeto. A cara é de um filme padrão da Marvel, embora a ocasião pedisse um pouco mais. 

De qualquer maneira, "Capitã Marvel" é uma adição muito bem-vinda ao MCU e abre uma porta interessante para o universo intergaláctico do estúdio. Em paralelo consegue sobreviver ao machismo de Hollywood, estabelecendo uma super-heroína feminina, forte e zero sexualizada. Espero que Carol se torne mais uma inspiração para jovens fãs de quadrinhos, assim como um estímulo para tornar o mercado cada vez mais representativo, diverso e justo. 

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt4154664
- Distribuidora: Disney

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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