Festival do Rio 2018 #10: 'Vox Lux', 'A Rota Selvagem', 'Wildlife'

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

19) Vox Lux (EUA, 2018), direção: Brady Corbet
(Foto: Divulgação)
Adoraria entender o que Natalie Portman e Jude Law estão fazendo num projeto medíocre como este. "Vox Lux" é estranho, com tom equivocado e sem muito o que dizer. O diretor Brady Corbet escolhe uma abordagem meio solene, meio excêntrica, que parece não dar liga com a temática e muito menos com a trama contada. Nada combina, da disposição dos créditos às canções nem um pouco pop compostas por Sia. Mas talvez a parte mais esquisita seja a escolha do elenco: das duas personagens principais, uma troca a atriz quando tem um longo salto temporal, a outra não. Enfim, só uma das várias coisas sem sentido neste filme tão desarmônico. Nota: 2/5 (Regular)

20) A Rota Selvagem (Lean on Pete, Reino Unido, 2018), direção: Andrew Haigh
(Foto: Divulgação)
"A Rota Selvagem" é um filme que engana: inicia sugerindo um drama de pai e filho, depois parece flertar com a relação "mestre/aprendiz" e, por fim, chega a cair numa historinha de amizade entre homem e bicho. Mas não é bem essas muletas que o roteiro acaba escolhendo. Andrew Haigh opta por investir na busca pessoal do protagonista, assim como na sua noção de pertencimento e laços familiares. O diretor muda o tom da narrativa com eficiência sempre que necessário, sem deixar o espectador se desprender das telas. O mesmo vale para os momentos mais pesados, todos extremamente delicados e bem filmados. Vale o destaque para o ator Charlie Plummer, que apesar de jovem realiza uma performance forte, minimalista e muito comovente. Nota: 4/5 (Muito Bom)

21) Vida Selvagem (Wildlife, EUA, 2018), direção: Paul Dano
(Foto: Divulgação)
Nunca duvidei do talento de Paul Dano como ator, mas confesso que me surpreendeu sua aptidão para o cargo de diretor. "A Vida Selvagem", sua estreia na profissão, é uma obra madura, adulta e difícil. A mensagem não vem de forma muito clara, obrigando o espectador a buscar subtextos e significados por conta própria. O que dá para encontrar mais acentuado são pequenas quebras de paradigmas numa sociedade tão antiquada do interior dos Estados Unidos dos anos 60: seja o protagonista que prefere câmeras ao másculo futebol, ou mesmo uma mulher de 34 anos que toma a decisão de ter uma vida independente do marido. Dano investiga através do olhar de um adolescente em crescimento, sem jamais julgar nenhuma das partes. Sua câmera é sempre leve, praticamente só se movendo quando precisa enfatizar alguma coisa. Por fim, a condução dos atores merece um destaque especial: o jovem Ed Oxenbould faz um belo trabalho, assim como Jake Gyllenhaal, mas é Carey Mulligan que rouba a cena, num misto de carinho e ao mesmo tempo impulso de mudança. Nota: 4/5 (Muito Bom)

Com este post encerramos a cobertura do Festival do Rio 2018. Agradecemos a companhia, esperamos que continuem conosco! Em breve começamos a acompanhar a temporada do Oscar, contamos com vocês!

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com 
Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Obrigado pela sua opinião!
Contracene, seja o Artista!