Festival do Rio 2018 #1: 'Cameron Post', 'Vermelho Sol' e 'Culpa'

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

1) O Mau Exemplo de Cameron Post (The miseducation of Cameron Post, EUA, 2018), dir.: Desiree Akhavan
(Foto: Divulgação)
O "gênero" indie americano tem um charme todo particular. Essa produção é mais uma revelada no celeiro do cinema independente do país: o Festival de Sundance. A trama é simples, sem grandes investigações, mas realizada de forma delicada, intimista e cheia de afeto. O filme não tenta jogar uma nova luz no tema da homossexualidade, se limitando a mostrar a trajetória da protagonista vivida por Chloë Grace Moretz e seus amigos. Não esperem muita profundidade, para isto melhor procurar o fabuloso e aterrorizante documentário "Jesus Camp" de 2006. Em "O Mau Exemplo de Cameron Post", as ambições são bem menores em escala e esforço despendido. O que não significa que seja ruim, pelo contrário, são 90 minutos que passam rápido e deixam imensa saudade. Nota: 4/5 (Muito Bom)

2) Vermelho Sol (Rojo, Argentina/Brasil, 2018), direção: Benjamin Naishtat
(Foto: Divulgação)
Tudo aparentava funcionar em "Vermelho Sol", criando uma enorme promessa de um encerramento épico. O período histórico é interessante, o elenco tem grande qualidade e as peças são posicionadas do jeito certo. Mas algo parece não dar liga nesta co-produção Argentina-Brasil, de forma que termina sem se amarrar tão bem quanto prometia. Sim, tem cenas muito poderosas, como as que mostram o clima de violência que nasce nas pessoas em tempos de barbárie. Entretanto a quantidade excessiva de tangentes que não contribuem tanto para a trama principal acaba prejudicando o projeto como um todo. A curiosidade fica nas semelhanças bizarras entre a realidade da Argentina na época e nossos últimos meses no Brasil. Fica a esperança de que nosso destino em 2019 será melhor que o sugerido no filme. Nota: 3/5 (Bom)

3) Culpa (Den skyldige, Dinamarca, 2018), direção: Gustav Möller
(Foto:Divulgação)
"Culpa" tem tudo para ganhar um remake americano em muito pouco tempo. O filme é um grande exercício narrativo que tenta contar um thriller complexo a partir de conversas telefônicas. O roteiro curto se concentra apenas no essencial, o que se traduz em agilidade e fácil digestão para o espectador. O diretor Gustav Möller acerta ao trazer planos sempre muito fechados e algumas breves passagens de silêncio, nos colocando dentro da cabeça do protagonista e, por consequência, da sua própria tensão no momento. Cada ligação transmite cargas emocionais imensas, só comprovando a eficiência narrativa de "Culpa", mesmo com todas suas prováveis limitações orçamentárias. Impossível não aplaudir! Nota: 4/5 (Muito Bom)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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