'Vingadores: Guerra Infinita': 10 anos que mudaram nossas vidas

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Vingadores: Guerra Infinita", Direção: Anthony e Joe Russo (Foto: Divulgação - Disney/Marvel Studios)
Quem poderia imaginar há uma década atrás que Tony Stark, Groot e Thanos estariam tão consolidados na cultura pop quanto os Beatles? Pode parecer absurda a comparação, mas hoje não são apenas crianças ou o nicho dos nerds que conhecem esses personagens. Mas também os pais, avós, advogados, engenheiros, modelos e qualquer um que já tenha ligado a televisão nos últimos 10 anos. Neste sentido, a Marvel merece todos os aplausos do mundo, por ter criado e consagrado em muito pouco tempo um universo ficcional inteiro que agrada diversas idades, nacionalidades e classes sociais.

"Vingadores: Guerra Infinita" é o início do fim de uma franquia inesquecível, que hoje já pode ser considerada a mais ousada de todos os tempos. Não há Star Wars, Harry Potter ou Senhor dos Anéis, por melhores que sejam, que consiga ultrapassar a ambição, arquitetura e realização do MCU (Marvel Cinematic Universe). Quando vemos a logo vermelha aparecer antes do início de cada filme, já sabemos se tratar de uma obra especial, que vai despertar sensações reconhecidas e deliciosas.

Esta terceira aventura dos Vingadores não poderia ser diferente. Mais do que um longa-metragem, "Guerra Infinita" revela sua vocação para evento midiático, marco de uma geração e ponto de encontro universal entre famílias, amigos e fãs. Os roteiristas (Christopher Markus e Stephen McFeely) confiam tanto no conhecimento prévio do seu público, que sequer perdem tempo explicando a origem de cada personagem, suas relações e o que fizeram nas últimas aparições. Decisão extremamente acertada, afinal estamos falando de mais de 20 heróis e inúmeras referências presentes em seus respectivos filmes solos. 

(Foto: Divulgação - Disney/Marvel Studios)
A única novidade é o vilão, este sim bem desenvolvido e trabalhado pelo roteiro. Num universo que tem como maior pecado uma certa apatia de seus antagonistas, Thanos surge como uma bem-vinda surpresa para a franquia. Mais do que dos Vingadores, este é o seu filme. Descobrimos suas motivações, sua força inigualável e até seus medos. Nisto a dupla de roteiristas e os diretores, novamente Anthony e Joe Russo, encontram a maior virtude do projeto. Thanos é sim um tirano, porém tem seu lado humano, é fácil de se relacionar e vive um arco dramático muito claro no decorrer das duas horas e meia de duração. 

Mas independente da presença marcante do vilão, os Vingadores também tem suas oportunidades de brilhar. Os irmãos Russo fazem um esforço excepcional de reservar pelo menos um instante notável para cada um de seus heróis. Incluindo, é claro, sequências irresistíveis de interações entre eles. Tanto no tom de comédia, quanto puxando para o drama ou até para a tragédia. Isso que é bonito de se ver num trabalho de direção: profissionais que entendem as necessidades narrativas para cada tipo de situação. Enquanto Taika Waititi falhou miseravelmente em trazer qualquer dramaticidade em "Thor: Ragnarok", mesmo quando a história pedia isso, os Russo acertam em cheio em "Guerra Infinita". Basta ver a tocante cena entre o Rocket e o próprio Thor, ou mesmo os enquadramentos cuidadosos em torno do Thanos no momento em que decide sacrificar alguém que ama para conseguir uma das jóias do infinito.

A partir daqui, o texto contém alguns spoilers.

Por fim, não tem como terminar qualquer texto sobre este filme sem mencionar seu encerramento. Embora seja bombástico e eficiente o bastante, não consigo deixar de sentir uma dramaticidade falsa em torno do acontecimento clímax, que gerou até cartinha anti-spoilers dos cineastas. Claro que o impacto é enorme, porém não tem como sequer cogitar que tais incidentes sejam permanentes. Ou será que algum ser humano no planeta realmente acha que a Marvel vai abrir mão das suas duas novas (e principais) sub-franquias que são Homem-Aranha e Pantera Negra? Óbvio que não. A verdade é que "Vingadores 4" será muito mais sobre 'COMO' os heróis vão voltar do 'SE'. Mas obviamente isso não tira a qualidade do filme ou seu poder como produto de entretenimento. "Guerra Infinita" é uma carta de amor para os fãs e um atestado de que os Vingadores estarão eternamente prontos, sempre que precisarmos deles.

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt4154756
- Distribuidora: Disney

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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