'Lady Bird': narrativa controlada sobre crescimento e afeto

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Lady Bird: É Hora de Voar", Direção: Greta Gerwig (Foto: Divulgação - Universal Pictures)
Narrativa calma, tom controlado, trama sem altos e baixos. Assim podemos descrever em poucas palavras "Lady Bird: A Hora de Voar", uma produção independente que vai na contramão do cinema americano tradicional. Um filme que busca respostas complexas para perguntas aparentemente simples, como o crescimento e as mudanças na vida, mas não se preocupa em torná-las os fins e sim breves interjeições.

No centro de tudo está Greta Gerwig, estrela do circuito indie "ala Sundance", que estreia na direção demonstrando muito mais maturidade do que se poderia imaginar. Talento como atriz sempre teve, embora tenha uma leve mania de se repetir. Mas justiça seja feita, seus bons desempenhos lhe renderam reconhecimento quase unânime, seja nas obras de seu colaborador habitual Noah Baumbach (com quem fez "Francis Ha" e "Mistress America") ou em sua recente parceria com Mike Mills (no maravilhoso "Mulheres do Século 20"). Em "Lady Bird", deixa a atuação um pouco de lado para se concentrar no trabalho atrás das câmeras, que desenvolve com sensibilidade e segurança.

(Foto: Divulgação - Universal Pictures)
A beleza de seu texto é tentar encontrar vislumbres do processo de amadurecimento de uma adolescente, sem recorrer a momentos bombásticos ou mesmo elementos recorrentes na narrativa tradicional. Falta a "Lady Bird" um clímax ou grandes viradas na trama, mas sobra observação, interações prosaicas e diálogos naturalistas, que dão um ar de proximidade emocional muito forte. Parece que estamos vendo um recorte íntimo, de pessoas muito queridas, de forma que a diretora tenta nem sequer chamar tanta atenção para si mesma.

Gerwig filma tudo com muita cautela, preservando não apenas sua visão pessoal e contemplativa, como também o caráter feminino da história. Não soa como uma comédia artificial escrita por homens, imaginando como é a vida de uma mulher. Parece realmente as passagens da curta vida de uma menina que está experimentando seus primeiros amores, inseguranças e desejos. Saoirse Ronan encarna a protagonista com carisma e energia, dando naturalidade imensa à sua personagem. O mesmo pode ser dito do restante do elenco que povoa o filme com figuras cheias de camadas e pequenas trajetórias pessoais. A própria encenação da cineasta os favorecem, permitindo que atuem e interajam sem muitas interferências ou cortes excessivos. 

"Lady Bird" é um daqueles filmes que aquecem o coração, trazem leveza e encantam até nos menores detalhes. Além das breves palavras que usei para descrevê-lo no início do texto, não seria inapropriado destacar também a sua capacidade de demonstrar afeto, bondade e bom coração. E se tivesse que apontar, diria que sua única falha é que eventualmente chega ao fim e deixa um caminho de saudade. 

Nota: 5/5 (Excelente)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt4925292
- Distribuição: Universal Pictures

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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