'O Destino de uma Nação': mais Gary Oldman que Churchill

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"O Destino de uma Nação", Direção: Joe Wright (Foto: Jack English - Focus Features e Universal Pictures)
Winston Churchill deve estar na lista dos personagens históricos mais representados no audiovisual. Foram inúmeros atores que já assumiram seu "manto", de Michael Gambon (em "Churchill's Secret") a John Lithgow (na maravilhosa "The Crown"). Neste "O Destino de uma Nação" chega a vez de Gary Oldman, ator versátil, cheio de papéis marcantes e um dos mais talentosos de sua geração.

Quem o conhece, sabe da sua capacidade de entregar performances únicas e ao mesmo tempo muito diferentes umas das outras. Da histeria insana e glamurosa em "O 5º Elemento" e "Drácula de Bram Stoker" até o controle absoluto na trilogia "O Cavaleiro das Trevas" e no excepcional "O Espião Que Sabia Demais". Oldman tem a habilidade de se transformar por completo, nos fazendo até esquecer da figura jovial e galante que assumiu como Sirius Black na franquia "Harry Potter" ao surgir de Churchill com uma voz cansada, dicção errônea e movimento corporal milimetricamente calculado. Claro que os quilos da excelente maquiagem ajudam, mas o trabalho do ator é mais do que perceptível e necessário para o personagem funcionar.

(Foto: Jack English - Focus Features e Universal Pictures)
Aliás, a virtude deste novo projeto de Joe Wright (que já havia flertado com o período em "Desejo e Reparação") é concentrar a narrativa no seu protagonista. As liberdades históricas são tão grandes, a ponto de colocarem Churchill num metrô conversando com cidadãos comuns, que não é bem na veracidade que o diretor busca se destacar. Para ele, o foco é mostrar a figura mítica do líder inglês, seja o revelando nas sombras cheio de imponência ou mostrando sua força quando discursava para a nação.

O deslumbramento de Wright acaba gerando alguns transtornos, como uma certa omissão de muitos fatos da vida de Churchill. Pior que licença histórica é o filme maquiar os lados obscuros do seu personagem para glorificá-lo além do necessário. Então não esperem achar algumas das políticas mais controversas e pouco populares do ex-primeiro ministro, o diretor e seu roteirista (Anthony McCarten) as esquecem por completo em prol das suas narrativas. Os próprios coadjuvantes surgem quase sempre apagados frente ao protagonista, inclusive desperdiçando alguns bons atores como Ben Mendelsohn e Kristin Scott Thomas.

Felizmente, ignorando os atalhos no roteiro e na historiografia da época, a figura que a dupla criativa concebeu e entregou para Gary Oldman é fascinante o suficiente para segurar o filme. O Winston Churchill de Oldman é talvez mais interessante que o verdadeiro. E isso por si só já é um mérito enorme para qualquer obra artística.

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt4555426
- Distribuição: Universal Pictures

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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