'[nome do espetáculo]' foge à regra e traz novo conceito de musical

Por Rodrigo Vianna



Pegue quatro cadeiras, um teclado, quatro atores, um músico e um roteiro. Pronto. Temos um musical. Assim é "[nome do espetáculo]", que está em cartaz no Centro  Cultural da Justiça Federal, no Centro do Rio de Janeiro, até o dia 4 de fevereiro. O musical é uma versão nacional do premiado [title of show], da Broadway, que completa 10 anos em 2018. A versão brasileira do texto e das músicas ficou a cargo de Caio Scot, Carol Berres, Junio Duarte, Luísa Vianna e Tauã Delmiro. Aliás, a trilha sonora é um dos destaques do espetáculo, mas isso falamos mais tarde.

Na Broadway, [title of show] foi indicado ao Tony Award de Melhor Libreto de Musical e, no Brasil, [nome do espetáculo] está indicado em 4 categorias tanto no “Prêmio do Humor”, idealizado pelo ator Fábio Porchat, quanto no “Prêmio Botequim Cultural”, incluindo “Melhor Espetáculo”. Não é pra menos. Depois de assistir ao espetáculo, você deixa o teatro com a sensação de ter visto uma verdadeira obra prima do teatro musical contemporâneo. Exagero? Não acho. Para uma produção simples, sem grandes patrocínios e estrelas globais, [nome do espetáculo] foge à regra e mostra que é possível fazer musical no Brasil com pouco.

Antes de mais nada, vamos falar sobre o espetáculo. Através da metalinguagem, o musical conta a sua própria história. Com apenas quatro atores e um músico, satiriza e homenageia o gênero musical ao mesmo tempo em que aborda o próprio fazer artístico e todas as etapas de se produzir arte de maneira independente. [nome do espetáculo] é, acima de tudo, sobre sonhar e fazer acontecer. Mesmo para quem não é do meio artístico, consegue se ver nas situações proposta pelo texto.


É um musical que ri de si mesmo. No palco, vemos quatro atores: Hunter (Caio Scot), Heidi (Carol Berres), Susan (Ingrid Klug) – que rouba a cena - e Jeff (Junio Duart). Eles são acompanhados pelo “quase” mudo, Larry (Gustavo Tibi). O design de som é assinado por Gabriel D’Angelo, que também assina o espetáculo “Bibi - Uma vida em musical”, em cartaz no Rio de Janeiro. A iluminação é de Paulo César Medeiros, vencedor do Prêmio Shell, e o cenário é de Cris Delamare.

Apesar de ser uma versão de um musical original da Broadway, o texto traz situações comuns do cotidiano dos brasileiros e de fatos e nomes que estão na nossa história. Talvez por isso o público se identifique de cara. Como por exemplo quando Susan diz que vai fazer uma famosa pose da Xuxa na capa de um dos seus discos. Ou quando Heidi conta que fez teste para um papel no musical “A Noviça Rebelde”, da dupla Cláudio Botelho e Charles Moeller, que deve estrear esse ano. Assim, citando fatos, nomes e situações dos brasileiros, o espetáculo conquista o seu público.

O texto dinâmico ajuda na compreensão e desenvolvimento das cenas. É possível ver como o elenco está familiarizado com as falas e ganham liberdade para improvisar. Em dos momentos, apenas, o texto perde o ritmo, mas não compromete o todo. É sim um grande trabalho de adaptação e criação, sem transportar o espectador para uma realidade que não é dele. Isso tudo também é possível graças à ótima atuação da direção, que trabalhou nas cenas de forma clara e concisa.


Elenco afinado
Talvez uma das coisas mais positivas de se ter um elenco enxuto é a sintonia entre eles. E isso é possível ver nos 5 artistas em cena. É como se um estivesse conectado no outro. Quem roubou a cena durante toda a apresentação foi a atriz Ingrid Klug, que interpreta a hilária Susan. Com humor aguçado, intepretação impecável, é ela a responsável pelas melhores piadas do musical. Ingrid trouxe uma Susan leve, divertida e brasileira. Ué, mas não é uma história americana? Sim, mas mais uma vez entra a liberdade de criação do elenco que traz para os personagens nossas características.

Vamos falar agora de outro destaque do elenco: Junio Duart, que atuou em sucessos como “The Book of Mormon”. Junio mostrou equilíbrio de voz e soube dosar as emoções, sem parecer exagerado, nem contido. O ator mostrou domínio de cena e pareceu à vontade. Caio Scot e Carol Berres cumpriram com maestria os seus papéis e ajudaram a dar um tom mais leve ao espetáculo.


A cenografia simples, mas conceitual, deixa o espetáculo mais dinâmico. Além de assinar a direção musical do espetáculo, Gustavo Tibi é responsável pela trilha sonora, que não se limita apenas ao teclado. E sim, ele tem falas. Lembra que eu falei das músicas lá no começo? Pois bem, elas são um atrativo à parte. Com letras inteligentes, melodia e uma pitada de humor, as canções ajudam a compor a cena e não caem na mesmice de ser apenas uma justificativa para o gênero.

Depois de uma hora e meia de espetáculo, deixei o teatro com a sensação de frescor e feliz com o que acabara de ver. [nome do espetáculo] não é um musical comum e prova que é possível fazer teatro sem grandes patrocinadores. Basta a paixão pelo palco, um grupo de amigos e um bom texto. Pronto, agora, é só sentar e se divertir.

Serviço:

[nome do espetáculo]

Temporada: até 4 de fevereiro
De sexta a domingo às 19h
Local: Centro Cultural Justiça Federal
Avenida Rio Branco, 241. Centro - Rio de Janeiro
Tel: (21) 3261-2550
Preços: 40,00 (inteira)/20,00 (meia entrada)
Classificação: 14 anos
Duração: 90 minutos

Ficha Técnica:

TEXTO ORIGINAL: Hunter Bell
LETRAS E MÚSICAS ORIGINAIS: Jeff Bowen
VERSÃO BRASILEIRA (TEXTO E MÚSICAS): Caio Scot, Carol Berres, Junio Duarte, Luísa Vianna e Tauã Delmiro
DIREÇÃO ARTÍSTICA: Tauã Delmiro
ELENCO: Caio Scot, Carol Berres, Junio Duarte, Ingrid Klug e Gustavo Tibi
STAND IN: Catherine Henriques
CENÁRIO: Cris de Lamare
FIGURINO: Tauã Delmiro
ILUMINAÇÃO: Paulo César Medeiros
DIREÇÃO MUSICAL: Gustavo Tibi
DIREÇÃO VOCAL: Rafael VillarDESIGNER DE SOM: Gabriel D’Angelo
OPERADOR DE SOM: Cidinho Rodrigues
OPERADOR DE LUZ: Dans Souza
DESIGNER GRÁFICO: Thiago Fontin
PRODUÇÃO: Alessandro Zoe e Manuela Hashimoto
ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: Gabriel Peregrino
IDEALIZAÇÃO: Caio Scot e Junio Duarte
REALIZAÇÃO: Caju Produções
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