Festival do Rio 2017 #4: 'Crown Heights' e 'O Cravo e a Rosa'

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

8) Crown Heights (idem, EUA, 2017), direção: Matt Ruskin
(Foto: Divulgação)
Quem viu o impactante "A 13º Emenda" do Netflix já deve ter noção da brutalidade do sistema penitenciário nos Estados Unidos. Este "Crown Heights" é de certa forma uma expansão do documentário de Ava DuVernay, ao dar voz para um dos personagens que viveram essa dura realidade. 
A história por trás do projeto é absolutamente fascinante: Colin Warner foi condenado por um crime que não cometeu e passou as duas décadas seguintes tentando provar sua inocência. O filme consegue mostrar a urgência da situação, alternando momentos do protagonista na prisão, falando com familiares, seu amigo correndo atrás de advogados e cenas de julgamentos. O diretor Matt Ruskin é hábil ao dar gravidade a cada acontecimento, investindo numa direção de atores pesada e fotografia sempre escurecida e sem cores. Uma pena que o roteiro não acompanhe tão bem as necessidade do projeto, dando saltos muito abruptos e exagerando em alguns conflitos paralelos que tiram o foco da trama principal. Mas o trabalho quase pessoal na forma como a narrativa é conduzida compensa qualquer tropeço. "Crown Heights" termina com muito crédito, através de sua mensagem positiva e cheia de esperança. Nota: 4/5 (Muito Bom)

9) O Cravo e a Rosa (idem, Brasil, 2017), direção: Jorge Farjalla
(Foto: Divulgação)
Em tempos sombrios que a arte é criminalizada por conta de projetos políticos escusos e as nossas lideranças flertam cada vez mais com a censura, assistir um documentário como este é nada menos que revigorante. "O Cravo e a Rosa" berra criação, criatividade, talento artístico, tudo que a cultura pode trazer de melhor. Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça são dois dos nossos gigantes: alegres, criadores e Artistas (com A maiúsculo). O filme é contado através de muitas imagens de arquivo fascinantes, assim como depoimentos maravilhosos e pessoais de figuras como Tony Ramos, Fernanda Montenegro e BIBI FERREIRA (em caps mesmo, porque ela merece). Não tem muito mais o que falar, a não ser recomendar esse belo documentário sobre duas pessoas que tem suas trajetórias ligadas às artes brasileiras e, mesmo que indiretamente, à todos nós. Nota: 4/5 (Muito Bom)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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