Festival do Rio 2017 #3: 'As Boas Maneiras', 'A Guerra dos Sexos' e +

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

5) As Boas Maneiras (idem, Brasil, 2017), direção: Juliana Rojas/Marco Dutra
(Foto: Divulgação)
O bom de festivais é a possibilidade de se surpreender. Sem o marketing agressivo do circuito regular ou opiniões pré-concebidas, é no Festival do Rio, Mostra de São Paulo e eventos similares que recebemos os filmes da forma mais pura possível. Em mostras competitivas nacionais então, como a Première Brasil, o salto de fé é sempre uma constante. Para "As Boas Maneiras", ele é quase que essencial. 
Fugindo por completo da zona de conforto do cinema nacional, este novo longa de Juliana Rojas e Marco Dutra ignora a dificuldade histórica da nossa filmografia de se trabalhar com gêneros. A dupla, que também assina o roteiro, surpreende pela capacidade de saltar do drama pro mistério, da comédia pro terror, sem perder o controle da história e a fluidez da narrativa. Ajudados por efeitos incrivelmente eficazes e duas atuações centrais muito fortes, os diretores conseguem prender nossa atenção e chocar a cada momento. Embora se alongue um pouco além do necessário, principalmente na 2º metade da história (quem ver, vai saber do que estou falando), não há dúvidas que "As Boas Maneiras" vai ser o filme brasileiro mais fora da curva deste ano e provavelmente de muitos outros por vir. Nota: 4/5 (Muito Bom)

6) A Guerra dos Sexos (Battle of the Sexes, EUA, 2017), direção: Valerie Faris/Jonathan Dayton
(Foto: Divulgação)
Como é bom ver Valerie Faries e Jonathan Dayton de volta ao trabalho! Sem lançar longas desde "Ruby Sparks" de 2012, a dupla de "Pequena Miss Sunshine" já estava fazendo falta. Este novo "A Guerra dos Sexos" segue um pouco o estilo dos projetos anteriores, com narrativas fluidas e sempre deliciosos de assistir. O elenco dá conta do recado, com destaques óbvios para Emma Stone (maravilhosa!) e Steve Carell, que ganha a chance de soltar todo o seu lado de comediante num papel que parece feito para ele.
O roteiro de Simon Beaufoy é um tanto embolado, o que ocasionalmente enfraquece um pouco o filme. Fica gritante o excesso de personagens, muitos irrelevantes para a trama, e a falta de profundidade de alguns deles. Mas nada que atrapalhe a obra como um todo, que no final das contas passa com competência e graciosidade sua mensagem política e humana. Bem nos últimos segundos, o personagem de Alan Cumming fala para Billie Jean King uma frase bonita e ao mesmo tempo triste. "Um dia vamos pode amar quem nós quisermos" (em tradução de memória, me perdoem). Bonito pela liberdade que representa, triste por sabermos que esse dia talvez ainda não tenha chegado. Que fique este encantador filme e a bela história da protagonista para, quem sabe, ajudar um pouquinho nessa trajetória. Nota: 4/5 (Muito Bom)


7) Frost (idem, Lituânia, 2017), direção: Šarūnas Bartas
(Foto: Divulgação)
Aqui infelizmente não tenho muito o que dizer. Filme longo, cansativo, cheio de personagens irrelevantes e que sequer consegue estabelecer a relação entre seus dois protagonistas. Não sabemos porque aceitam a missão, não sabemos seus passados e muito menos o motivo de estarem juntos. As locações são impressionantes e o contexto do roteiro desperta certa curiosidade, mas isso é o máximo que dá pra exaltar do projeto. De resto, são duas horas sofríveis que resultam num final que ninguém se importa. Nota: 2/5 (Regular)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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