Festival do Rio 2017 #2: 'Pop Aye' e 'Based on a True Story'

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

3) Pop Aye (idem, Singapura/Tailândia, 2017), direção: Kirsten Tan
(Foto: Divulgação)
Se este projeto fosse americano seria uma daquelas sensações independentes do ano, estilo "Pequena Miss Sunshine" ou "Juno". Não à toa, ganhou prêmio de melhor roteiro no conceituado festival de Sundance nos Estados Unidos. Apesar de ser feito em Singapura, país que não costuma exportar tantas produções pros grandes circuitos, a trama é tão encantadora e universal que fica difícil não se afeiçoar ao protagonista e seu amigo elefante. Afinal, "Pop Aye" nada mais é que um road-movie de amizade entre um tiozinho simpático e um elefante fofo. Como todo 'feel-good movie' de estrada, vemos personagens interessantes pelo caminho, alguns obstáculos e muitas figuras engraçadas. O terceiro ato não decepciona, ao entregar um final apropriado e coerente que amarra as questões de cada personagem com muito amor e delicadeza. Nota: 4/5 (Muito Bom) 

4) Based on a True Story (D'après une histoire vraie, França, 2017), direção: Roman Polanski
(Foto: Divulgação)
Ninguém pode negar o talento de Roman Polanski, cineasta acima da média responsável por "O Pianista", "Chinatown" e "Repulsa ao Sexo". Talvez por conta disso, ver uma produção tão indecisa e sem foco com seu nome nos créditos se torne uma experiência tão decepcionante. "Based on a True Story" está longe de ser ruim, afinal possui uma boa protagonista, com dilemas bem plausíveis e background interessante. O problema começa quando o filme parece não se decidir acerca da natureza da personagem de Eva Green (sempre linda e intensa). O roteiro flerta com a possibilidade dela ser uma imaginação/projeção, mas não tem o menor pudor de inserir diversas situações que a protagonista vivida por Emmanuelle Seigner claramente não poderia estar sozinha. O famoso dilema presente nos filmes 'sem vergonha' que adotam esse plot twist. 
O que salva do desastre este novo projeto do Polanski são os momentos de thriller psicológico e a dinâmica entre as duas atrizes, que independente dos problemas de roteiro entregam boas performances. Uma pena que quando vai se aproximando do final, os furos já são tão grandes que viram uma bola de neve imparável. O diretor parece tentar trazer algum significado na relação das personagens com portas se abrindo e se fechando constantemente quando elas estão em quadro, mas na realidade só consegue somar mais um equívoco a longa lista de "Based on a True Story". Não foi dessa vez Polanski. Nota: 3/5 (Bom)... com muita boa vontade.

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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