Festival do Rio 2017 #1: 'Terra Selvagem' e 'A Câmera de Claire'

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

1) Terra Selvagem (Wind River, EUA, 2016), direção: Taylor Sheridan
(Foto: Divulgação)
Branco, gelado, sem vida. A neve parece engolir toda a alegria das criaturas que vivem na reserva Wind River. As montanhas e nevascas escondem pequenas histórias, dores e desesperança. Assim somos apresentados ao protagonista Coby (Jeremy Renner), dono de um passado trágico que o torna um sujeito duro, seco e pragmático. No seu caminho, um crime não resolvido, típico caso de "whodunnit" de assassinato. Mas não é exatamente a trama que interessa ao diretor e roteirista Taylor Sheridan, e sim uma análise de como aquelas figuras reagem em situações extremas. A narrativa sóbria, sem excessos, encanta pelo ritmo cadenciado e quase contemplativo. Elizabeth Olsen enriquece o elenco, criando boa relação com Renner e o veterano Graham Greene. Sentimos o peso de seus personagens, sem melodrama ou exageros. Alguns tropeços surgem no final, quando o "vilão" é revelado com poucas nuances e nenhuma complexidade. Mas nada que atrapalhe o filme ou manche a boa estreia de Sheridan na direção, excelente roteirista que se torna um cineasta a ser observado. Nota: 4/5 (Muito Bom)

2) A Câmera de Claire (Keul-le-eo-ui ka-me-la, Coréia do Sul, 2017), direção: Hong Sang-soo
(Foto: Divulgação)
Não posso dizer que entendo o sucesso que Hong Sang-soo faz nos festivais ao redor do mundo, mas não nego que tinha certa simpatia pelo cineasta. Seus filmes estão sempre ali na faixa do bonitinho, interessantezinho. Com encenações bem simples, planos longos e câmeras quase estáticas. "Nossa Sunhi" e "Filha de Ninguém" são dois exemplos, ambos também trazidos ao Brasil pelo Festival do Rio. Este novo "A Câmera de Claire" não muda em absolutamente nada. A abordagem é a mesma, mas curiosamente consegue ser mais decepcionante que os demais. Talvez por vender um possível recurso narrativo diferente envolvendo a personagem de Isabelle Huppert, que na verdade não chega em lugar nenhum. No final das contas, é só mais um filme igual de Hong Sang-soo. Se durante um tempo seu cinema bobinho conseguiu gerar alguns sorrisos, hoje apenas soa irritante e repetitivo. Nota: 2/5 (Regular)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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