Uma tarde com a atriz Octavia Spencer e 'A Cabana'

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

(Foto: Acervo Contracenarte)
O livro "A Cabana" foi lançado em 2007 de forma independente, a princípio com pouca repercussão da crítica especializada e números de vendas irrelevantes. Como num ato divino, no ano seguinte a obra estourou, virou best seller, até atingir a impressionante marca de 10 milhões de cópias vendidas em 2010. 

Obviamente uma marca como essa fez crescer o interesse de Hollywood, para uma inevitável adaptação cinematográfica. O produtor Gil Netter, responsável por "As Aventuras de Pi" e "Um Sonho Possível", ficou a cargo do projeto que iniciou sua produção ainda em 2015. Forest Whitaker, estrela de "O Último Rei da Escócia" e "A Chegada", foi inicialmente cotado para adaptar e dirigir, mas acabou dando lugar a Stuart Hazeldine, do sucesso independente britânico "Exame". 

Com lançamento marcado para 06 de abril no Brasil, a vencedora do Oscar Octavia Spencer veio ao Rio de Janeiro para divulgar o filme e responder algumas perguntas de jornalistas brasileiros. Estivemos na coletiva de imprensa organizada pela Paris Filmes e pela agência Espaço Z, aonde a atriz falou um pouco do seu processo, da oportunidade de interpretar Deus e até de Donald Trump. 

(Foto: Divulgação)
Octavia Spencer entrou no palco de extremo bom humor, brincando até com os pequenos problemas técnicos que houve no sistema de tradução eletrônico: "Sua pergunta é ótima, e fico feliz de finalmente entendê-la", falou ao ver uma jornalista repetindo a fala pela terceira vez. O tom da coletiva não foi muito diferente, com a atriz respondendo sempre com simpatia e eloquência. 

A maior parte das perguntas se concentrou no fato de Spencer interpretar Deus e como isso a afetou ou pode afetar a percepção do público. Disse que usou o processo artístico como "cura pessoal", ao trazer para sua criação alguns traumas da própria vida. Começou a preparação com um pastor, amigo de muitos anos, para entender a visão cristã da divindade, para depois partir pra uma abordagem mais íntima do personagem. Diferente do que eu imaginava, até por se tratar de um filme com temática tão religiosa, Spencer finalizou a questão revelando que criou o seu "Deus" se apegando ao lado humano do criador, pensando-o como uma mãe (sim mãe, não pai) preocupada com seus filhos. 

Ao ser perguntada sobre seus companheiros de tela, a atriz mencionou como adorou trabalhar com Sam Worthington (de "Avatar") e os outros atores que interpretam as figuras divinas. Estes últimos, que assim como ela, compuseram seus personagens de forma descontraída e fora de qualquer concepção clássica a respeito dessas figuras. Exaltou também a escolha do autor de trazê-los como humanos pertencentes a minorias/estrangeiros, o que realmente é um diferencial e uma das partes mais interessantes da história. No filme, os atores são Avraham Aviv Alush (israelense com descendência tunisiana, interpreta Jesus), Sumire Matsubara (japonesa, interpreta Sarayu) e Alice Braga (brasileira, interpreta Sophia), além da própria Octavia Spencer (mulher e afro-americana interpretando "Deus"). 

Por fim, a atriz deu um show de amor e empatia ao ser questionada sobre o que diria ao presidente Trump e sobre a violência que toma conta do mundo. Falou como a violência sempre esteve presente e espera que o filme e histórias como essa ajudem a tocar as pessoas para que cada um consiga mudar um pouco internamente. "Trate os outros como você gostaria de ser tratado", disse para finalizar. Algo simples, mas que não poderia ser mais verdadeiro. 

"A Cabana", com Octavia Spencer, Sam Worthington, Alice Braga e direção de Stuart Hazeldine, estreia dia 06 de Abril em todo o Brasil. 

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