'Power Rangers': diversão honesta com coração no lugar certo

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Power Rangers", Direção: Dean Israelite (Foto: Divulgação)
Acho que não existe ser humano neste planeta que tinha confiança numa adaptação da série dos super-heróis coloridos "Mighty Morphin Power Rangers", fenômeno mundial da década de 90 entre crianças e pré-adolescentes. Dona de uma galhorfa inacabável, a produção da Saban Entertainment parecia não inspirar a menor possibilidade de virar uma franquia cinematográfica minimamente respeitável. Felizmente, aquela frase "tirar leite de pedra" se mostra bem aplicável aqui nesse caso.

"Power Rangers", o reboot, é um exemplo a ser seguido de como adaptar um material tão absurdo em um filme com cara de blockbuster, sem perder sua essência de diversão de depois do almoço. Por que é isso que Power Rangers sempre foi: uma distração tola, repetitiva e metida a descolada, mas acima de tudo muito divertida. A produção de 2017 tem esse mérito de entender o fator nostalgia para os antigos fãs, ao mesmo tempo que renova a história e deixa o produto mais palatável para o público casual. Nós, crias dos anos 90, vamos ver tudo que nos encantava na infância, enquanto o resto vai encontrar um blockbuster pipoca divertido e envolvente para animar o fim de semana.

(Foto: Divulgação)
Claro que, deixando a empolgação de lado, o filme tem sim alguns problemas. O maior deles na construção do roteiro. Se por um lado, o roteirista John Gatins (do ótimo "Gigantes de Aço") e seu time de argumentistas conseguiram dar um dose aceitável de integridade ao universo maluco dos Power Rangers, por outro foram incapazes de conferir diálogos mais naturais ao seu grupo de protagonistas. As falas, na maior parte do tempo, são forçadas, deselegantes e extremamente expositivas. Daquele nível que diz e repete mais de uma vez tudo que cada um está sentindo e precisa fazer, para não dar chance do espectador não ter entendido.

Ainda no lado negativo, a quantidade abaixo da esperada de cenas de ação envolvendo os heróis transformados soa um pouco estranha. Vemos os heróis em processo de "morfagem", vemos os seus zords (renovados aqui para um design meio Transformers), mas praticamente não presenciamos os Rangers lutando em solo, o que não deixa de ser decepcionante. Mesmo a batalha dos robôs não empolga muito, visto que sequências muito melhores podem ser encontradas em "Círculo de Fogo" ou até mesmo nos insuportáveis "Transformers" de Michael Boom, digo Bay. Creio que aqui tenha pesado o "baixo" orçamento de 105 milhões, menos da metade do que projetos similares costumam ter.

Mas felizmente, o filme consegue se segurar como bom entretenimento, mesmo com os eventuais problemas. O elenco realiza a proeza de proferir algumas das falas quase indizíveis com bom humor e dignidade, estabelecendo o grupo de heróis como figuras carismáticas e fáceis de se envolver. Bryan Cranston traz autoridade à figura de Zordon com sua voz marcante, ao mesmo tempo que Bill Hader se aproveita e nos diverte com os maneirismos de Alpha 5. Já Elizabeth Banks não tem muito o que fazer com a vilã, embora não seja nem um pouco culpa da atriz. Afinal, sua personagem se chama... Rita Repulsa. Mas o negócio é que independente de qualquer coisa, se você é da geração 90, época áurea da série original na televisão brasileira, quando o zords saírem do Centro de Comando, sua boca já estará involuntariamente cantando "Go Go Power Rangers!!!" e não há nada que você possa fazer contra isso. 

Nota: 3/5 (Bom)

(Ei, psiu: Não saia correndo da sala, tem uma cena no meio dos créditos!)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt3717490
- Distribuidora: Paris Filmes

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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