'Logan': uma despedida digna do herói que criou o gênero

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Logan", Direção: James Mangold (Foto: Divulgação)
Texto com leves Spoilers!

Se hoje os super-heróis são uma das maiores fontes de renda de Hollywood, é por que um dia existiu "X-Men" (2000). Gostando ou não, o filme de Bryan Singer foi o grande responsável por abrir o olhar do público para todos os longas que vieram depois. Podia não ser a adaptação de quadrinhos que a gente merecia, mas era a que o mercado precisava. 

No centro daquela franquia, um quase desconhecido se destacava: Hugh Jackman. Alçado a fama por conta de sua interpretação de Wolverine, o ator vestiu a camisa do personagem como poucos fizeram dentro do gênero, participando de nada menos que nove capítulos da saga X-Men nos cinemas. Sendo o mais recente deles, "Logan", uma emocionante e merecida despedida deste personagem que marcou a história da indústria. 

Livremente inspirado na HQ "O Velho Logan" (de Mark Millar e Steve McNiven), o roteiro mostra um futuro próximo em que os mutantes não existem mais, extintos por algum acidente envolvendo o Professor Xavier (Patrick Stewart). Enquanto vivem em completo exílio da sociedade, Logan e Charles encontram uma menina (Dafne Keen) com poderes muitos similares aos de Wolverine. Para protegê-la de vilões que a querem presa, os dois velhos X-Men saem numa jornada pelos Estados Unidos para encontrar os amigos dela. 

O mais fascinante da trama criada por Scott Frank, James Mangold e Michael Green é como ela encontra um equilíbrio improvável entre a violência e a doçura. Ao mesmo tempo que nos entrega um excelente filme de ação, James Mangold sabe manter os pés no chão sem perder a profundidade dos personagens. Cada um do trio principal (Charles, Logan e Laura) tem seus respectivos dramas, os quais, quando entrelaçados, torna a história tão interessante e poderosa. A violência só funciona porque sabemos a urgência de cada situação e o que cada um já fez para chegar até ali, ou seja, nada é gratuito ou exagerado. 

(Foto: Divulgação)
Os momentos "super-heroicos" estão presentes e funcionam, mas é no drama de ação que o projeto se encontra. Através quase de um road movie o trio se conecta e, por consequência, se forma o núcleo familiar. Em maior ou menor escala, X-Men sempre foi isso: uma história de família, lutando contra ameaças maiores que ela própria. Ver esta família se despedaçando é trágico, mas também o que traz força e peso ao filme. Com 17 anos de estrada na franquia, tem certas coisas (e aqui vou evitar spoiler) que chegam com impacto emocional o suficiente para destruir qualquer espectador mais antigo. Acho que pela primeira vez, vemos Wolverine enfrentando situações tão definitivas e tão sem voltas.

"Logan" é um produto muito bem pensado para seu público alvo, com trama fechada e necessidade de conhecimento prévio na medida certa do bom senso. Portanto é uma pena que os roteiristas cometam alguns deslizes tão primários num projeto que caminhava para a excelência. Apesar de entender a necessidade do cliffhanger para eventual continuação, soa um pouco vazio o destino de Laura e seus amigos. E como se trata de uma motivação central na trama, não deixa de ser um tanto frustrante a falta de informação que recebemos. Frustração, aliás, que já tinha dado as caras momentos antes, quando descobrimos toda a conspiração através de um vídeo gravado com celular (que por sinal já vem editado e com narração pronta!), num recurso de roteiro bem pobre e dissonante do resto do filme. 

Mas independente de falhas pontuais, o desfecho do longa é extremamente satisfatório. Embora não mostre o Wolverine com uniforme clássico, o que era esperado e merecido depois de 17 anos de franquia, "Logan" também encontra seu momento de carinho para os fãs que acompanharam essa longa trajetória. Sendo Laura uma leitora de quadrinhos, em certo ponto o Professor Xavier é questionado da validade de uma revistinha e o mesmo responde "Para ela é real". O que pode soar como apenas uma gracinha, na verdade é uma homenagem a todos os fãs que chegaram até ali. Por que pode até ser só um filme de super-heróis, mas para nós sempre foi e sempre vai ser real. É parte de nós e de nossas vidas, assim como Hugh Jackman também é. Portanto não é de se estranhar que quando Laura vira uma certa cruz, sejamos nós, como uma família, virando junto com ela. Aquele X não é pra Wolverine. É para todos nós, que há 17 anos estávamos nos cinemas assistindo "X-Men" pela primeira vez.

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt3315342/
- Distribuidora: Fox Filme do Brasil

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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