'Kong: A Ilha da Caveira': entretenimento da mais alta qualidade

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Kong: A Ilha da Caveira", Direção: Jordan Vogt-Roberts (Foto: Divulgação)
Se tem duas expressões dos americanos que podem resumir produções como essa são 'on the edge of the seat' e 'mind blowing'. Em livre interpretação, assistir o filme 'na beira da poltrona' e ter a 'mente explodida'. "Kong: A Ilha da Caveira" oferece exatamente isso, um blockbuster impactante, tenso e divertido do início ao fim.

Fugindo um pouco da reverência ao clássico, este novo King Kong oferece uma visão mais moderna do gorila gigante, bem diferente do que havia feito Peter Jackson no remake de 2005. Os roteiristas Dan Gilroy ("O Abutre"), Max Borenstein ("Godzilla") e Derek Connolly ("Jurassic World") praticamente deixam de lado as alusões ao filme de 1933, preferindo investir numa mistura curiosa entre cinema de guerra e monstros orientais. Saem então os elementos clássicos, como a Nova York dos anos 30 ou o macaco no Empire States, e entram no lugar um show de referências mais contemporâneas que vão desde "Apocalypse Now" e "Jurassic Park" até os ensandecidos crossovers japoneses do Godzilla (vide "Mothra vs. Godzilla" e seus inúmeros derivados). 

(Foto: Divulgação)
Jordan Vogt-Roberts aproveita as possibilidades do material para imprimir um estilo muito particular ao projeto. Sua decupagem é inventiva, diferente e elegante, funcionando bem tanto para os momentos cômicos quanto para as sequências alucinantes de ação. Vejam, por exemplo, a brincadeira com o boneco cabeçudo de Richard Nixon: num primeiro instante é usado como uma piada muito bem humorada, para logo depois surgir durante uma cena particularmente tensa. Roberts mostra assim seu entendimento de narrativa e como se dedicou a estudar a mitologia dos monstros japoneses. 

O roteiro eventualmente peca no desenrolar da trama e no desenvolvimento de alguns personagens. Talvez pelo excesso deles, até os principais interpretados por Tom Hiddleston e Brie Larson soam um pouco vazios, sem as devidas motivações e passados bem explicados. Embora o básico para compreensão esteja presente, faltam mais informações sobre Weaver, Conrad e os outros coadjuvantes para que possamos nos envolver e nos importar com os destinos de cada um deles. Perto do fim, temos também alguns atalhos na história e na própria encenação do clímax, de forma que personagens se locomovem muito mais rápido do que poderiam e sempre surgem exatamente aonde precisariam estar, como se ignorassem as distâncias ou características geográficas da ilha. 

Mas independente de qualquer coisa, o fator diversão não é alterado em nenhum momento. "Kong: A Ilha da Caveira" é um entretenimento de alta qualidade, com méritos e promessas os suficientes para arrepiar os cabelos de todos os fãs de monstros cinematográficos. Falando em promessas, não dá para perder a cena pós-crédito. A sugestão lá plantada é o indício de uma enorme e aguardada franquia que está por vir. E a expectativa é maior que os próprios possíveis protagonistas, se é que vocês me entendem. 

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt3731562
- Distribuidora: Warner Bros

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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