'A Bela e a Fera': uma releitura cheia de coração e magia

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"A Bela e a Fera", Direção: Bill Condon (Foto: Divulgação)
"A Bela e a Fera", a animação de 1991, marcou época como parte da Renascença da Disney. Uma era próspera de produção criativa, em que o estúdio realizou algumas de suas obras mais amadas e reconhecidas de todos os tempos. Além disso, foi o primeiro longa animado a ser indicado ao prêmio de Melhor Filme no Oscar, o que por si só já o coloca na história da indústria. Restava então saber se o remake em live-action faria justiça ao legado do filme original ou entraria para lista de produtos esquecíveis do cinema americano. 

Felizmente, "A Bela e a Fera" de 2017 passa longe de ser esquecível, se destacando entre a nova franquia de live-actions da Disney, que já contava com o competente "Mogli: O Menino Lobo" (de Jon Favreau) e o fraquinho "Cinderela" (de Kenneth Branagh), dentre outros. Os roteiristas Stephen Chbosky ("As Vantagens de Ser Invisível") e Evan Spiliotopoulos ("O Caçador e a Rainha do Gelo") acertam ao mesclar o que havia de melhor no clássico de 1991 e no musical da Broadway de 1994, criando um híbrido que consegue conversar com os fãs, com adoradores de musicais e com o público casual. Além disso, a duração a mais em relação ao desenho, possibilita que algumas figuras importantes como a Bella, seus pais e Gaston, ganhem mais background e estofo, o que sem dúvida enriquece nossa percepção da história.

Obviamente o filme não está livre de problemas, sendo o maior deles a concepção dos personagens digitais. Enquanto a Fera deixa de convencer pela falta realismo no seu rosto, os demais companheiros sequer exibem expressões que consigam estabelecer qualquer ligação emocional com o espectador. Suas respectivas personalidades praticamente só existem por conta das performances vocais por trás da animação. O que não deixa de ser frustrante de imaginar como talvez seria incrível poder ver detalhes das composições de Ewan McGregor, Emma Thompson e Ian McKellen refletidas em seus personagens. Como a Disney vinha de um sucesso técnico e comercial que foi "Mogli: O Menino Lobo", realmente não dá para entender o porquê destes efeitos tão abaixo do esperado.

(Foto: Divulgação)
O diretor, Bill Condon, também tem sua parcela de erros, se mostrando um tanto inconstante, assim como em boa parte de sua carreira. Ao mesmo tempo que consegue criar sequências musicais super empolgantes, como a "Be Our Guest", que conta até com referências aos musicais clássicos de Hollywood, o cineasta erra a mão em outros momentos que pediam certa grandiosidade, como o número de dança principal entre os dois protagonistas. Qualquer um que já assistiu ao original sabe como aquele é o momento em que o filme cresce e conquista de vez o espectador. Faltou ao cineasta uma decupagem mais dedicada para tornar a cena única como a de 1991 era.

Mas superados esses problemas, o filme tem sim muitos méritos que merecem ser destacados. Pra começar, a lógica visual é absolutamente impecável, se refletindo com primor nos cenários e nos figurinos. Vejam, por exemplo, o azul que sempre está presente em Bela. Ocasionalmente ele some, pontuando instantes de mudanças, mas retorna com força nas vestes da Fera re-transformada do final, indicando sua completa entrega à personalidade da amada. Ao mesmo tempo, não tem como não admirar a parte musical do filme. Cada nota e cada letra do trio de lendas da Disney, Alan Menken, Howard Ashman e Tim Rice, são sempre um suspiro de alegria e genialidade. Mesmo nos (poucos) piores momentos, a trilha eleva tudo que está na tela e prende nossa atenção como poucas conseguem fazer.

"A Bela e a Fera" termina como uma bem-vinda adição ao mundo Disney, conseguindo se renovar e simultaneamente manter as tradições. Traz também um elenco estelar, que dá graça e ares contemporâneos aos seus personagens, em especial Emma Watson, dona de uma voz agradável e expressões sempre gentis. É um filme cheio de magia, daquele tipo bem especial que só aparece nas noites de queima de fogos no Magic Kingdom, nos palcos das adaptações da Broadway e nas produções precedidas de um certo castelo iluminado por uma estrela cadente. 

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt2771200
- Distribuidora: Disney

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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