'Beleza Oculta': novo filme de Will Smith falha em tudo que se arrisca

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

(Foto: Reprodução)
Tenho um carinho imenso pelo Will Smith. Sua carreira é repleta de ótimos projetos, desde dramas pesados como "À Procura da Felicidade", até ficções científicas como "Eu, Robô". Isso sem nem entrar no mérito das comédias, sua área de domínio, que remete diretamente a clássicos como "Um Maluco no Pedaço" e "MIB: Homens de Preto". Enfim, é um grande ator, com imenso carisma, que consegue trazer vida até às produções mais fracas. Mas uma coisa é fato, ele precisa urgentemente parar de tentar ganhar o Oscar na força.

Em 2015 ele já havia lançado "Um Homem Entre Gigantes", onde chora, fala bonito, faz sotaque, se exalta, tudo calculado para cavar aquela indicação de Melhor Ator. Não funcionou, afinal o filme era mediano, meio sem foco e o ator teve o azar de cair na polêmica de sotaques mal feitos em Hollywood. Agora, final do ano passado, ele tenta novamente, estrelando uma produção Oscar bait, com muito drama, morte de crianças, atores famosos, 'chororô' e reviravoltas. Mas infelizmente, se o filme anterior não ajudava muito suas ambições, este faz qualquer chance de indicação entrar em colapso.

"Beleza Oculta" é um daqueles filmes dramalhões que não tem vergonha nenhuma em tentar arrancar a força as lágrimas do espectador. Mesmo que para isso tenha que investir numa trama sem pé nem cabeça, a qual depende exclusivamente da ausência de pensamento por parte do espectador e de sucessivos absurdos para funcionar. Sem querer entrar em spoiler aqui (se é que este conceito se aplica a este roteiro estúpido), o filme mostra a vida de um publicitário que ao perder a filha pequena, começa a sofrer um longo período de luto. Para lidar com isso, passa a escrever cartas para conceitos intangíveis como Tempo, Morte e Amor. Seus amigos e parceiros de negócio, vendo que ele está levando a empresa para o buraco, contratam atores para "personificar" estes conceitos e interagir com o protagonista.

(Foto: Divulgação)
Neste momento que os problemas começam: ao invés de assumir o caráter de farsa, o roteirista investe numa tentativa muito mal sucedida de dar um lado espiritual (na falta de uma palavra melhor) aos atores e os respectivos conceitos que interpretam. Então, o que já seria um absurdo por si só, afinal imaginem um homem adulto acreditando que uma senhora é a Morte em pessoa, se torna uma piada completa ao apresentar a possibilidade dos atores serem de fato os três conceitos. Tempo, Morte e Amor estavam então ensaiando uma peça em Nova York? O Amor foi fazer teste de elenco? Eles aceitaram dinheiro para realizar seus serviços? Ou o personagem de Will Smith que é um completo idiota? O texto infelizmente desperta estas questões ao tentar dar um duplo sentido desnecessário aos personagens. 

O pior de tudo é que ao se analisar mais profundamente os detalhes, o filme desaba de vez. Em certo ponto, surge uma detetive particular para gravar as interações do protagonista com os 'conceitos', para depois eles serem apagados por computador e dar impressão que o sujeito estava falando sozinho (olha o plano dos amigos). Reparem como a gravação, feita com um iPhone, surge magicamente perfeita, com áudio limpo e equalizado da voz do personagem. E mais, em uma das gravações, a Morte (interpretada por Helen Mirren) se encontrava entre a câmera e o Will Smith. Imaginem que artistas de efeitos especiais fantásticos foram necessários para não só apagar uma senhora das imagens, como reconstituir o que estava por trás dela. 

Enfim, "Beleza Oculta" é uma sucessiva explosão de absurdos, que faz um desserviço a Will Smith, ao elenco e até ao próprio tema que tenta abordar. Não é com música triste em volume alto e plano fechado de lágrima escorrendo que se trata um assunto tão sério como a morte de um filho. É com sensibilidade, coisa que este filme não tem nem um pingo. Se existe um mérito em "Beleza Oculta" é o fato de terem conseguido errar em absolutamente tudo, até o excelente elenco conseguiram estragar. Chega a doer ver atores tão competentes tentando dar dignidade a um texto tão ruim. Will, por favor, escolha projetos melhores daqui pra frente. Estamos com saudades.

Nota: 1/5 (Ruim)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
Comentários
1 Comentários

Um comentário:

  1. Não foi feito Photoshop. A senhora é o neto não viram ninguém interagindo com o Will. Quando a morte pergunta ao colega que está morrendo o que a senhora acho dá atuação dela. Ele fica sem graça e não sabe o que dizer. Possivelmente a velha não sabia do plano estava apenas registrando. Únicos que viram as representações foram os 4 que precisavam ser ajudados. Sugiro que reveja o filme. Teve bastante sutilezas. No início a morte conversa com o amor. Naquela conversa dá há entender que eles estão tramando algo. Como se estivessem plantando algum esquema. O Norton sempre desde a primeira cena eh seduzido pelo amor. Mas todas as interações se tratam sobre um amor de pai para filho.
    Alguns amigos demoraram a perceber que a moça era mulher dele e outras tantas revelações.
    Acho que vc devia rever. Will fica fazendo as mesmas cenas repetidas vezes durante o filme. E no final o Breakout dele no fim poderia ter algo mais.

    Erros tem ao fato das gravações que aparecem na televisão. Tem hora que mostram em vários ângulos. Oq não faria sentido por ser uma gravação caseira feita pela mulher.

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