'Assassin's Creed': filme baseado em game aclamado decepciona

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

(Foto: Divulgação)
Sempre que uma adaptação de games chega às telas, volta a discussão: "Será este o primeiro grande filme inspirado em jogos eletrônicos?". Inevitável, visto que em tantos anos de convivência entre estas duas formas de arte, mesmo após diversas tentativas, nunca tivemos uma produção realmente aclamada entre crítica, público e fãs. Infelizmente, "Assassin's Creed" não muda em nada essa sina, se configurando como um produto genérico, tolo e sem coração. 

A maior dificuldade do roteiro de Michael Lesslie ("Macbeth"), Adam Cooper e Bill Collage (dupla de "Convergente") é conseguir estabelecer a mitologia do filme apropriadamente. Na tentativa de ser um "Indiana Jones" frenético do século XXI, os roteiristas sem querer entregam um "O Código Da Vinci" genérico e sem vida. Os conceitos por trás da maçã do éden, elemento o qual move toda a trama, são confusos, bobos e extremamente mal desenvolvidos. O que resulta em um inevitável senso de desinteresse por parte do espectador, que jamais consegue acreditar na real utilidade do objeto e muito menos nas motivações dos vilões para encontrá-lo.

(Foto: Divulgação)
Em paralelo, o diretor Justin Kurzel falha miseravelmente na função de conduzir uma obra de ação, inspirada em um jogo tão visualmente rico. Embora o design de produção seja impressionante, com cenários belíssimos e detalhados, o cineasta praticamente o desperdiça, investindo em cortes muito rápidos e planos fechados. O que gera também outro problema: todos os elementos mais bacanas da jogabilidade do game original são perdidos. O parkour, a câmera em 3º pessoa, os momentos 'stealth', tudo é jogado fora. Vejam por exemplo a sequência de perseguição cheia de parkour no início de "007: Cassino Royale", na qual entendemos perfeitamente a ação dos personagens, o espaço aonde estão e as consequências de seus atos. Em "Assassin's Creed" nada disso acontece. As sequências são confusas, feias e muitas vezes incompreensíveis. 

De positivo a dizer sobre o filme, só mesmo o lado visual. Tanto os figurinos, quanto o já citado design de produção. Ambos estabelecem bem cada fase temporal, em especial a que se passa na Espanha da época da inquisição. Isoladamente, algumas tomadas são bem bonitas e impactantes. No início do filme principalmente, elas quase mascaram o fiapo de história que está acontecendo em 2º plano. Pena que em menos de 40 minutos, "Assassin's Creed" vai desabando diante de nossos olhos e não há salto de fé que possa nos prender a este filme tão fraco.

Ainda não foi desta vez que os games conquistaram às telas. 

Nota: 2/5 (Regular)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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