'Tamo Junto': filme com Sophie Charlotte se perde na falta de foco

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

(Foto: Divulgação)
Faz tempo que gosto do trabalho do diretor e roteirista Matheus Souza, responsável pelo simpático "Eu Não Faço a Menor Ideia (...)" e pelo delicioso "Apenas o Fim". Seu novo trabalho, "Tamo Junto", protagonizado por Leandro Soares e Sophie Charlotte, é praticamente uma continuação temática dos longas anteriores, trazendo os mesmos elementos que se tornaram marcas registradas do cineasta, como os conflitos da geração anos 90, o humor leve, os diálogos rápidos e as dezenas de referências a cultura pop.

Sem se levar muito a sério, investindo frequentemente na auto-paródia, o filme consegue estabelecer certo bom humor e vender os dramas do protagonista Felipe interpretado por Leandro Soares. Sua evidente imaturidade se reflete na estrutura propositalmente clichê do roteiro, que em nenhum momento tenta passar a impressão de ser algo muito maior do que uma comédia romântica. Aliás, é justamente nisso que o filme funciona tão bem. A trama envolvendo Felipe e Julia (Sophie Charlotte) é envolvente e divertida, mesmo em todo seu absurdo. Por mais previsível que seja, o casal prende nossa atenção no melhor estilo de jovens adultos imaturos. Em grande parte também pelos excelentes trabalhos dos dois atores, que se safam bem até nos momentos mais bobos do texto.

(Foto: Divulgação)
O problema do filme é não saber dosar a comédia romântica com a trama paralela de autorreferências e metalinguagens forçadas do personagem interpretado pelo próprio Matheus Souza. Sem jamais se encaixar no tom do restante do filme, ele surge em tela como uma mistura/cópia do Sheldon de "The Big Bang Theory", Abed de "Community" e do arquétipo dos personagens do Woody Allen, com a vital diferença de que, como ator, Souza não é nem Jim Parsons, nem Danny Pudi e muito menos Woody Allen. Faltou ali um ator mais experiente, com timing cômico mais apurado, para dar veracidade aos textos absurdos proferidos por 'Paulinho' Ricardo. E mais do que isso, um pouco de autodisciplina do diretor/roteirista de entender que o personagem em questão não é o protagonista e não deveria ter virado quase uma trama paralela.

As partes mais fracas do roteiro são justamente as que se aprofundam no personagem, por melhor que seja a caracterização de nerdzão antissocial de Matheus Souza. O excesso de piadinhas metalinguísticas e referências forçadas ao mundo pop acabam cansando, especialmente por jamais serem inseridas de forma orgânica no texto, parecendo mais citações gratuitas para mostrar aparente antenação, do que parte inerente a personalidade do personagem. No fundo me deu mais vontade de ver outras cenas com os personagens de Fábio Porchat ou Rafael Queiroga, ambos em participações engraçadíssimas, do que do próprio Paulinho Ricardo.

De qualquer maneira, espero que no futuro Souza volte ao tema de jovens adultos e geração 90, talvez com um roteiro mais redondo e sem tantos desvios. Como diretor e roteirista, ele sabe representar bem este universo, com humor e irreverência, sem cair na caricatura ou no novelesco. O gênero de comédia anda tão massificado (no pior sentido da palavra) no cinema nacional, que obras com humor mais apurado são sempre bem vindas. Algo que "Apenas o Fim" foi tão feliz em atingir, mas infelizmente não é tanto o caso de "Tamo Junto". 

Nota: 2/5 (Regular)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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