'Sully: O Herói do Rio Hudson': ótima chance de ver Tom Hanks

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

(Foto: Divulgação)
Sempre bom reencontrar Tom Hanks. Creio que seja um dos atores mais carismáticos e verdadeiros da atualidade, independente do projeto. Pode ser na pele do eterno Forrest ou com os mullets do Professor Langdon, Hanks sempre encontra um jeito de encantar. Em "Sully: O Herói do Rio Hudson" não é diferente, por mais que o filme em si não se destaque muito. 

A trama gira em torno do famoso acidente aéreo envolvendo a extinta US Airways, em que um de seus aviões foi forçado a fazer um pouso de emergência em pleno rio Hudson logo após decolar do aeroporto de LaGuardia. Embora seja sem dúvida uma história impressionante, com destaque óbvio para o talento e profissionalismo da equipe de bordo comandada pelo Capitão Sully Sullenberger, me pergunto até que ponto ela é apropriada o bastante para um longa-metragem de 96 minutos. 

Diferente de outros desastres aéreos com intermináveis conspirações, julgamentos e até mistérios, o acidente do US 1549 não oferece muito o que se debater ou investigar. O avião decolou, quatro minutos depois colidiu com alguns pássaros, logo perdeu as duas turbinas e foi pousado com extrema competência no rio Hudson. O próprio filme parece reconhecer isso, ao não se alongar muito nas investigações, apelando mais para momentos de observação dos personagens, flashbacks desnecessários e repetição do acidente em si sobre variados pontos de vista. 

(Foto: Divulgação)
Não há muitas explicações técnicas, não há quase cenas tensas de investigação e, sinceramente, não há nem um vilão propriamente dito, uma vez que o caso todo pode ser resumido em uma palavra: acidente. Segundo o filme mostra, também não houve negligência da companhia, dos passageiros, nem de nenhum profissional direta ou indiretamente envolvido no caso. Ou seja, por mais interessante que a história seja, o produto final, um longa-metragem de mais de 90 minutos, soa um tanto... vazio. 

Felizmente, para driblar um pouco este fato, o diretor (nosso amado e lendário Clint Eastwood) faz o esforço de encenar toda a tragédia de forma empolgante, o que ele consegue com certa eficácia. Todos os momentos pré, durante e pós acidente são tensos o suficiente para prender a nossa atenção, mesmo que a gente já saiba que ninguém de fato vai sair ferido ou sem vida. Ao mesmo tempo, a dupla principal formada por Hanks e Aaron Eckhart consegue convencer, trazendo integridade e honra aos seus personagens, o que sem dúvida beneficia o projeto. 

Longe de ser ruim, "Sully: O Herói do Rio Hudson" só parece carecer de conteúdo e bagagem (com perdão do trocadilho) para se tornar um longa-metragem com comando de Clint Eastwood e interpretação de Tom Hanks. Talvez o livro de relatos do Capitão Sully, que existe e inspirou o roteiro, já fosse mais do que o suficiente.

Nota: 3/5 (Bom)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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