Retrospectiva 2016: Veja o que foi destaque no Cinema

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)




Lá se foi 2016, um ano com muitas tragédias e momentos tristes que certamente vão marcar o Brasil e o mundo. Mas ao mesmo tempo, no cinema tivemos 12 prósperos meses com grandes lançamentos, desde blockbusters que arrasaram quarteirões até filmes menores que acharam seu lugar ao sol através dos festivais e circuitos alternativos. 

Nossa retrospectiva com os principais filmes de 2016 contempla as produções lançadas comercialmente no Brasil entre janeiro e dezembro, incluindo as selecionadas para o Oscar deste ano. Deixem nos comentários os filmes que vocês acham que deveriam fazer parte desta lista e tenham todos um feliz ano novo, com muito cinema, arte e cultura. 

Antes de qualquer coisa, fica nossa homenagem a Carrie Fisher, Domingos Montagner, David Bowie, Alan Rickman, Guy Hamilton, Anton Yelchin, Michael Cimino, Gene Wilder, Peter Vaughan e tantos outros artistas que nos deixaram em 2016.

1) A Chegada (EUA, 2016), direção: Denis Villeneuve
Sempre que uma nova ficção científica é lançada, inevitavelmente surgem comparações com “2001 - Uma Odisseia no Espaço”. Enquanto no caso da maioria não passa de puro exagero, “A Chegada”, de Denis Villeneuve, talvez seja uma das poucas realmente digna de tal honra. Um filme denso, dramático e com clima de estranhamento e mistério impecável. O cartão de visita perfeito para o diretor que vai comandar a continuação de “Blade Runner”.



2) Animais Fantásticos e Onde Habitam (UK, 2016), direção: David Yates
No primeiro feitiço usado por Newt Scamander, não houve ‘potter-head’ neste mundo que não tenha sentido o calor da nostalgia de mais de 15 anos da saga Harry Potter. 2016 foi definitivamente o ano do retorno ao mundo mágico de J.K. Rowling: um espetáculo bem sucedido em Londres e esta nova franquia inspirada no lendário autor do livro didático usado por Harry e seus amigos. O público amou, a crítica abraçou e o resultado foi o sinal verde para mais 5 filmes liderados pelo carismático Eddie Redmayne. 




3) Aquarius (Brasil, 2016), direção: Kleber Mendonça Filho
O principal lançamento brasileiro no ano pode ter ganho maior parte de sua fama por conta de polêmicas e protestos de pseudo-jornalistas. Mas a verdade é que “Aquarius” é um filme inesquecível, lúdico e emocionante, com atuação central imbatível de Sônia Braga e direção impecável de Kleber Mendonça Filho (do também maravilhoso “O Som ao Redor”). Merece todos os prêmios que já ganhou e ainda vai ganhar ao redor do mundo. Um viva a “Aquarius”! 



4) Capitão América: Guerra Civil (EUA, 2016), direção: Joe Russo, Anthony Russo
Do Brasil a Wakanda: o novo filme do ‘Marvel Cinematic Universe’ chegou dividindo o time dos maiores heróis da terra, de um lado Capitão América, do outro Homem de Ferro, cada um com seus respectivos seguidores entre fãs e crítica. Diferente do polêmico “Batman vs Superman” que polarizou o público como nunca havia acontecido com um filme de super-heróis, “Guerra Civil” foi quase unanimidade, rendendo mais alguns milhões aos cofres da Marvel. 




5) Deadpool (EUA, 2016), direção: Tim Miller
Se o Brasil é o país da zueira, “Deadpool” é o filme da zueira. Responsável por subverter todo o gênero do cinema de super-heróis, com um personagem que ninguém dava nada após a estreia deplorável no famigerado “X-Men Origens: Wolverine”. Se tem uma coisa que Hollywood precisa aprender com Ryan Reynolds e seu Wade Wilson é a habilidade de se auto criticar e tirar sarro de todos ao seu redor. Por melhor que seja “Capitão América: Guerra Civil”, ou por mais que você seja um daqueles que amou “Batman Vs Superman: A Origem da Justiça”, impossível negar que “Deadpool” foi o filme de super-heróis do ano. 



6) Eu, Daniel Blake (UK, 2016), direção: Ken Loach
O atual vencedor da Palma de Ouro talvez seja também o filme mais devastador do ano. Não por mostrar sofrimento explícito ou cenas de tortura de animaizinhos, mas por ter a capacidade de envolver de forma delicada e sensível o espectador nos dramas de seu personagem título. Mestres como Ken Loach são poucos hoje em dia. Não deixem passar, “Eu, Daniel Blake” é uma obra imperdível. 




7) O Quarto de Jack (EUA, 2015), direção: Lenny Abrahamson
Em um ano que teve “Star Wars”, “Mad Max”, Leonardo DiCaprio lutando com urso e filme sobre escândalo na igreja católica, fica difícil imaginar como uma produção pequenininha poderia chamar a atenção de tanta gente. Além disso, a equipe formada por nomes pouco conhecidos ou até estreantes, como Brie Larson, Lenny Abrahamson, Emma Donoghue e o fenômeno Jacob Tremblay, só ajuda a aumentar a magia e encanto de “O Quarto de Jack”.



8) Os Oito Odiados (EUA, 2015), direção: Quentin Tarantino
Polêmica em cinema é sempre bom, quando vem das mãos de Tarantino costuma ser ainda melhor. “Os Oito Odiados” irritou muita gente, confundiu os fãs do diretor e deu sono em vários espectadores desavisados. Não é para menos, afinal um filme de três horas praticamente todo passado dentro de uma cabana não é para qualquer um. Mas quem pegou a intenção do roteiro, entendeu os diálogos cheios de malícia e embarcou na onda do cineasta, provavelmente achou a longa duração até pouca e quis era estar assistindo a versão estendida exibida em 70 mm exclusivamente nos Estados Unidos. Acho que dá para perceber em que grupo nós estamos!



9) Rogue One: Uma História Star Wars (EUA, 2016), direção: Gareth Edwards
Antes mesmo de qualquer espectador conhecer Luke Skywalker, incluindo aqueles da longínqua galáxia muito, muito, distante da década de 70, a história de “Rogue One” já era revelada nos letreiros iniciais de “Uma Nova Esperança”. Portanto que ideia apropriada começar a saga paralela ‘Star Wars Stories’, com a jornada do esquadrão de elite da Aliança Rebelde para roubar os planos da estrela da morte. O filme é daqueles que apela do início ao fim ao coração dos fãs, é um projeto feito por e para eles. Qualquer visita por um alheio à força, talvez só encontre uma trama competente de guerra. Já para os mestres jedis, “Rogue One” é um presente lindo, caloroso e calculado, para aquecer até os corações mais gelados. A Força é muito forte neste projeto e a galáxia nunca esteve tão bem protegida com Rey, Luke, Obi-Wan e, agora, Jyn Erso.  



10) Spotlight: Segredos Revelados (EUA, 2015), direção: Tom McCarthy
“Spotlight” é uma daquelas obras que cresce com o tempo (além de mais uma vítima dos subtítulos brasileiros). O que parecia na época de sua estreia um filme burocrático, que sobrevivia mais por conta de sua história real do que por méritos cinematográficos, numa segunda (e terceira) visita se revela um projeto perfeitamente realizado. 

O roteiro é conciso e ao mesmo tempo claro, o diretor tira tudo que pode de seu excepcional elenco, sem jamais cair no exagero, e a montagem impecável de Tom McArdle dá conta de diversos personagens e situações sem perder o ritmo ou o andamento. Em tempos de decadência no jornalismo investigativo, em que mais vale uma manchete errada para conseguir clicks do que a verdade, “Spotlight” é um respiro de esperança para a profissão e uma obra que deveria ser referência em qualquer faculdade de comunicação, assim como “Todos os Homens do Presidente” e “Cidadão Kane” são até hoje.



Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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