Chris Cornell no Rio: A humildade de uma lenda viva do rock

Por Arnaldo Neto

Chris Cornell no palco do Teatro Bradesco Rio (Foto: Lucas Tavares)

Sempre achei o Chris Cornell subestimado.

O cara é uma lenda viva do rock, participou ativamente do nascimento do movimento grunge nos anos 90 e já liderou bandas do nível de Temple Of The Dog, Soundgarden e Audioslave, além de uma carreira solo bem honesta.

Mas ainda assim, recebe muito menos afagos da mídia e público geral do que Eddie Vedder, Jeff Buckley, Kurt Cobain e outros nomes da geração.

Nada contra esses três, pelo contrário, só sempre torci pro Chris ser tão adorado quanto.

Nunca havia entendido o motivo desse desnível até o show do dia 8 de dezembro, no Teatro Bradesco Rio, no Rio de Janeiro.

O frontman subiu ao palco como um verdadeiro trovador que vemos nas ruas de Londres e Nova York. Violão na mão, roupas humildes, e cabelo bagunçado em um cenário cru. Entre uma música e outra, perguntava pra galera o que queriam escutar e se estavam gostando.

Embora possua repertório suficiente pra horas de boa música, a descrição é tamanha que ele ainda acha tempo pra homenagear ícones do passado como Bob Dylan, Beatles e Sinnead O'Connor, em belos covers.

A relação com a plateia não foi de ídolo para fãs, mas sim uma troca entre amigos, quase uma roda de violão. Foi aí que eu entendi.

Talvez Cornell não seja reconhecido como o Deus da música que é por fazer questão de não se comportar como tal.

A humildade do cinquentão (acreditem, ele tem 52 anos!) fica ainda mais gritante do que o talento.

Então, ficou bem claro.

Não são os fãs que desmerecem Chris, nem a crítica que é muito dura com o cara.

Ele que prefere assim.

Andar do nosso lado, ao invés de pendurado na parede do quarto.

E nós, embora contra a vontade do cantor, deveríamos valorizá-lo mais ainda por tamanha simplicidade.

Só o que não é simples é o alcance vocal estrondoso do galã, evidente nos maiores hits da noite "Like a Stone", "Black Hole Sun" e Hunger Strike".

Com essa última, o espetáculo chega ao fim.

Quem era fã do mito, saiu fã do homem.

Volte sempre, Chris!
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