‘Horizonte Profundo’: bom entretenimento, mas sem devida reflexão

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

(Foto: Divulgação)
Interessante como alguns atores gostam de interpretar a si mesmos. Em 5 minutos de "Horizonte Profundo: Desastre no Golfo", já dava para ver a maestria de Mark Wahlberg em interpretar Mark Wahlberg, em talvez a melhor performance já feita de Mark Wahlberg, dando orgulho a toda a escola Wahlberginiana de atuação. Brincadeiras à parte, gosto de verdade do ator e do jeitão de homem comum que ele criou para si mesmo, maravilhosamente funcional neste filme.

"Horizonte Profundo: Desastre no Golfo" conta a história real do acidente que aconteceu na plataforma de petróleo Deepwater Horizon em 2010. Seguindo todo o guia básico do gênero "disaster-movie", o filme realmente empolga em seus dois primeiros atos. Toda a explicação de como o desastre aconteceu é encenada com muito realismo e descrições bem detalhadas. Um pouco expositivo, é verdade, mas que neste caso funciona por permitir que o espectador leigo no assunto consiga entender minimamente o que estava acontecendo. Ao mesmo tempo, o diretor Peter Berg (de "O Grande Herói", outra produção com Wahlberg interpretando Wahlberg) e seu montador constroem com muita competência o crescente clima de tensão, até culminar no momento chave do acidente em si.
(Foto: Divulgação)
Neste momento, apesar das sequências de ação bem coreografadas e intensas, o projeto infelizmente desanda um pouco. Ao invés de se concentrar nos personagens que já estavam estabelecidos, os roteiristas investem em inúmeras passagens com figuras que mal haviam sido apresentadas, apenas para mostrá-los sofrendo ou indo em direção à morte. O motivo é óbvio: fazer o espectador se emocionar à força. O problema é que não funciona e somos obrigados a ver diversos momentos trágicos, sem dúvida, mas sem entender exatamente quem era aquela pessoa ou que ela fazia na plataforma. 

Mas o maior problema mesmo de "Horizonte Perdido" é o fato dele não saber (ou não querer) lidar com as várias consequências globais do acidente. Claro que o aspecto humano é importante, aliás é ele que nos prende emocionalmente ao filme. Mas faltou ao roteiro refletir sobre todo o problema ambiental a curto e longo prazo que o desastre na Deepwater Horizon causou e vai causar para aquela região e para o mundo. Desta forma, o filme termina como um entretenimento competente, mas um tanto raso nas discussões mais importantes e profundas que envolvem o incidente que o inspirou. 

Nota: 3/5 (Bom)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

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