'Animais Fantásticos e Onde Habitam': acerto para bruxos e trouxas

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

(Foto: Divulgação)
Por motivos éticos devo dizer que sou daqueles que terminou "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2" aos prantos, quase em coma emocional. Felizmente a gente cresce, amadurece e passado algum tempo se torna possível analisar nossas obras mais queridas com certa objetividade. Tive a oportunidade de revisitar a franquia Harry Potter algumas vezes após o seu término, a última há poucos meses atrás. E é impressionante como mesmo depois de tantos anos, o encantamento e frescor na obra de J.K. Rowling continuam praticamente intactos.

"Animais Fantásticos" se apropria de muito dos elementos e recursos já estabelecidos na franquia principal, alguns de forma correta, mas outros nem tanto. Começo falando destes últimos: apesar da troca de roteiristas, antes Steve Kloves, agora a própria autora dos livros, o formato no texto segue praticamente inalterado. Rowling aposta em diversos atalhos de roteiro para fazer a trama engatar, que hora funcionam, hora soam meio apressados. Mesmo para os já iniciados no mundo de Harry Potter, a quantidade de informações, passadas em diálogos longos, imagens de jornais e até monólogos um tanto expositivos, pode assustar ou até confundir um pouco.

(Foto: Divulgação)
Felizmente, estabelecida a dinâmica do grupo principal (em três competendes performances de Eddie Redmayne, Katherine Waterston e Dan Fogler), o filme engata muito bem e se consolida como um ótimo novo capítulo dentro do universo Harry Potter. Em grande parte pela reimaginação perfeita do mundo bruxo dos anos 20, através do deslumbrante design de produção de Stuart Craig e dos belos figurinos de Colleen Atwood. Apesar de diferente, tudo que vemos nas telas de alguma forma remete aos filmes anteriores, mas sem soar como cópia. Além disso, os tais 'animais fantásticos' são convincentes, criativos e até adoráveis (embora eu reconheça que as vezes o caráter digital fique muito evidente). Quem assistir o filme vai entender a fofura por trás de algum dos bichinhos, que me surpreenderiam muito se não virassem bonecos de pelúcia ou Funko Pops nos próximos meses.

Mas o mérito mesmo de "Animais Fantásticos e Onde Habitam" é conseguir reviver a franquia Harry Potter, com novas histórias e até um novo tom para a narrativa, sem depender de personagens conhecidos e, principalmente, sem parecer um reboot. O filme acerta a mão tanto para os 'bruxos' mais experientes, quanto para os 'trouxas' que nunca ouviram falar de Harry Potter. E ao mesmo tempo, tem a habilidade de começar a botar ordem em um cânone que, embora seja extenso, ainda estava muito desorganizado entre tantos livros, contos e apêndices. 

J.K. Rowling parece enfim ter entendido o potencial que sua obra tem de seguir um rumo semelhante ao do universo expandido de "Star Wars". Sendo uma fonte aberta de novos produtos para povoar o universo dos bruxos, sem se limitar necessariamente a família Potter. "Animais Fantásticos" dá a deixa para daqui alguns anos termos novos spin-offs em formas de livros, séries de TV ou filmes, que possam preencher as lacunas da história da "bruxandade" no mundo, fortalecendo cada vez mais o cânone que começou lá atrás com o menino no armário embaixo da escada.

E se isso tudo é bom para a Warner, dona de uma mina de ouro eterna, para nós fãs é uma oportunidade fantástica de estarmos sempre perto desse mundo que há tanto tempo nos encanta. Como disse uma vez certos personagens: "After all this time? Always."

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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