Festival do Rio 2016 - Dia 7: os fracos 'Dominion' e 'Amnesia'

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

14) Dominion (Dominion, EUA, 2016), direção: Steven Bernstein.
(Foto: Divulgação)
Confesso que não conhecia o poeta galês Dylan Thomas, que agora numa rápida pesquisa descubro que é considerado um dos principais escritores de seu país. E se tem uma coisa que mostra a falha em uma cinebiografia é o fato dela suscitar aversão e não interesse na pessoa retratada.
"Dominion" faz exatamente isso. É um filme tão pedante, sem ritmo e sem coesão que me senti com a compulsão de odiar Thomas e não me interessar por sua obra. Não sei se sua arte era genial ou o quanto ele foi importante para seu país ou para a literatura. O roteiro parece não ter interesse em mostrar isso. A única coisa que sei sobre ele é que era um bêbado, metido e até meio sexista. Falta ao filme um mínimo de cuidado em mostrar o homem através de sua obra, e como um influenciou o outro, ao invés de escancarar todos os seus defeitos mais trágicos e transformá-lo meramente em uma metralhadora de tiradas (quase) engraçadas de gente bêbada.
O que salva esta incursão fracassada de Steven Bernstein (diretor e roteirista) são alguns breves momentos de interação entre o protagonista e os coadjuvantes, em especial os vividos por Rodrigo Santoro e Tony Hale (de "Veep" e "Chuck"). Fora isso, queria mais é que o Dylan Thomas de Rhys Ifans ("Piratas do Rock") se afogasse na sua própria poça de vômito e bosta. Olha os sentimentos que esse filme desperta... Nota: 2/5 (Regular)


15) Amnesia (Amnesia, Suiça, 2015), direção: Barbet Schroeder.
(Foto: Divulgação)
Como dói ver um filme tão bonitinho se embolar na ambição de suas próprias ideias. "Amnesia" começa de uma forma super delicada mostrando o envolvimento de Martha (Marthe Keller, de "Maratona da Morte"), uma senhora que vive sozinha em Ibiza, e Jo (Max Riemelt, de "Sense8"), jovem DJ que passa a ser seu novo vizinho. O roteiro sabe trabalhar bem as duas personalidades e sugerir a aproximação entre os dois sem alarde, com delicadeza e tempo necessário.
Infelizmente, lá para o meio da trama, quando os "segredos" de Martha vão sendo revelados, o filme começa a desabar sobre si mesmo. Os quatro (!) roteiristas abandonam qualquer sutileza e passam a investir em um discurso político que não só soa desesperado, como completamente fora de tom. Se utilizam do estereótipo do estereótipo da percepção estrangeira sobre a Alemanha, ou seja: quando tem personagens alemães necessariamente vai se falar do nazismo. Além disso, o filme atinge o fundo do poço ao investir em um clímax tão patético e mal encenado, que não parece nem pertencer ao mesmo universo do início.
Realmente uma pena, por que como eu disse, tudo levava a crer que seria uma história bonita e humana. Ao invés de uma tentativa de roteiro que poderia muito bem ter sido escrito por meia dúzia de americanos mal informados que acabaram de completar o primeiro período da faculdade de cinema. Nossa, que dia fraco de Festival do Rio. Nota: 2/5 (Regular)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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