Festival do Rio 2016 - Dia 6: 'A Luz Entre Oceanos' e 'Tommaso'

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

12) A Luz Entre Oceanos (The Light Between Oceans, EUA, 2016), direção: Derek Cianfrance.
(Foto: Divulgação)
Se tem um tipo de dor que deve ser impossível imaginar ou descrever é a da perda, principalmente de entes queridos. Sobre ela, essa dor tão profunda, que se dedica este filme "A Luz Entre Oceanos", novo trabalho do diretor Derek Cianfrance (de "Namorados Para Sempre").
Quando um barco com um bebê perdido surge na praia aonde moram, o casal vivido por Michael Fassbender ("X-Men" e "Shame") e Alicia Vikander ("A Garota Dinamarquesa") decide adotá-lo para tapar a ferida da morte dos próprios filhos. Algum tempo depois, descobrem que a mãe da criança (Rachel Weiz, de "O Jardineiro Fiel") ainda está viva e em luto pela sua perda. 
O roteiro, também escrito por Cianfrance, busca a partir daí tentar entender as dores de seus personagens. Seja as da interpretada por Weiz, que vive em luto pela família e na esperança de recuperar a filha, quanto as do casal principal, que após duas perdas sucessivas tenta preservar ao máximo o amor que depositaram na criança adotada. O mérito do roteirista é, justamente, não estabelecer vilões na história e mostrar como cada um lida com o luto de uma forma diferente. Cada personagem passa por uma cota gigante de sofrimento e desapego, o que torna o processo muito tocante. Imagina o que é recuperar uma filha e entender que o amor dela reside em outro. Ou então abrir mão da pessoa que você criou em prol da verdade e dos seus laços familiares. Esse debate de amor e empatia que o filme faz tão bem.
Embora se deixe levar ocasionalmente pelo melodrama e inclua alguns desafios artificias para mover a trama, este "A Luz Entre Oceanos" tem méritos o suficientes para emocionar e até correr atrás de alguns prêmios no início do ano que vem. Nota: 4/5 (Muito Bom)


13) Tommaso (Tommaso, Itália, 2016), direção: Kim Rossi Stuart.
(Foto: Divulgação)
Tommaso é um sujeito que se apaixona muito rápido ao mesmo tempo que tem dificuldades em criar laços. Ou seja, a fórmula para uma pessoa complicada. O filme parece entender isso e consegue extrair humor das situações da vida do personagem. Por exemplo, quando o diretor mostra um plano detalhe dos lábios pulsantes da namorada do protagonista, detalhe que minutos antes o mesmo havia confessado ao psiquiatra que tanto o incomodava. 
O bom humor e o simpático ator Kim Rossi Stuart vão carregando relativamente bem o filme, mesmo quando eventualmente lhe falta conteúdo. O problema começa quando a sutileza dá lugar ao exagero, e a comédia de cotidiano passa a ganhar ares surreais. Neste ponto, o filme enfraquece e nos faz quase desistir de torcer pelo divertido Tommaso. O final, por mais bonitinho que seja, peca também pela absurdo. Não dá para uma história tão canastrona terminar com coincidências de contos de fadas. Nota: 3/5 (Bom)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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