Festival do Rio 2016 - Dia 5: 'Kékszakállú' e 'Aqui não aconteceu nada'

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

10) Kékszakállú (Kékszakállú, Argentina, 2016), direção: Gastón Solnicki.
(Foto: Divulgação)
Dia fraco hoje no Festival do Rio, infelizmente! A começar por este longa argentino que é a prova perfeita de como uma boa ideia não necessariamente resulta em um bom filme. 
Conceitualmente é interessante: mostra passagens nas vidas de várias mulheres, usando o crescimento humano e a recessão argentina como panos de fundo. Já na prática, o resulto é um desastre. Sem a menor coesão ou disciplina para interligar as histórias, nem que fosse tematicamente, o filme se torna uma chatice interminável, sem o menor sentido ou lógica. Apresenta personagens novos do nada, esquece outros pelo meio do caminho, se perde em longos planos que nada acrescentam a narrativa e, por fim, não sabe aonde quer chegar.
A curiosidade? O filme não tem roteiristas creditados. Sério, sem brincadeira. Talvez isso explique a bagunça que conseguiram fazer com uma ideia tão bacana. Nota: 2/5 (Regular)


11) Aqui não aconteceu nada (Aquí No Ha Pasado Nada, Chile, 2015), direção: Alejandro Fernández Almendras 
(Foto: Divulgação)
"Aqui não aconteceu nada" é uma edição light daqueles thrillers adolescentes tipo "Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado". Nesta versão chilena, sai o lado horror do clássico-teen americano e entra um drama criminal quase envolvente. 
Enquanto se concentra na interação entre os jovens inconsequentes, o filme funciona muito bem. As festas, bebidas, drogas, delitos e diálogos tolos são todos encenados com naturalidade e vão contribuindo com o clima de tensão que paira no ar. Pena que ao acontecer o "acidente" que dá o ponto de virada no roteiro, o projeto não consiga engrenar em quase nenhum momento. Sem saber aproveitar ou se quer construir o subgênero de drama de tribunal, o diretor e roteirista Alejandro Almendras se concentra no dia a dia do protagonista, enquanto passeia, sai com uma namoradinha e tenta achar os amigos. Quando finalmente chegamos na cena de julgamento, ela é tratada mais como epílogo do que como clímax, o que enfraquece demais a experiência como um todo.
Felizmente, em um ou outro momento, quando se vai formando a conspiração que quer incriminar o protagonista, o filme consegue prender um pouco a nossa atenção, em especial quando as figuras dos advogados aparecem em cena. Mas certamente ficou muito longe do que o subgênero de tribunal pode oferecer. Nota: 3/5 (Bom).

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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