Festival do Rio 2016 - Dia 4: 'Koblic', com Ricardo Darín, e 'O Túnel'

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

8) Koblic (Koblic, Argentina, 2016), direção: Sebastián Borensztein.
(Foto: Divulgação)
Tenho uma teoria que quando qualquer obra de audiovisual tem Ricardo Darín, ela já ganha um ponto de vantagem. Darín é um destes atores que são magnéticos, consegue atrair nossa atenção até nos projetos mais bobos ou equivocados. Infelizmente, este "Koblic" é um pouco assim.
Não que seja um filme ruim, mas com certeza é muito abaixo do que estamos acostumados a ver na carreira do ator. O roteiro comete algumas falhas e atalhos graves, que prejudicam muito o resultado final, como por exemplo o relacionamento amoroso entre Darín e a personagem de Inma Cuesta. Na cena seguinte em que os personagens se conhecem, os dois já começam a se relacionar, sem nem mostrar o devido envolvimento entre os dois e nos fazer entender por que a moça é tão importante para o protagonista. Ao mesmo tempo, o fator histórico do filme (passado durante a brutal ditadura argentina) é uma mera desculpa para a história começar, uma vez que poderia ser substituída por qualquer outro recurso sem prejudicar o restante da trama. 
Felizmente para "Koblic", Darín é Darín. O ator consegue trazer humanidade e intensidade os suficientes para comprarmos a briga de seu personagem, mesmo que o fraco texto constantemente tente sabotá-lo. Nota: 3/5 (Bom)


9) O Túnel (Teo-neol, Coréia do Sul, 2016), direção: Kim Seong-hun.
(Foto: Divulgação)
Preciso confessar uma coisa: sou fã de filmes coreanos. Dito isto, este aqui traz uma combinação que ainda não tinha visto na filmografia do país: o gênero de disaster movie, misturado com o subgênero de filme de resgate. A história envolve um executivo da Kia Motors (Ha Jung-woo, de "Time") que fica preso em seu carro após o túnel que passava desabar em sua cabeça. 
O filme é extremamente envolvente, em grande parte pela decupagem segura do diretor Kim Seong-hun que consegue encenar bem tanto os momentos de ação que envolvem o desastre, como os mais claustrofóbicos e humanos depois que o protagonista Jung-Soo é soterrado. O elenco também ajuda com boa performance coletiva, com destaque para a esposa vivida por Doona Bae (dos ótimos "Sense8" e "Mr. Vingança").
O problema começa quando surgem alguns recursos de roteiro adotados para talvez tentar dar algum dinamismo ao ambiente fechado e limitado que Jung-Soo se encontra. A situação que inicialmente julgávamos ser de um jeito, pelo que o filme já havia mostrado, com o tempo vemos que não era bem assim. Primeiro ele estava preso no carro sozinho, dias depois aparece um cachorro, logo ele percebe que dá para sair do carro, então encontra uma nova sobrevivente, ai descobre uma fonte de água, de repente surge uma área que dá para ele ficar em pé tranquilamente e por fim a buzina do veículo estava funcionando aquele tempo todo. Enfim, o roteiro parece que vai inserindo elementos arbitrariamente quando acha que o público vai perder o interesse. Além disso, se alonga desnecessariamente incluindo diversas cenas dispensáveis (algumas até de alívio cômico, totalmente fora do tom), e, para piorar, é ilustrado por uma trilha sonora pavorosa que faz questão de comentar cada segundo do filme.
Mas no final das contas, o projeto até alcança resultados interessantes, principalmente ao envolver o público na torcida pelos seus personagens. Ao mesmo tempo, que consegue comentar (mesmo que sutilmente) os efeitos de uma imprensa irresponsável e o jogo de aparências do governo coreano, que se preocupa com seu cidadão em risco só enquanto ele não representa um prejuízo de dinheiro ou popularidade. Pena que para isso abra mão eventualmente da coerência no roteiro. Nota: 3/5 (Bom).

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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