Festival do Rio 2016 - Dia 3: 'Vermelho Russo', 'Eu, Daniel Blake' e mais

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)



5) Vermelho Russo (Vermelho Russo, Brasil, 2016), direção: Charly Braun.
(Foto: Divulgação)
As vezes a vida imita a arte e outras vezes a arte imita a vida. E há alguns poucos casos, como o de "Vermelho Russo", em que arte e vida se inspiram, imitam e retroalimentam continuamente. 
Inspirado na experiência real das atrizes (que foram em 2009 para Rússia estudar o método Stanislavski), este fantástico filme mistura realidade e ficção numa história sobre amizade e superação artística. O roteiro constrói bem cada momento, costurando cenas de descontração (engraçadíssimas por sinal), brigas, ensaios e até passeios pelas paisagens de Moscou. A naturalidade da dupla central, Maria Manoella e Martha Nowill, é também um dos principais atrativos, deixando claro o carinho e comprometimento que uma tem com a outra. Em paralelo o filme encontra espaço para pequenas subtramas, como a do diretor e da recepcionista do hotel, que embora não sejam relevantes para o arco das protagonistas, acrescentam imensamente do ponto de vista temático e até humano. 
"Vermelho Russo", em resumo, é um filme criativo, com linguagem dinâmica e contemporânea, e sobretudo delicioso de se ver. Nota: 5/5 (Excelente)


6) Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake, Reino Unido, 2016), direção: Ken Loach.
(Foto: Divulgação)
Vocês não fazem ideia a porrada que é "Eu, Daniel Blake", novo filme do mestre Ken Loach. Para começar, é de se admirar a habilidade do roteiro em estabelecer o coração do protagonista Dan (Dave Johns), um senhor bondoso, porém com problemas de saúde, que precisa vencer uma série de burocracias absurdas de um estado ausente e irresponsável, apenas para conseguir os seus direitos de cidadão. A identificação que criamos com Dan é praticamente instantânea, fazendo com que o decorrer e desfecho do filme sejam tão devastadores. 
Mas ao mesmo tempo, Ken Loach mostra uma verdadeira lição de empatia e humanidade. Embora deva reconhecer que, fora da esfera governamental, o filme mostre uma confiança e otimismo quase utópicos em nós enquanto raça, não deixa de ser reconfortante imaginar que aquilo pode ser possível e até o normal nas nossas relações humanas (e em certas instâncias eu creio que seja...).
Que "Eu, Daniel Blake" possa ser visto, revisto e estudado, para quem sabe se passar adiante um pouco desta mensagem de amor, empatia e humanidade, que Dan lutou tanto para transmitir sem nunca pedir nada em troca. Nota: 5/5 (Excelente)


7) O Monstro no Armário (Closet Monster, Canadá, 2015), direção: Stephen Dunn.
(Foto: Divulgação)

Falta a "O Monstro do Armário" um pouco de foco e clareza. A trama segue a vida de um garoto que está passando pela descoberta de sua sexualidade e ao mesmo tempo tem que lidar com a aceitação do pai. Embora este tema não prime pelo ineditismo, com uma história bem contada, poderia até atingir seu objetivo. Mas infelizmente isso não acontece. O diretor estreante Stephen Dunn carrega demais em elementos fantasiosos e sequências de delírios, sem efetivamente conseguir contribuir para a narrativa. Ao mesmo tempo não consegue evitar a inclusão de momentos que parecem feitos unicamente para percebermos que o filme tem um diretor, como na sequência em slow motion que soa gratuita e sem o menor sentido.
Além disso, o roteiro se auto sabota ao tentar vender uma relação complicada entre pai e filho, uma vez que vemos claramente que apesar dos defeitos (graves, sem dúvidas) do pai eles tiveram sim muitos momentos felizes. A falta de clareza no discurso, acaba então prejudicando o filme e, por consequência, a nossa percepção do mesmo.
Confesso que no final fiquei um tanto confuso em relação ao que penso do projeto, por que, sendo justo, "O Monstro do Armário" tem sim muitas virtudes. Uma pena que numa breve reflexão pós sessão, deixe claro seus diversos problemas e sua mania de sabotar a si mesmo. Nota: 3/5 (Bom)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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