Festival do Rio 2016 - Dia 1: 'Certas Mulheres' e 'O Filho de Joseph'

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

Começamos hoje a cobertura do Festival do Rio 2016, trazendo diariamente críticas ou breve comentários sobre alguns dos filmes das principais mostras. Espero que gostem!

1) Certas Mulheres (Certain Women, EUA, 2016), direção: Kelly Reichardt.
(Foto: Divulgação)
"Certas Mulheres", da diretora Kelly Reichardt, é o tipo de projeto que termina deixando aquela sensação de oportunidade desperdiçada. Acompanhamos três histórias diferentes, numa espécie de filme antologia. Cada uma mostra o cotidiano de três mulheres diferentes, tendo como único ponto em comum a região onde vivem. Sim, o filme tenta em certo momento conectar as histórias mas não convence, soando tolo e artificial. As "conexões" são tão dispensáveis que se não existissem em nada afetariam a trama ou os arcos das personagens. 
O grande problema não é nem esse, e sim a falta de propósito de cada história. Temos ali boas personagens, inícios de conflitos interessantes e quatro excelente atrizes. Mas nada parece dar liga. A própria estrutura do roteiro, em que cada trama é contada em quase sua totalidade antes de passar para a próxima, faz com que o espectador comece a perder o interesse no que já assistiu. No final da 3º história, depois de quase 1 hora sem ver as personagens que começaram o filme, soa intrusivo e pouco orgânico quando elas reaparecem. Ou seja, perdemos o interesse. E isso é um problema grave.
A salvação para o roteiro da própria Kelly Reichardt é que suas intérpretes, mesmo com o pouco material que possuem para trabalhar, conseguem prender nossa atenção. E o pouco sucesso que "Certas Mulheres" atinge, não tenham dúvidas que deve ser creditado a Laura Dern, Michelle Williams, Lily Gladstone e Kristen Stewart. Nota: 3/5 (Bom)



2) O Filho de Joseph (Le Fils de Joseph, França, 2016), direção: Eugène Green.
(Foto: Divulgação)
Não dá para entender como um filme produzido pelos irmãos Dardenne (do excelente "Dois Dias, Uma Noite"), com o ótimo Mathieu Amalric ("O Escafandro e a Borboleta", "007 - Quantum of Solace"), pode ser tão equivocado. E muito menos compreender como foi parar na mostra principal do Festival do Rio. 
Equívoco que se encontra em praticamente tudo: no roteiro (cheio de sequências longuíssimas e desnecessárias), na encenação caricata ao extremo e até nas alegorias religiosas. A direção é estranha, sem vida e quando eventualmente encontra planos interessantes, a movimentação da câmera e os cortes são quase sempre feios e chamativos (no pior sentido da palavra). Em certo momento achei que era eu, que talvez não consegui embarcar na proposta de estranhamento do filme. 
Mas depois de quase duas horas, em que o humor não funciona, o drama não funciona, e as únicas risadas que escapam são por causa de um personagem que é completamente dispensável na trama, acabei chegando na irrefutável conclusão: acho que vi a minha primeira bomba no Festival do Rio 2016. Nota: 1/5 (Ruim)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com
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