Musical ‘Garota de Ipanema’ resgata bossa nova com maestria

Por Rodrigo Vianna


"Garota de Ipanema" no palco do Teatro Riachuelo (Foto: Divulgação)

Em tempo de Olimpíada, Tom e Vinícius não são apenas os nomes dos mascotes do Rio. No teatro, Tom Jobim e Vinícius de Moraes ganham uma grande (e merecida) homenagem com o musical “Garota de Ipanema, o amor é bossa”, da Aventura Entretenimento. A montagem inaugura o mais novo espaço cultural do Rio de Janeiro, o Teatro Riachuelo, na Cinelândia. O Contracenarte teve o prazer de conferir de perto esse novo empreendimento, e acompanhar em primeira mão o musical. Para os amantes da boa música, “Garota de Ipanema” traz de volta a bossa nova, em clima de nostalgia.

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Com direção de Gustavo Gasparani e texto de Thelma Guedes, o espetáculo conta uma história de amor nos anos 60 entre uma menina do subúrbio que sonha em ser cantora e conhecer os seus ídolos da Bossa Nova (‘Dindi’, Letícia Persiles) e um rapaz da Zona Sul que é arquiteto e músico boêmio (‘Zeca’, Thiago Fragoso). A trama é entrelaçada por clássicos como “Corcovado”, “Minha Namorada”, “Samba de Avião” e muitos outros.

(Foto: Divulgação)

A produção tem ainda supervisão musical de Roberto Menescal, direção musical de Delia Fischer e figurino de Marília Carneiro e Reinaldo Elias. O elenco também conta com os atores Claudio Lins, Stephanie Serrat, Luciana Bollina, Claudio Galvan e mais 16 atores-cantores-bailarinos que dão vida aos demais personagens da peça. O destaque fica para a jovem atriz Stephanie Serrat, que surpreendeu no papel de “Amélia”, mostrando não só talento já comprovado para o teatro, mas também para a música. Foi impossível piscar os olhos durante a cena da prisão. Emocionante.

Uma estreante em musicais
Não posso deixar de citar a bela atuação da atriz Letícia Persiles, que representou bem o papel de “Dindi”, e nos envolveu numa linda e emocionante história de amor. Ex-vocalista da banda Manacá, ela seguiu carreira solo antes de emendar um papel atrás do outro na TV. Emprestou seus olhos de ressaca para viver a protagonista de “Capitu”, série baseada em Dom Casmurro, de Machado de Assis, e, no ano passado, cantou suas próprias músicas ao interpretar Anita, em “Além do tempo”. Estreante em musicais, Letícia mostrou segurança e verdade no papel de protagonista do musical.

(Foto: Divulgação)

Thiago Fragoso provou, mais uma vez, que além de ator, também é um ótimo cantor. A música não é algo desconhecido dele, afinal, numa família de cantores, não poderia ser diferente. No papel de Zeca, um jovem músico, apaixonado pela Bossa Nova, e que vive às voltas com seu casamento, ele soube dosar o seu personagem, sem parecer caricato. No entanto, em relação a dança, bom, essa ele precisa treinar um pouquinho mais (não que isso interferisse no sucesso do seu personagem, mas estamos falando de musical, certo?).

O cenário um pouco confuso e o ritmo lento do espetáculo são os únicos pontos fracos. Assinada por Helio Eichbauer, a cenografia é simples, e traz elementos que traduzem a bossa nova, como o tom azul, gaivotas e um barco a vela. No entanto, a difícil identificação deixou muitos sem entender o seu real significado. Falando sobre ritmo do musical, em certos momentos, a história ficou arrastada e lenta. Pude perceber algumas pessoas fechando os olhos várias vezes, e não era para cantar as belas músicas. Esse ritmo não prevalece durante todo o espetáculo, mas vale ressaltar quando falamos de um espetáculo de mais de duas horas de duração.  

Teatro novinho em folha
A montagem inaugura o Teatro Riachuelo Rio, novo centro de arte e cultura do Rio de Janeiro, que será devolvido à cidade após dois anos de intenso trabalho de restauração e intervenções modernas. No mesmo prédio, tombado pelo patrimônio histórico, funcionou o antigo Cine Palácio. Localizado na Cinelândia, berço das atividades culturais da cidade, o Teatro Riachuelo Rio é um dos pilares da revitalização da região, junto com o Porto Maravilha e todo o centro histórico da cidade.

Com o fim das atividades como cinema em 2008, o local foi comprado pelo Banco Opportunity e a iniciativa da reformulação é da Aventura Teatros, braço da Aventura Entretenimento, que tem como sócios Aniela Jordan, Fernando Campos e Luiz Calainho. Para tornar o local um espaço totalmente novo, reconstruído e reformulado, a produtora conta com a Riachuelo, que dá o novo nome ao local.

Serviço

Teatro Riachuelo Rio – Rua do Passeio, 38/40 – Cinelândia
Dias e horários: 5ª, 6ª e Sáb - 20h / Dom - 18h
Preços: 5ªs e 6ªs: R$50 a R$110
Sábados e domingos: R$50 a R$140
Classificação etária: Livre
Até 27 de novembro
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