Contracenarte já viu! ‘Procurando Dory’ diverte sem inovar

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

Nota: 3/5 (Bom)

Cena de "Procurando Dory" (Foto: Reprodução)

Há alguns anos atrás o nome Pixar era sempre sinal de qualidade. Até 2010, a produtora esbanjava um currículo realmente impecável. Daqueles de dar inveja aos mais experientes e conceituados cineastas. Pena que após "Toy Story 3", a produtora tenha emplacado uma série tão fraca de produções como "Carros 2", "Valente", "Universidade Monstros" e, principalmente, o péssimo "O Bom Dinossauro". Sendo "Divertida Mente" o único filme Pixar a realmente se destacar nos últimos seis anos (veja nossa crítica)

"Procurando Dory" estreia trazendo a carga e responsabilidade de continuar a história do filme anterior, uma pequena obra prima amada por tanta gente, assim como dar sequência ao legado desta empresa tão especial. E a triste verdade é que o produto final fica no meio do caminho, sem chegar a lugar nenhum. Embora seja divertido, com algumas ótimas piadas e passagens, em nenhum momento se aproxima do que era feito nos tempos áureos da produtora e nem sequer inova muito.

(Foto: Reprodução)

Usando desta vez a Dory como protagonista, a continuação investe em uma jornada de busca familiar, tanto dos parentes reais da personagem, como do reconhecimento de Marlin e Nemo como sua família por adoção. Mas a verdade é que o roteiro (de Andrew Stanton, que também dirige, e Victoria Strouse) jamais consegue sair do sentimentalismo genérico, tentando emocionar através de situações óbvias e recursos baratos, coisas que a Pixar jamais precisou recorrer. Se em produções passadas, conseguiram a proeza de retratar pertencimento através de uma família de super-heróis ou depressão usando bolinhas coloridas, neste filme os roteiristas se limitam a discussões super simples como família e amor, sempre das formas mais superficiais possíveis.

Felizmente, o projeto conta com ótimas piadas e extremo bom humor, o que o salva do completo esquecimento. Stanton encontrou uma mistura muito boa entre o nonsense, como na cena dos leões-marinhos que fazem bullying com um amigo, e o sutil, nas partes que envolvem o esquecimento da Dory. Ao mesmo tempo, o diretor é hábil ao mostrar os ambientes digitais belíssimos desenvolvidos pelos artistas da Pixar e criar enquadramentos inventivos que se utilizam ao máximo da técnica da animação e das próprias particularidades dos personagens (que são peixes, afinal de contas).

(Foto: Reprodução)

Ao chegar nos créditos, a sensação é certamente de alegria. O filme diverte, arranca risadas e provavelmente vai agradar os pequenos. Em alguns momentos, meio perdidos, meio sem querer talvez, até encontramos aqueles espasmos de genialidade e delicadeza que a produtora nos acostumou, o que por si só já vale a pena. Mas sem dúvidas, falta a "Procurando Dory" aquele "fator Pixar" presente em "Wall-E", "Toy Story" e outras obras. Aquela fórmula maluca que manipulava nossas emoções e nos fazia sentir amor, tristeza, felicidade e melancolia, tudo junto em um só sentimento, como só a Pixar sabia fazer. E como falta. Aliás, como faz falta.

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

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