‘Wicked’ impressiona e credencia Brasil entre os gigantes dos musicais

Por Rodrigo Vianna

Myra Ruiz (Elphaba) e Fabi Bang (Glinda) em "Wicked" (Foto: Marcos Mesquita/Divulgação)

Quando você pensa que já viu de tudo em musicais, eis que surge “Wicked”. Não é exagero nenhum dizer que esse é, de longe, um dos maiores espetáculos (re) produzido no Brasil. Ok, sou fã incondicional da obra do norte americano Gregory Maguire, admito, e menos de um ano após conferir a versão original, na Broadway, em Nova Iorque (EUA), estou eu de novo de frente para Elphaba e Glinda, dessa vez em português. Com ares de superprodução e efeitos especiais, o musical chega ao Brasil nas mãos da Time For Fun, que mais uma vez surpreendeu. “Wicked – O Musical” é um orgasmo para os fãs da fantasia e abusa do extraordinário.

Visto por mais de 48 milhões de pessoas no mundo e com um faturamento superior a US$3.9 bilhões, “Wicked” tem atualmente cinco produções ao redor do planeta (Nova York, Londres, Austrália, uma turnê no Reino Unido e uma turnê nos EUA). No Brasil, o musical conta com um elenco de altíssima qualidade como Myra Ruiz (Elphaba), Fabi Bang (Glinda), Sérgio Rufino (Mágico de Oz), Adriana Quadros (Madame Morrible), Jonatas Faro e André Loddi (Fiyero), Giovanna Moreira (Nessarose), Bruno Fraga (Boq) e César Mello (Doutor Dillamond).

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É um clássico que atravessa gerações. Um poderoso ciclone leva pelos ares uma casa com uma garota e seu cãozinho até um desconhecido, porém encantado lugar. Desse momento em diante, acontecimentos e personagens fantásticos ajudam a narrar a odisseia da menina Dorothy em busca do poderoso Mágico de Oz. Mas... e se essa aventura conhecida em todo o mundo guardar segredos ainda não contados? E se existir uma história por trás dessa história? São essas interrogações e suas respostas surpreendentes que costuram o enredo extraordinário de Wicked.

Muito antes de Dorothy chegar, duas outras garotas se conheceram na Terra de Oz. Elphaba, nascida com a pele cor verde-esmeralda, é esperta, ardente e incompreendida. Glinda é belíssima, ambiciosa e muito popular. Essa megaprodução, que faz rir e chorar, traz à tona os segredos que levam Elphaba a se tornar uma bruxa “má” e Glinda a ganhar a simpatia dos habitantes da Cidade das Esmeraldas. “Wicked”, por meio de números e performances surpreendentes, mostra que toda história tem diversos pontos de vista e que ser diferente faz de você alguém único e extraordinário.

(Foto: Marcos Mesquita/Divulgação)

A superprodução estreou nos palcos em 2003 e conta com efeitos especiais de tirar o fôlego, figurinos e cenários deslumbrantes. Wicked traz músicas e letras originais de Stephen Schwartz (Pippin, Godspell e ganhador do Oscar por Pocahontas e Príncipe do Egito), libreto de Winnie Holzman (My So Called Life, Once And Again e Thirtysomething). 

A consagração das protagonistas
Temos no palco duas grandes atrizes nos papéis principais: Myra Ruiz (Elphaba) e Fabi Bang (Glinda). A primeira dispensa qualquer tipo de comentário, aliás, confesso que fiquei sem palavras durante toda a sua atuação, principalmente no encerramento do primeiro ao interpretar o clássico “Defying Gravity”. Foi de tirar o fôlego e calar todo o teatro. Myra deu o tom certo à bruxinha verde, e segurou as pontas do início ao fim. Sim, é mais uma grande atriz que se releva sobre os palcos, e entra para o hall da fama dos grandes musicais. Ela conseguiu trazer a delicadeza e inocência em dose certa à personagem. Difícil sair do teatro sem amar Elphaba. 

Outra que ganhou grande destaque foi Fabi Bang, com a sua cômica e popular Galinda, ou Glinda. Para alguns, Fabi fez lembrar uma outra personagem sua nos palcos, Lois Lane/Bianca, de “Kiss me, Kate”. No entanto, ela seguiu à risca a identidade da personagem, e arrancou risadas da plateia. “Wicked” segue à risca à produção original. Cenários, figurinos, arranjos musicais, enredo e coreografias. Tudo segue como manda o roteiro original, mudando apenas, a língua, claro. Fabi assumiu o desafio de dar vida a mais um papel caricato. Isso ela consegue fazer com louvor.

(Foto: Marcos Mesquita/Divulgação)

Obviamente, as duas não são a única qualidade desse grandioso espetáculo. Sérgio Ruffino (Mágico de Oz) e Adriana Quadros (Madame Morrible) transformam o lendário mágico no grande vilão da história. Sim, porque não? Afinal, estamos falando de uma outra história, e não sobre a saga de Dorothy e sua turma. É a partir de “Wicked” que as peças se encaixam, e você passa a entender a origem de alguns personagens, como o Espantalho e o Homem de Lata. Viajar, imaginar e sentir a magia de Oz. Esses são os principais ingredientes de sucesso desse musical.

Produção que impressiona
Tudo em “Wicked” é grande, impressionante. Não é exagero. A Time For Fun conseguiu mais uma vez manter a qualidade dos grandes musicais da Broadway, e me arrisco a dizer que a versão nacional está além disso. A começar pelo palco. Assim que o público entra no teatro já se depara com uma grande estrutura no palco e um enorme dragão, que guarda surpresas ao longo do espetáculo. É só o tecido subir para revelar o famoso relógio e a magia começa. Você é transportado para um mundo completamente novo, e não precisa de um ciclone para isso.

Sob o comando da maestrina Vânia Pajares, que também assina a direção musical, a orquestra é um espetáculo à parte, e impressiona com arranjos e sonoridade inigualáveis. Feita por Mariana Elisabetsky e Victor Mühlethaler, a tradução das canções mantém o mesmo frescor e ironia das letras originais. De fácil leitura, as músicas nos ajudam a entender o espetáculo, e emocionam.

(Foto: Marcos Mesquita/Divulgação)

A versão brasileira segue os mesmos padrões internacionais e coloca o Brasil entre os maiores produtores de musicais do mundo. Difícil encontrar algum defeito, talvez uma falha de interpretação aqui ou ali, mas nada que ofuscasse o espetáculo. Grandioso e espetacular. “Wicked” é a prova de que é possível fazer arte de qualidade em tempos de crise. O musical, em cartaz no Teatro Renault, em São Paulo, dificilmente vai passear por outras cidades. Fica aqui, o meu desejo para que todos possam ter a oportunidade de, assim como eu, poder viver mais esse momento, que sem dúvida ficará marcado na história dos musicais brasileiros.
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