‘Gabriela’, de Jorge Amado, vira musical nas mãos de João Falcão

Daniela Blois e Danilo Dal Farra durante os ensaios de "Gabriela Um Musical" (Foto: Divulgação) 

Uma das principais obras do escritor baiano, Jorge Amado, acaba de ganhar uma versão musical. Criada pelo diretor João Falcão, “Gabriela, um musical” estreia dia 9 de junho, no Teatro Cetip, em São Paulo. Saída das páginas do clássico romance escrito por Jorge Amado em 1958, ela ganhou as telas – em um filme e três novelas –, se transformou em ícone de brasilidade e alcançou imenso sucesso popular por diversas gerações. 

Também responsável pelo roteiro musical, João selecionou canções brasileiras de diferentes estilos e épocas, incluindo composições de Dorival Caymmi, Tom Jobim, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Martinho da Vila, Lulu Santos, Gonzaguinha, Arnaldo Antunes e Marisa Monte. O espetáculo conta com 21 atores, que contarão o caso de amor entre Gabriela e Nacib, cujo pano de fundo é a série de transformações culturais, políticas e econômicas que a Bahia dos anos 1920 sofria.

Escolhida entre mais de 700 candidatas, a cantora paraense Daniela Blois terá o desafio de interpretar o papel-título, eternizado por Sonia Braga no cinema. ‘Gabriela, Um Musical’ conta com a direção musical de Tó Brandileone e realização da Caradiboi, da produtora Almali Zraik.

(Foto: Divulgação) 

A origem, o processo e a cena
João Falcão se debruçou sobre ‘Gabriela, Cravo e Canela’ há oito anos, quando começou a maturar a ideia de transformar o romance em musical. No período, ele esteve em uma série de projetos para a TV e assinou espetáculos de sucesso, como ‘Clandestinos’ (2009), ‘Gonzagão – A Lenda’ (2012) e uma nova versão para ‘Ópera do Malandro’ (2014), de Chico Buarque. Quando chegou a hora de ‘Gabriela’ ser montada, ele retomou um método que remete a trabalhos mais antigos, como no consagrado ‘A Máquina’ (2000), que revelou para o grande público nomes como Lázaro Ramos, Vladimir Brichta e Wagner Moura.

Com o elenco do musical escolhido, João deu início a um período de ensaios marcado pela experimentação e também pela colaboração dos atores no processo criativo. Somente Daniela Blois sabia que a sua personagem seria Gabriela, mas todo o elenco foi descobrindo – junto com o diretor – as suas funções durante a preparação. ‘Gosto de observar o que o ator tem a oferecer para cada personagem. O ator acaba escolhendo o personagem’, conta o diretor, que teve o desafio de lidar com uma história extremamente conhecida de todo o público.

‘É algo que todo mundo já conhece. O desafio é justamente mostrar novos significados e novas ideias em torno da história. O romance tem um ponto fundamental, que é mostrar as transformações políticas e culturais da época através de uma história de amor e de uma personagem feminina. Gabriela é uma retirante, uma marginal, encontrada no mercado de escravos, e faz a diferença no contexto daquela época em Ilheus’, explica João.

(Foto: Divulgação) 

Ao contrário das versões para TV e o cinema, a versão teatral se distancia de uma abordagem mais naturalista. Desta vez, uma cenografia abstrata faz uso de muitas armações de metal e também de esteiras rolantes, elementos que já se tornaram marcas do teatro de João Falcão. Ao abrir mão de um cenário realista, o diretor procura sublinhar a teatralidade das cenas e também deixar aparecer o texto, adaptado por ele nos últimos cinco meses e lapidado no período de ensaios.

Em cena, a banda composta por cinco músicos aparece durante todo o tempo. Responsável pela direção musical, o músico Tó Brandileone traduz para os arranjos toda a mistura cultural abordada no romance de Jorge Amado.

Integrante do projeto ‘5 a seco’, Tó é um jovem músico paulistano que já se apresentou com importantes nomes da música brasileira, como Ivan Lins, Lenine, Chico César e Maria Gadú. Com dois discos lançados, ele costuma brincar com referências bem diversas em sua criação. ‘O encontro com o Tó foi muito feliz, pois ele e os músicos participaram de todo o processo, estavam disponíveis para criar e experimentar nos ensaios’, conta João.

Desta maneira, as quase trinta canções se inseriram de forma orgânica à dramaturgia. ‘Algumas parecem ter sido compostas para o musical, tamanho o grau de integração com o que acontece em cena’, revela o diretor, que procurou fazer do repertório um verdadeiro caldeirão de ritmos brasileiros. Assim, ficam lado a lado canções clássicas de Dorival Caymmi (‘Vatapá’), Milton Nascimento (‘Cais’) e Martinho da Vila (‘Disritmia’), com pérolas pop de Arnaldo Antunes (‘Volte Para o Seu Lar’) e Marisa Monte (‘Vilarejo’).

Mito brasileiro, fenômeno universal
Escrito em 1958, ‘Gabriela, Cravo e Canela’ representou um marco na produção literária de Jorge Amado (1912 – 2001) e lhe rendeu os prêmios Jabuti e Machado de Assis. O livro se tornou célebre por inaugurar uma nova fase na obra de Jorge Amado, em que ganham destaque as personagens femininas. ‘Gabriela é um personagem transformador, agente de seu próprio desejo, o que pode ter lhe rendido toda esta aura sensual que envolve a personagem e a obra’, reflete João Falcão.

Após o sucesso editorial, Jorge Amado foi eleito, em 1961, para a Academia Brasileira de Letras. Neste mesmo ano, a obra deu origem a uma novela exibida na TV Tupi e anos depois, em 1975, seria a vez da TV Globo exibir a sua versão, que consagrou Sonia Braga como a sensual protagonista. Ela também viveria a mesma personagem no cinema, em um longa dirigido por Bruno Barreto em 1983, com Marcello Mastroianni no papel do sírio Nacib. O sucesso internacional da trama fez com que ‘Gabriela, Cravo e Canela’ se tornasse o livro mais traduzido do autor, com versões em mais de trinta idiomas. 

Ficha Técnica:

“Gabriela, um musical”

Adaptação e Direção: João Falcão
Direção Musical: Tó Brandileone
Produção Geral: Almali Zraik
Com Almério, Bruce de Araujo, Bruno Quixotte, Daniela Blois, Danilo Dal Farra, Eliane Carmo, Frederico Demarca, Guilherme Borges, Ingrid Gaigher, Isadora Melo, Juliana Linhares, Leo Bahia, Luciano Andrey, Luísa Vianna, Mauricio Tizumba, Marcel Octavio, Natasha Jascalevich, Rafael Lorga, Tamirys O'hanna, Thomás Aquino e Vinicius Teixeira.
Músicos: Antonio Loureiro, Danilo Penteado, Edson Santanna, Maria Beraldo Bastos e Rafa Barreto
Colaboração na Adaptação de texto: Adriana Falcão
Arranjos Vocais: Tó Brandileone e Guilherme Borges
Diretora de Arte e Figurinos: Simone Mina
Cenografia: Simone Mina e João Falcão
Coreografia e Preparação Corporal: Lu Brites
Visagismo: Simone Momo e Roger Ferrari
Design de Som: Tocko Michelazzo
Design de Luz: Cesar de Ramires
Diretor Técnico: Rinaldo Marx
Coordenadora de Produção: Martha Lozano
Diretor Assistente: Clayton Marques
Diretora Residente: Sabrina Mirabelli
Preparação Vocal: Rafael Barreiros
Assistente de Diretor Musical: Guilherme Borges

Serviço:

“Gabriela, um musical”

Temporada de 9 de junho a 7 de agosto
Local: Teatro Cetip – (Rua dos Coropés, 88 - Pinheiros).
Horários: quintas e sextas, às 21h; sábados, às 17h e 21h; domingos às 18h.
Duração: 2 horas 40 minutos em dois atos (com intervalo de 15min).
Ingressos: de R$ 30 (meia-entrada) a R$ 190.
Classificação Etária: Classificação livre. Menores de 12 anos acompanhados dos pais ou responsáveis legais. 
Capacidade: 627 lugares.
Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Obrigado pela sua opinião!
Contracene, seja o Artista!