Crítica: 'Guerra Civil' chega mais denso; COM spoliers

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Cena de "Capitão América: Guerra Civil" (Foto: Divulgação)

Assistir filmes da Marvel hoje em dia é como revisitar velhos amigos. Ora conhecemos novas ameaças e somos introduzidos a novos personagens, ora revemos rostos já consagrados, mas o fato é que a cada nova aventura nas telonas sentimos uma alegria incontrolável (ou seria alívio?) ao ver nossos heróis em ação. Principalmente nestas histórias de equipe como “Os Vingadores” e este novo “Capitão América: Guerra Civil”.

A trama começa de uma forma muito interessante, acompanhando as consequências da luta em Sokovia de “A Era de Ultron” pro mundo real e seus habitantes não fantásticos. De cara isso já traz uma atmosfera pesada ao filme. Mostrando que mesmo com todos os esforços do mundo, nem sempre os super-heróis vão conseguir salvar todos os inocentes, sendo possível e inevitável baixas civis. Desta forma, o grupo ganha uma dimensão trágica, como soldados condenados a missões que nunca vão conseguir cumprir. Ao reconhecer isso, Capitão América e Homem de Ferro, os dois pilares dos Vingadores, começam a lidar com a situação e tentar redimir suas culpas de formas diferentes, nascendo daí o conflito que dá nome ao filme.

O que torna ainda mais profunda a “guerra” em questão é que jamais somos colocados contra um grupo ou outro. Ambos tem seus argumentos e suas motivações, sem o roteiro colocar em cheque nenhuma delas. Inclusive as do próprio vilão, que diferente da grande maioria dos vilões de histórias de super-heróis, não está ali para conquistar poder ou escravizar a raça humana. Sua motivação é puramente emocional: uma vingança, o que torna o personagem uma figura triste, solitária e fácil de se criar empatia, apesar de seus atos. 

(Foto: Divulgação)

Mas claro que, mesmo sendo o filme com o tom mais pesado da franquia, ainda é uma produção da Marvel. Então os roteiristas se preocupam (e se saem muito bem) em dosar a densidade da situação com momentos de humor, para manter a característica do Universo Cinematográfico do estúdio. E se “Batman Vs Superman” falhou justamente por se levar a sério demais, sem espaço pra respiro e um pouco de irreverência, “Guerra Civil” encontra o equilíbrio perfeito entre o realismo e o mundo colorido dos super-heróis. 

Sobre o elenco, estão todos muito bem, cada um aproveitando a sua cota de tela da melhor forma possível. Destaque, claro, para Chris Evans (Capitão América) e Robert Downey Jr (Homem de Ferro), este último que finalmente sai um pouco do piloto automático que construiu em torno da figura/persona ‘Tony Downey Stark Jr’ e relembra o grande ator que é, em especial no 3º ato do filme. Ao mesmo tempo, vale destacar o trabalho dos diretores Joe e Anthony Russo, que conduzem o filme com maestria, trabalhando com sensibilidade os momentos mais intimistas e com muita energia as sequências de ação. Estas que obviamente não decepcionam e jamais deixam de impressionar, mesmo que as vezes revelem o uso excessivo de computação gráfica. E obvio que seria impossível falar qualquer coisa sobre “Guerra Civil” sem mencionar a ponta tão esperada do Homem-Aranha, enfim de volta ao Marvel Studios. E não quero soar fan-boy sem critério nem nada, mas a participação do personagem é satisfatória e deixa ansiedade para os próximos filmes do cabeça de teia.

Por fim, é muito admirável o desfecho do filme que não só consegue amarrar todas as pontas e fechar os arcos de cada personagem, como também não toma o caminho fácil ao fingir que está tudo terminando bem. Pelo contrário, o longa se encerra de forma até meio melancólica, com os lados ainda divididos e algumas baixas. Mas também com uma pequena ponta de esperança revelada na voz de Steve Rogers, de que quando o mundo precisar novamente, os Vingadores vão voltar a se unir por nós. 

Sobre Eduardo Cabanas - Produtor Cultural, cinéfilo e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: http://player1viajante.wordpress.com
Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Obrigado pela sua opinião!
Contracene, seja o Artista!