Contracenarte já viu! Confira crítica de ‘Alice através do Espelho’

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

Nota: 2/5 (Regular)

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS!

Cena de "Alice através do Espelho" (Foto: Divulgação)

O primeiro Alice estreou numa época boa: Johnny Depp ainda em alta, Tim Burton vindo de dois sucessos de crítica e o 3D vivendo seu apogeu. Além de tudo, era um filme família, com temas universais e trazia de volta uma história clássica apreciadas por tantas gerações. Talvez por conta desses fatores o filme tenha feito tanto sucesso. Foram mais de 1 bilhão de dólares de bilheteria, indo na contramão da crítica especializada, que de uma forma em geral questionou bastante o filme (com razão).

Hoje, seis anos depois, sai Burton, o hype de Depp e, principalmente, o fator novidade. Difícil saber se o público vai continuar interessado por um filme que, embora tenha seu charme, não consegue trazer nada de novo. De diferente, só mesmo o personagem Tempo, vivido por Sacha Baron Cohen numa variação da sua persona habitual, mas que jamais consegue chamar muita atenção ou estabelecer qualquer envolvimento. No mais, tudo permanece igual: vilã igual, sidekicks iguais e motivações das mais genéricas possíveis. Quando a trama aponta para uma discussão nova e contemporânea (envolvendo machismo), rapidamente o próprio filme perde o interesse e foge do assunto sem se aprofundar.

(Foto: Divulgação)

Nem os carismas de Johnny Depp e Mia Wasikowska conseguem empolgar muito, já que ambos parecem no mais absoluto piloto automático, trazendo praticamente as mesmas nuances do filme anterior. Só mesmo Helena Bonham Carter que se destaca um pouco mais, com timing cômico de vilã muito bom, apesar de ganhar um desfecho meio simplório para sua personagem. Aliás, isso que o roteiro de Linda Woolverton parece não compreender. Simplicidade, e até inocência, são bem vindos em uma obra voltada para famílias e público infantil. Mas confundi-las com infantilidade ou tolices é um erro gigante, que não só enfraquece o roteiro, como tira muitas vezes qualquer intensidade dramática das cenas.

Felizmente, assim como no filme de 2010, o projeto acerta no tom e no visual de seu mundo fantástico. O design de produção continua impecável, aqui sim trazendo inovações em alguns ambientes simplesmente espetaculares, como o castelo do Tempo. O figurino (da lendária Colleen Atwood, vencedora de 3 Oscars) também volta a impressionar e contribuir perfeitamente para a personalidade de seus personagens (vejam como Alice surge sempre excêntrica para os padrões da alta sociedade em que vive). Assim como a trilha enérgica de Danny Elfman, que remete ao ótimo tema original e traz outras boas faixas para sair do cinema assoviando.

(Foto: Divulgação)

Como saldo, "Alice Através do Espelho" é um filme que termina muito parecido com o anterior. Um espetáculo de cores, com um mundo encantador e personagens simpáticos, com alguns breves bons momentos (como a divertida cena em que o Chapeleiro faz trocadilhos com o Tempo, aqui sim acertadamente tolo), mas que trava no roteiro fraco, de soluções fáceis, diálogos bobos e desfechos artificiais. Fica a esperança de que se Alice voltar mais uma vez ao país das maravilhas, suas aventuras remetam mais ao encantamento original da animação de Walt Disney de 1951. Como o filme atual diz, as vezes o passado pode nos ensinar muita coisa.

Sobre Eduardo Cabanas - Produtor Cultural, cinéfilo e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

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