Gigante Leo: ‘Pequeno pra quem vê, Gigante pra quem ama’

Por Leonardo Santos

Gigante Leo estrela o filme "Altas Expectativas" (Foto: Arturo Aguilar/Divulgação)

O ator e humorista Leonardo Reis, conhecido como “Gigante Léo”, estará em cartaz no filme "Altas Expectativas". Em sua estreia nas telonas, o ator, que sofre de nanismo, interpreta o protagonista Décio, que é apaixonado por Lena, personagem vivida pela atriz Camila Márdila. O humorista acompanhou todo o projeto para a realização deste longa. 

"Começou a ser gestado logo após o Prêmio Multishow de Humor, onde Pedro Antônio e Álvaro Campos (sócios da Dois Moleques e diretores e roteiristas do Altas Expectativas), resolveram criar uma história inspirada na minha trajetória. Uma história onde o anão fosse o protagonista e não mais o coadjuvante, o palhacinho ou uma simples escada para a comédia. Queria mostrar um personagem que fosse anão, onde a questão do nanismo não fosse a questão central da trama e sim os problemas pessoais do Décio, como: paixão, insegurança, problemas no trabalho, enfim, problemas que qualquer pessoa tem. Sendo assim, desde o começo o Décio foi pensado para que eu fizesse, e graças a Deus, a Globo Filmes e a distribuidora também concordaram" explica. 

Comparado ao seu personagem, o ator acha que ambos não desistem de seus sonhos. Enfrentam a vida e as dificuldades, são românticos, sonhadores e nunca desistirão de seus ideais; bem como nunca aceitam o papel de vítima ou coitadinho. 

Gigante Leo com a atriz Camila Márdila (Foto: Arturo Aguilar/Divulgação)

De acordo com Gigante Léo, o público pode esperar uma linda e emocionante história de amor autêntico e amadurecido entre um casal, que foge de qualquer clichê, ou seja, tanto dos clichês de histórias de amor, que muita das vezes podem parecer irreais e utópicas, quanto os de histórias que tratam os deficientes físicos. Além disso, mostra sentimentos verdadeiros de um encontro entre duas pessoas, longe de qualquer tipo de preconceito ou discriminação: "Certamente essa história só pode ser contada graças ao elenco, sobretudo a grande atriz Camila Márdila", diz o protagonista.  

Dos palcos para os computadores
Carioca da gema, do bairro cujo o bordão "quem é do Méier, não bobéia", Leonardo é formado em Ciência da Computação, com mestrado em Engenharia de Software e atualmente exercer o cargo de Analista de TI do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCMRJ). 

O viés para arte começou aos 9 anos: "Sempre gostei de fazer peças cômicas, mas todas as peças que fiz, nunca era o papel de anão bobinho, estilo bobo da corte, explorando o óbvio. O papel era cômico por si só, como o personagem Mestre Jacques da peça ‘O Avarento’, de Moliére", informa.  

Gigante Leo com o diretor Pedro Antônio (Foto: Arturo Aguilar/Divulgação)

O começo de tudo
Seu nome artístico foi dado por uma amiga, que em uma brincadeira disse que ele era que nem o anúncio de uma marca de carro: "Pequeno pra quem vê, Gigante pra quem ama". A estreia no Stand Up - aquele estilo de humor que é feito com microfone, muita irreverência e boas histórias para fazer a plateia morrer de rir - também foi uma grande brincadeira com o amigo e comediante, Henrique Fedorowicz, que já tinha o visto nos palcos.

Logo, Fedorowicz o convidou para assistir um Stand Up dele: “Após ver a peça fui para o computador, escrevi um texto brincando e enviei para ele dizendo que se quisesse faria uma palhinha como forma de pagamento. Ao ler, ele gostou e disse que faria em uma apresentação do Comédia Carioca, grupo que ele fazia parte. O Henrique me deu várias dicas desse texto e assim surgiu meu primeiro texto de Open Mic do Stand Up", contou. 

Porém, seu passaporte para o mundo da fama foi o "Prêmio Multishow de Humor”, em 2012, onde foi o vencedor. A apresentação como Hulk conquistou os jurados. Leonardo acredita que o seu diferencial foi a diversidade: "Tentei apresentar diversas correntes de humor: escrachado, stand up, paródias musicais, personagem nordestino, humor físico e o clássico humor mudo de Chaplin. O prêmio foi um grande desafio pessoal e profissional, um momento de grande aprendizado", explica.  

Em tempos que o comediante é livre para fazer esquetes sobre qualquer assunto, Gigante Léo acha que qualquer piada pode ser feita, mas tem que ser respeitado o espaço e a plateia para qual estão se dirigindo: "Não gosto de piadas que ridicularizam alguém ou as ditas como ‘humor negro’. Mas creio que elas têm seu espaço também. Só não as faço, não por falta de coragem, apenas por não achá-las engraçadas", revela. 

(Foto: Arturo Aguilar/Divulgação)

Futuro
Sobre os novos projetos, Leonardo diz que já tem algumas propostas de filmes e seriados, alguns deles para o exterior, mas nenhuma confirmada, ainda. O humorista, em breve retornará ao teatro com o solo de humor, "Verticalmente Prejudicado", mas sem data certa para abrir as cortinas. Porém o grande sonho do Gigante Leo, que já fez participações em vídeos do canal Porta dos Fundos, é fazer novela em um papel que também quebre o paradigma de anão escada para comédia ou palhacinho de circo. E segundo ele, humor é tudo. Quem não tem humor, parou de viver.
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