Contracenarte lista 10 filmes que se destacaram nos últimos 4 anos

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)
Produtor Cultural, cinéfilo e autor do blog de viagens Player 1 Viajante


Já imaginou quanto tempo levaria para se reviver os dinossauros? Ou quem sabe viajar para o espaço, juntar os maiores super-heróis da galáxia, salvar o Matt Damon de novo e, até mesmo, quase quebrar um dos principais parques de diversões do mundo? Para o cinema, apenas quatro anos. (Jurassic World, Gravidade, Os Vingadores, Perdido em Marte e Blackfish, estão ai pra provar!) É incrível o que a 7º arte consegue realizar em tão pouco tempo, quantas histórias consegue contar e como tem o poder de nos divertir e emocionar. 

Há quatro anos nascia o Contracenarte e neste período o cinema fez muito por nós. Para um portal sobre as artes, acompanhar esta trajetória tão rica e fascinante da indústria cinematográfica é, não só uma obrigação, como um prazer absoluto. Então, para relembrar um pouquinho de tudo que aconteceu nas telonas nestes últimos e prósperos quatro anos, fizemos este Top 10 de alguns dos filmes mais marcantes de 2012 a 2015.

A lista não está em ordem de preferência, nem tem a intenção de escolher as 10 melhores obras do ponto de vista exclusivamente artístico. E sim de fazer um apanhado dos filmes, que de alguma forma, foram os mais marcantes e importantes do período de vida do site. Divirtam-se e tenham todos ótimos filmes!

12 Anos de Escravidão (Dir: Steve McQueen, EUA, 2013)




Apesar de ter uma história densa e muito bem contada, 12 Anos de Escravidão com certeza não foi o seu filme favorito de 2013 e provavelmente não será o que você vai mais lembrar daqui a algum tempo. Mas sua importância é ímpar numa indústria que infelizmente ainda é tão excludente e pouco entende de representatividade. A vitória como Melhor Filme no Oscar de 2014, fez Steve McQueen se tornar o primeiro produtor negro a vencer na categoria e também o primeiro diretor negro a ter seu filme como o vencedor do prêmio principal. Gostando ou não, a produção foi importante para quebrar alguns dos mais tristes e ultrapassados tabus da Academia, marcando assim seu nome na história.

Azul é a Cor Mais Quente (Dir: Abdellatif Kechiche, FRA, 2013)



Outra obra que veio para quebrar tabus, desta vez chutando a porta na voadora. Mas afinal esta é a função da arte não é mesmo? Com linguagem direta e realista, ao trazer suas personagens frequentemente em planos fechados, expondo ao máximo suas intimidades, o filme de Abdellatif Kechiche humaniza e torna natural a descoberta da sexualidade e o relacionamento homoafetivo entre as duas protagonistas. Por mais atrasado que isso seja, a verdade é que o cinema, principalmente o mainstream norte-americano, não sabe lidar com sexo e muito menos com homossexuais. Sempre tendendo a “higienizar” ou esconder um, e caricaturizar o outro. Por conta disso, entra a importância e relevância deste filme. Afinal, Azul é a Cor Mais Quente não é um filme sobre lésbicas ou homosexuais. E sim um filme sobre o amor.

Blackfish: Fúria Animal (Dir: Gabriela Cowperthwaite, EUA, 2013)


Como um documentário destruiu com a imagem de uma das maiores marcas de entretenimento do mundo. Blackfish: Fúria Animal conta a triste história da orca Tilikum, presa em cativeiro pelo parque SeaWorld por mais de 30 anos. Ao tratar de um assunto que tem a capacidade de sensibilizar todo mundo, independente da sua posição política ou religiosa, que é o mau trato a animais, o filme conseguiu despertar a ira e revolta coletiva contra SeaWorld. O parque que era até então um dos mais queridos dos Estados Unidos, em menos de três anos, sofreu perdas de mais de 15 milhões de dólares em vendas de ingressos e teve os preços de suas ações reduzidos em 44%. Culminando com a decisão do parque anunciada em 2016 que a criação de baleias em cativeiro vai, enfim, ser encerrada. A prova viva de como o cinema pode sim mudar o mundo.

Boyhood: Da Infância à Juventude (Dir: Richard Linklater, EUA, 2014)


Boyhood é um projeto que já impressiona exclusivamente pela sua concepção. Filmado ao longo de 12 anos, com um mesmo elenco, Richard Linklater merece todo o mérito do mundo pelo seu esforço e ineditismo. Mas ao mesmo tempo, o filme possui qualidades ímpares que o torna muito especial. Ao trazer um roteiro tão forte e tão coeso, que consegue dizer tanto sobre cada um de nós, Boyhood alcança a proeza de se tornar inesquecível, não por conta de sua impressionante história de produção, mas pela sua própria sensibilidade e beleza.

Frozen (Dir: Jennifer Lee e Chris Buck, EUA, 2013)


♫ Let it go, let it go, Can't hold it back anymore… já sabem né? Quando a própria Disney enfim faz o “mea-culpa” de décadas de personagens femininas frágeis e que só viviam em torno de seus príncipes, sabemos que estamos num momento especial. O cinema hollywoodiano parece, aos poucos, começar a entender o que é representação feminina. Frozen é um sinal disso. Um filme que finge te enganar até o último segundo, quando revela sua reviravolta e ensina uma das lições de amor mais lindas já vistas numa animação. Em um raro momento que o cinema norte-americano lida com o amor como forma de redenção sem limitá-lo aos “interesses românticos-sexuais”. Além disso, Frozen hoje é a animação com maior bilheteria de todos os tempos e transformou Jennifer Lee na primeira e única diretora a ultrapassar a marca de 1 bilhão de dólares com um filme. Enfim, são muitos motivos pra amar Frozen. E claro, a música não atrapalhar. ♫ Você quer brincar na neve? ♫♫

Gravidade (Dir: Alfonso Cuarón, EUA, 2013)


Esse aqui é a prova do poder de um grande diretor. Em terras de Michael Bays, Cuaróns são reis! Gravidade tem um roteiro simples, desfecho previsível, atuações boas, só que nada de especiais, mas ao mesmo tempo é um filme de tirar o fôlego. Alfonso Cuarón decupa seu filme como ninguém, faz câmera subjetiva, plano-sequência, quebra o eixo da câmera, simula gravidade zero e ainda filma em 3D como o prepotente do James Cameron jamais conseguiu. Resultado: 7 Oscars, aclamação da crítica e sucesso de público. 

Mad Max: Estrada da Fúria (Dir: George Miller, EUA, 2015)


Novamente, outra prova do que um grande diretor pode fazer. George Miller é um gigante na indústria e no cinema de ação, ramo contaminado por tantos moleques como Michael Bay ou Jonathan Liebesman. Miller consegue o feito raro e improvável de combinar o filme de ação perfeito, com roteiro coeso e ainda passar no teste Bechdel. Vencedor de 6 Oscars, o triplo do que Spotlight recebeu, Mad Max: Estrada da Fúria é uma obra prima do cinema blockbuster, que além de tudo ditou junto com Jurassic World e Star Wars: O Despertar da Força o modelo de reboots e refilmagens que hoje impera em Hollywood.

Os Vingadores (Dir: Joss Whedon, EUA, 2012)


Se X-Men de 2000 foi o precursor dos filmes de super-heróis, Os Vingadores foi a consolidação final do que hoje é o “gênero” mais lucrativo da indústria cinematográfica. O filme de Joss Whedon, que encerrou a 1º fase do ousado projeto do Universo Marvel, foi a união de todos os fatores que vinham dando certo desde X-Men. Com a diferença que em 2012, enfim o público passou a aceitar um grupo de super-heróis coloridos e assumidamente fantasiosos lutando contra forças alienígenas para nos proteger. Os Vingadores, e sua sequência A Era de Ultron, mostram como os super-heróis vieram pra ficar e são terreno de histórias férteis assim como qualquer outra literatura. E Whedon é esperto o bastante para reverenciar os fãs: quando o agente Coulson, que colecionava cards do Capitão América, é assassinado, os Vingadores se unem por ele. Mas claro que para bom entendedor, eles não estão se unindo por um personagem e sim pelo que ele representa. Os Vingadores se uniram por você!

Que Horas Ela Volta? (Dir: Anna Muylaert, BRA, 2015)


Impossível assistir Que Horas Ela Volta? sem pensar em relacionamentos. Sejam eles amorosos, familiares ou profissionais. Ou sejam eles autênticos, falsos ou doentios. Revelando parte da luta de classes gritante que o Brasil vive, o filme consegue alternar momentos do mais puro sentimento de amor (como os que envolvem Val e o filho da patroa) com outros que beiram o surreal (praticamente todos com a patroa, interpretada por Karine Telles). Ao mesmo tempo que acende um alerta para o fato de que a história de Val, interpretada brilhantemente por Regina Casé, é muito menos ficção do que a gente gostaria. Apesar da baixa bilheteria no Brasil, Que Horas Ela Volta? recebeu aclamação da classe e da crítica especializada, ganhando diversas premiações ao redor do mundo como os prêmios do Jury dos festivais de Berlim e Sundance.

Star Wars: O Despertar da Força (Dir: J.J. Abrams, EUA, 2015)


Há muito tempo, numa galáxia nem tão distante assim, estreava O Retorno de Jedi, filme que encerraria a mais importante franquia de todos os tempos e deixou órfã gerações e gerações de fãs fervorosos. Depois da “nova” trilogia que dividiu muitas opiniões, Star Wars voltou em 2015 totalmente repaginada para as novas gerações, ao mesmo tempo que soube apelar para os corações exigentes dos fãs mais fiéis. Desta forma, conseguiu não só aclamação mundial, como chegar ao posto de terceira maior bilheteria da história da indústria. Além disso, traz pra cena um trio de protagonistas composto por uma mulher, um negro e um latino, três dos grupos piores representados historicamente pelo cinema, mas que jamais são definidos por conta de seus gêneros ou etnias. O que não deixa de ser louvável e dar uma pontinha de esperança de que Hollywood talvez esteja mesmo começando a entender o que é representatividade. Que este Despertar da saga Star Wars consolide, enfim, o equilíbrio na força que tanto esperávamos.
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