Confira a crítica do longa 'CAROL' que está nos cinemas

Por Leonardo Rebello

Cate Blanchett e Rooney Mara em "CAROL" (foto:Reprodução)
Para Carol e Therese, com Amor. 

Bem sabemos que o cinema, assim como a música – e qualquer outro derivado da arte – é uma ótima ferramenta para iniciar um diálogo. De forma que as emoções controlem o espaço e a razão, de fora da cena, assiste todo espetáculo incrédula e incerta. 

E quase que uma longa carta de amor, assistimos “CAROL” emocionados e esperançosos, firmes e chorosos. Sabemos que detalhes são detalhes e que a semiótica muitas vezes não é tão gloriosa, mas logo de cara identificamos nos créditos iniciais a evolução das cores, do título à direção, do azul ao rosa mais singelo, o desabrochar dos 118 minutos do longa.

O Natal se aproxima e daí o primeiro contato. À procura de uma boneca para sua filha, a charmosa e imponente Carol (Cate Blanchett) entra em uma loja de departamento e através de uma troca de olhares, encontra a jovem Therese Belivet (Rooney Mara) entre os brinquedos, frustrada pelo estilo de vida e trabalho que desempenha, sonha em ser fotógrafa e desse primeiro contato resulta, mudanças que ambas não poderiam imaginar. Um divórcio em andamento, amores passados, primeiras experiências fazem de “CAROL” um silencioso e ansioso romance. Onde uma mulher descobre não só sua força, mas sim sobre si  e em paralelo aos sentimentos, a vanguarda vivida. 

Construindo a história através de uma composição visual, e não falamos apenas de fotografia e figurino – assinada Edward Lachman, braço direito de Todd e os belíssimos costumes de Sandy Powell, dona de três Oscars (1999 pelo filme Shakespeare Apaixonado em 1999, O Aviador em 2005 e A Jovem Rainha Vitória em 2010), mas sim pela capacidade de Todd Haynes entrelaçar o momento histórico e os diversos sentimentos vividos, ambientando em seus atores e colaboradores a voracidade e verdade do que pretende-se viver na história. 

Tal construção é realizada em cima do sentimental e forte – e não tão acreditado – romance de Patricia Highsmith, responsável por “Strangers on a Train”, muitas vezes adaptado para o cinema e famoso pela adaptação de Hitchcock (Alfred) em 1951 e é claro, nosso queridíssimo e “talentoso” Thomas Ripley”. Patricia, para muitos, é um azarão. Mas, recomendo seus romances de 1977 até 1980 onde através de um humor negro e arrebatadoras arrancadas de suspiro, nos coloca o amor de forma sincera e intensa. 

Ainda de forma sincera e intensa, destacamos o silêncio como elemento principal. As cenas de amor entre Carol e Therese são delicadas e expõem os sentimentos de ambas. As primeiras descobertas de Therese e o entregar de Carol. O que em um primeiro olhar seria uma disputa, um conflito corporal, tornando-se ao longo do filme um jogo de cama sensível e carinhoso. Como em todo amor, o descobrir compartilhado. 

O cinema é capaz de fazer um diálogo, e da mesma forma, provocar um silêncio gritante e expressivo. E Carol é um silencio fundido com todas as palavras, um filme que não desafia apenas sua linguagem, mas toda uma década, as relações, o tempo e o que se espera. E ainda sim, uma carta de amor.

Ficha técnica
Gênero: Drama
Direção: Todd Haynes
Roteiro: Phyllis Nagy
Fotografia: Edward Lachman
Figurino: Sandy Powell 
Produção: Christine Vachon, Elizabeth Karlsen, Stephen Woolley, Tessa Ross
Elenco: Bella Garcia, Blanca Camacho, Carrie Brownstein, Cate Blanchett, Chandish Nester, Cory Michael Smith, Giedre Bond, Jake Lacy, Jayne Houdyshell, Jim Dougherty, Jim Owens, John Magaro, Kevin Crowley, Kyle Chandler, Misty M. Jump, Rileigh McDonald, Rooney Mara, Ryan Wesley Gilreath, Sarah Paulson, Steven Andrews, Trent Rowland, William Willet



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