Após 16 anos, Bolshoi volta ao Brasil com ‘Giselle’ e ‘Spartacus’

Balé do Teatro Bolshoi se apresenta no Brasil em Junho (Foto: Divulgação)

Lá se foram 16 anos desde a última vez que o balé russo do Teatro Bolshoi se apresentou no Brasil. Dessa vez, a companhia retorna ao Brasil em junho com os espetáculos “Giselle” e “Spartacus”. A realização é da Dell’Arte e do Grupo Bradesco Seguros. Uma das principais companhias de balé e ópera do mundo, o Teatro Bolshoi é considerado patrimônio cultural da humanidade pela ONU e UNESCO. A última passagem do Bolshoi pelo Brasil aconteceu em 1999.

O grande balé russo abre a Temporada de Dança Dell’Arte 2015 em doze apresentações divididas entre Rio de Janeiro e São Paulo, de 17 a 28 de junho. No Theatro Municipal do Rio de Janeiro, os dias 18 de junho (Spartacus) e 21 de junho (Giselle) serão dedicados aos assinantes. Além das apresentações pela série, a companhia fará mais quatro espetáculos no Rio, também no Theatro Municipal: dias 17 e 19 de junho, ambas com o balé Spartacus; nos dias 20 e 21 de junho, será apresentado o balé Giselle. Em São Paulo, o Balé do Teatro Bolshoi estará no Teatro Bradesco, nos dias 24, 25 e 26 de junho, com o espetáculo Spartacus, e nos dias 27 e 28 (duas sessões no mesmo dia) será apresentado o balé Giselle. Todos os espetáculos contarão com a participação da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa.

Spartacus apresenta a saga de um amor em meio a uma luta por justiça e dignidade. Spartacus e sua esposa Phrygia se tornam escravos do cônsul Crassus após a conquista de seu território por Roma, onde ele se torna gladiador, enquanto sua companheira se torna uma concubina. Após ser obrigado a matar um de seus amigos, em uma apresentação para a diversão dos romanos, Spartacus se rebela e lidera uma fuga de todos os gladiadores e outros escravos. A saga, representada desde 1968, é composta por 3 atos e sofreu algumas adaptações históricas para a encenação.

Giselle conta a história do amor de uma camponesa por um nobre disfarçado de aldeão. Ao descobrir a verdadeira identidade de seu amado, ela morre de decepção e sua alma passa a fazer parte das Wilis (grupo de almas de garotas que morrem às vésperas do casamento). Apesar de morta, Giselle volta a manifestar seu amor quando o nobre visita seu túmulo a noite. Ele é subitamente atacado pelas Wilis, que o obrigam a dançar até a morte, quando é salvo pela camponesa.

A Temporada de Dança Dell’Arte 2015 faz parte do Circuito Cultural Bradesco Seguros, que apresenta para o público brasileiro um calendário diversificado de eventos artísticos com espetáculos nacionais e internacionais de grande sucesso, em diferentes áreas culturais como dança, música erudita, artes plásticas, teatro, concertos de música, exposições e grandes musicais

Bolshoi – A Companhia das Estrelas
A história do Balé Bolshoi praticamente se confunde com a história da dança na Rússia e com a de seu principal teatro. Havia como que uma ponte ligando os dois principais centros artísticos do país: São Petersburgo e Moscou. Os grandes mestres importados da França, que criariam a tradição do Balé Kirov, seriam praticamente os mesmos implantadores da principal companhia de dança da atual capital russa. É uma história com mais de dois séculos, onde pontificam os nomes de Pérault, Arthur Saint-Léon e Marius Petipa, mestres de balé e coreógrafos que levaram para a Rússia a tradição francesa da dança e a aperfeiçoaram com a introdução de números de bravura, influência mais marcante da escola italiana, que então já invadira Paris.

Não se pode, porém, falar em Saint-Léon e Petipa sem evocar o nome de Charles Didelot, mestre maior da dança em França, criador e sistematizador de uma nova tendência que batizaria de ballet d’action. Foi nesta linha que surgiram bailados como La Sylphide e Giselle. Até então, a influência do chamado balé de corte emprestava aos bailados uma fisionomia indefinida, onde o enredo se tornava secundário — praticamente uma colcha de retalhos reunindo números solo e de conjunto desligados de um contexto. Didelot daria um fim a esse estado de coisas. A partir dele o enredo passaria a ser elemento prioritário, em torno do qual gravitariam coreografias e artistas, com grande destaque para a pantomima, através da qual os bailarinos expressavam sentimentos. Giselle foi o apogeu da era Didelot. O bailado subsequente, La Péri, marcaria a decadência e o início de um período de estagnação do balé em sua antiga capital, com o excesso de estrelismo: a importância das bailarinas passava a ser maior do que o próprio espetáculo. Somente em meados do século XX Paris recuperaria parcialmente seu status de capital da dança.

(Foto: Divulgação)

A partir desta decadência, duas centrais de preservação da tradição se estabeleceram. Uma delas em Copenhague, com Auguste Bournonville e seu pai, e outra na Rússia, com sede em São Petersburgo, liderada por Saint-Léon e posteriormente por Petipa, ambos egressos do “Ballet de l’Opéra”.

O estilo do novo balé russo viria a ganhar sua forma mais acabada com Petipa, discípulo de Saint-Léon, que teve um longo reinado em São Petersburgo. Foi ele quem logrou atingir a simbiose do ballet d’action com o virtuosismo ditado pela influência italiana, cada vez mais forte. Assim nasceu o seu Dom Quixote, caminho seguido posteriormente por La Bayadère e vários outros bailados, cujas características básicas eram a manutenção de um enredo lógico, abrindo, porém, concessão ao brilho virtuosístico dos bailarinos, através do enxerto de números desligados do contexto, mas que eram o grande apelo para o aplauso generoso do público. Apesar de ter seu quartel general em São Petersburgo, Petipa fez várias incursões ao principal teatro de Moscou, que sofreria também grande influência de seu discípulo Gorsky — um dos grandes nomes do balé russo — e de coreógrafos como Tikhomirov e Goleizovski. Os “Ballets Russes” de Diaghilev deixaram também sua marca no Bolshoi, que remontaria todas as grandes coreografias de Fokine e Nijinsky, a partir de então integradas ao repertório básico da companhia.

Os anos 60/70 foram marcados pela introdução de uma nova estética, implantada por Yuri Grigorovich, senhor absoluto do Balé Bolshoi a partir de 1964, acumulando os cargos de diretor artístico e coreógrafo residente. Clássicos contemporâneos, suas primeiras criações foram A Flor de Pedra (1959), música de Stravinsky, que estreou com Kassatkina e Vassiliev, Carmen (1966) de Bizet/Shchedrin, estrelada por Alicia Alonso e Asseli (1967) de Vlassov, com Vinogradov, que posteriormente assumiria a direção do Balé Kirov. Bailarinos famosos passaram a assinar coreografias: Vassiliev com Ikarus (1971), sobre música de Glonimski, e Macbeth (1980), com música de Molchanov; Maya Plisetskaia com Anna Karenina (1972), baseada em Tolstoi e A Gaivota (1980) inspirada em Tchekov, com música de Schedrin — ambas estreladas pela própria Maya.

(Foto: Divulgação)

A criação mais marcante do período Grigorovich foi, porém, o bailado Spartacus (1968), sobre música de Khachaturian, e tido como sua obra-prima; um épico imortalizando os ideais de liberdade. Na mesma linha histórica o coreógrafo realizou Ivan, o Terrível (1975). No ano seguinte faria O Rio Angara, onde a temática histórica cede lugar a acontecimentos do cotidiano, com o foco voltado para a juventude soviética em plena construção de uma grande obra pública na Sibéria.

Independentemente de suas novas criações, Grigorovich revisitou e deu nova roupagem aos grandes clássicos: O Quebra-nozes (1966), O Lago dos Cisnes (1969) e A Bela Adormecida (1973), onde inseriu novas cenas. Cria sua versão para o Romeu e Julieta de Prokofiev. Esta encenação — e mais o seu Ivan, o Terrível — seria posteriormente apresentada na Ópera de Paris. Às realizações de Grigorovich soma-se a recriação de A Idade de Ouro, de Shostakovich, então ausente dos palcos há mais de 50 anos: uma crítica bem humorada e mordaz ao sistema capitalista. Os solistas principais eram então os casais Maksimova/Vassiliev, Bessmertnova/Lavrovsky, Sorokina/Vladimirov e Timofeeva/Liepa. De importância capital a presença no pódio de grandes maestros como Rozhdestvensky, Zhuraitis e Kopilov, cuja contribuição para a glória do Balé Bolshoi foi inestimável.

Serviço:

Bolshoi

Rio de Janeiro

SPARTACUS
17 de junho, quarta-feira, às 20h
18 de junho, quinta-feira, às 20h
19 de junho, sexta-feira, às 20h

GISELLE
20 de junho, sábado, às 20h30
21 de junho, domingo, às 15h
21 de junho, domingo, às 20h30

Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Praça Floriano s/n Centro – Rio de Janeiro)
Classificação etária: Livre

São Paulo

SPARTACUS
24 de junho, quarta-feira, às 21h
25 de junho, quinta-feira, às 21h
26 de junho, sexta-feira, às 21h30

GISELLE
27 de junho, sábado, às 21h
28 de junho, domingo, às 15h
28 de junho, domingo, às 20h30

Local: Teatro Bradesco (Rua Turiassu, – Piso Perdizes, 2100 – Perdizes)
Classificação etária: Livre
Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Obrigado pela sua opinião!
Contracene, seja o Artista!