Tom Cavalcante volta às origens no show ‘No Tom do Tom’

Por Rodrigo Vianna

Tom Cavalcante volta às origens no show "No Tom do Tom" (Foto: Reprodução/Internet)

Não tem como negar. Se existe um nome no humor nacional da atualidade, esse é, sem dúvida, Tom Cavalcante. Cearense por natureza, e brasileiro de corpo, alma e coração, Tom buscou nas origens a inspiração para o seu novo show “No tom do Tom”, que já passou por diversas cidades do país, e voltou ao Rio de Janeiro neste fim de semana, com apresentações no Teatro Bradesco, no Village Mall, na Barra da Tijuca. Tive o privilégio de conferir a sessão deste sábado (21), e posso garantir: ele está de volta.

Depois de passar dois anos nos Estados Unidos, Tom Cavalcante está de volta ao Brasil, e cheio de projetos, a começar por um programa de humor no canal pago Multishow, com estreia prevista para junho. Em entrevista ao jornal O Globo, Tom revelou que o programa se passará num shopping, e será gravado em São Paulo. Com dois metros de profundidade e 29 de boca de cena, o palco reproduz o centro comercial que será alvo de uma ferrenha disputa familiar. Serão 30 episódios de 45 minutos.

(Foto: Reprodução/Internet)

Mas voltemos ao teatro. No palco, Tom mostra o que sabe fazer de melhor: rir. É impossível não se divertir durante as quase duas horas de show. No melhor estilo stand up comedy (comédia em pé), Tom começa o espetáculo já falando das suas origens e do povo cearense. Ele brinca com alguns personagens, lembra humoristas famosos de sua terra e cantores, como Fagner, representado numa das melhores atuações que já presenciei nos palcos, ao som de “Borbulhas de Amor”. Nesse momento, o riso dá lugar à cantoria, seguida por aplausos calorosos.

Diante de um cenário simples, mas eficaz dentro do que é proposto o espetáculo, Tom domina o palco. É dono dos seus próprios movimentos, mas refém dos personagens. Aliás, por falar em origens, estão lá figuras conhecidas do público, e que fizeram deste cearense um dos maiores humoristas do país. A começar pela doméstica Jurilene, e seu bordão “com licença, obrigado”. Abusada e cheia de atitude, a personagem dá o tom popular ao espetáculo, agradando o público em cheio, que respondeu à altura. 

(Foto: Reprodução/Internet)

Como não poderia faltar, há aquele momento onde o humorista faz piadas com políticos e a situação que o país vive. Com Tom não seria diferente. Mas o que mais me impressionou foi a imparcialidade do humorista, que citou diferentes partidos, e imitou figuras conhecidas como os ex-presidentes José Sarney, Collor, Fernando Henrique Cardoso e Lula. A presidente Dilma, claro, não poderia ficar de fora. Graças à genialidade e talento de Tom Cavalcante, foi possível passar por assuntos polêmicos como o escândalo da Petrobras e Mensalão, sem tropeços. 

De volta aos personagens, teve espaço, ainda, para imitações de outros cantores como Maria Bethânia, Fábio Jr., Seu Jorge, Cauby Peixoto e Michael Jackson. Mas o melhor, ainda estava por vir. Já na parte final do espetáculo, Tom surge ao palco vestindo uma peruca grande, e um paletó branco. Era o momento dele, Roberto Carlos, ou melhor, Tomberto Carlos. Com gestos característicos, e expressão fiel ao cantor, o humorista nos presenteou com uma apresentação hilária e emocionante, com direito a distribuição de rosas no final.

(Foto: Reprodução/Internet)

Homenagem ao mestre
O grande humorista Chico Anysio foi o grande homenageado da noite. Tom pede licença ao público para lembrar o amigo, que nos deixou em 2012. Em seguida, ele volta ao palco na pele como João Canabrava, seu personagem mais marcante, que ficou famoso na “Escolinha do Professor Raimundo”. Esse é, sem dúvida, um dos pontos altos do show. É aí que Tom mostra que ainda possui fôlego para muitas apresentações. 

No tom. Assim posso resumir o espetáculo desse grande humorista. O título do show não poderia ser outro. Tom Cavalcante é a prova de que é possível fazer humor inteligente no Brasil, sem passar do tom. 
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