‘A Casa Bem Assombrada’ é diversão para todas as idades

Por Pablo Pêgas

‘A Casa Bem Assombrada’ é diversão para todas as idades  (Foto: Divulgação)

Assistimos a peça "A Casa Bem Assombrada", em cartaz no Teatro do Oi Futuro, em Ipanema, no Rio de Janeiro, e ficamos muito contente com tudo que essa equipe foi capaz de criar. A peça alcança todas as idades. Funcionou com o menino sentado na minha frente que intervinha a todo o instante na trama da peça e com a mulher que estava do meu lado que ria mais alto que a mais escandalosa das minhas tias. É pra levar o filho e se divertir junto!

A peça conta a história de Juju, uma menina que acabou de passar por uma turbulenta transformação: o divórcio dos pais. Sua mãe teve de mudar toda a vida e isso a incluí e atinge. Uma nova casa, uma nova escola, novos amigos, tudo novo. Para uma criança, o novo pode ser uma porta bloqueada por um monstro de sete cabeças cuspidoras de fogo - para os pais também, mas eles precisam fingir ser corajosos. Apesar de todas as mudanças, a menina se mantem fiel a sua personalidade. Juju prefere os monstros a todas as princesas da Disney reunidas, são os filmes de terror que a fazem companhia antes de dormir. Aos poucos a sua "diferente" personalidade vai se tornando um problema na nova vida.

(Foto: Divulgação)

Problema tão grande quanto o de Zorg, um monstro pré-adolescente, que acha que ser humano pode ser mais vantajoso do que a sua natureza assustadora. Zorg vive com seu pai e com um lobisomem se escondendo dos humanos, seus maiores inimigos. Na casa onde coincidentemente Juju e sua mãe decidem se mudar, vivem esses três monstros. Sobre o mesmo teto sem se revelarem uns aos outros, essas duas famílias vão passando despercebidas até Zorg esbarrar com Juju e descobrir que as coisas nem sempre são como os seus pais pensam ser.

A peça levanta questões sobre o quanto a diferença é aceita. Seria normal uma menina gostar mais de bruxas e vampiros do que das princesas e seus fies escudeiros? E se ela quiser colar um adesivo de monstro na cara da Branca de Neve, você vai achar normal? Claro que não. Mas é esse o lugar da peça, não tem que ser normal, tem que só ser do jeito que é. Tem que gostar do que gosta até mudar de opinião, ou até não mudar. As circunstâncias não devem modificar o que te caracteriza. As vezes, vejo pais pressionando demais os filhos para que eles sejam o que o mundo julga ser conveniente, e acabam se esquecendo que o que eles são pode ser do que o mundo de fato precise. Educação ultrapassa essa pressão. Juju e Zorg são extremamente educados, só não compartilham do gosto comum.

(Foto: Divulgação)

Elenco
O elenco cria o universo necessário para a história acontecer, a todo momento, eles pulsam juntos. O cenário surpreende na hora certa, nos mostrando um outro lugar da casa que jamais pensaríamos existir - parabéns também a iluminação por ajudar a criar isso. Entretanto, há lugares que existem e questiono se são de fato necessários - talvez quarto e sala não dialoguem muito bem. O figurino aviva os monstros, mas é legal ver que existe um trabalho de corpo acentuando muito mais a indumentária.

O texto é divertido, comunica de forma lúdica todas as suas criticas, contudo a peça parece se estender um pouco. Sobre a atuação no teatro infantil, posso estar exagerando ou sendo muito rígido, mas acredito que ela ainda não encontrou seu lugar. Será que vozes infantis, quebras excessivas da quarta parede  e apelação para o ator canastrão são extremamente necessárias para fisgar a atenção do pequeno espectador? Questiono sobre a localização desse teatro: é um teatro feito para o publico infantil ou literalmente um teatro infantil. "A Casa Bem Assombrada" alcança esse meu lugar idealizado, apesar de ainda ter um pouco do infantilizado demais da coisa. 

(Foto: Divulgação)

Bom, leva seu filho, leva o filho do vizinho, do amigo, leva o amigo e o vizinho também, me leva de novo se quiser, porque vale a pena prestigiar essa galera que tá trazendo uma história nova pra contar, cheia de boas mensagens e muita criatividade para o palco carioca. O Contracenarte agradece o convite e parabeniza toda a equipe pelo trabalho!

Serviço:

“A Casa bem Assombra”

Quando: até 29/03/15 (sábados e domingos as 16h)
Onde: Oi Futuro Ipanema - Rua Visconde de Pirajá, 54 – Ipanema
Quanto: R$15 (inteira) / R$7,50 (meia)

Ficha Técnica:

Texto e Direção: Ivan Fernandes
Direção de movimento: Flávia Lopes
Elenco: Adriano Pellegrini (Zorg), Isabel Guéron (mãe), Marcelo Dias (Ozzy), Maíra Kestenberg (Juju) e Vinícius Messias  (Karloff)
Direção musical: Pedro Cintra
Iluminação: Aurélio de Simoni
Cenário: Paulo Denizot
Figurino:  Palloma Morimoto 
Máscaras: Flávia Lopes e Marise Nogueira
Programação visual: Patrícia Duarte
Desenvolvimento do jogo: Patricia Duarte
Direção de Produção: Pagu Produções Culturais
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