Suricato lança álbum 'Sol-Te' com direito a covers no Circo Voador

Por Emanuelle Valles

Suricato se apresentou no Circo Voador (Foto: Divulgação)

Revelada no reality "Superstar", da TV Globo, a banda Suricato escolheu um dos palcos mais tradicionais do Rio de Janeiro para lançar o seu novo álbum, "Sol-Te". O grupo se apresentou na noite de sexta-feira (31), no Circo Voador, na Lapa. E os rapazes não fizeram feio. Os cariocas puderam curtir mais do folk, do rock e do blues tocado pela banda, já conhecida nas noites da cidade, mas neste momento em ascensão por conta de toda a repercussão do programa.

Talento inegável para o grupo que soube segurar por um pouco mais de uma hora os expectadores, tocando desde as faixas de seu novo álbum, o segungo da banda, qa covers de Cássia Eller, Lulu Santos, com umas pitadas de hits pops como "Hey Soul Sister" da banda Train. Os fãs puderam conferir, em primeira mão, os novos sucessos da banda, como “Trem”, “Um tanto”, “Inseparáveis”, “Diante de qualquer nariz” e “Pra tudo acontecer”.

Som limpo, acordes bem tocados, energia e animação. Um show bem conduzido e os rapazes mostraram o porquê de terem se destacado. Para quem perdeu a oportunidade de conhecer o trabalho do grupo, no próximo dia 29 de novembro eles abrirão o show da consagrada banda Roupa Nova, que irá se apresentar no Vivo Rio, no Centro do Rio de Janeiro.

Sobre a banda
O Suricato passa longe de animal nativo, mas não está aí para ser um estranho na paisagem. O grupo carioca com nome de bicho africano chega ao segundo álbum com seu folk feito, como diria Noel Rosa, nas regras da arte. Assim exprime uma pequena, mas importante parte da música cosmopolita que pulsa na metrópole previamente difamada como túmulo do rock. Trata-se de um animal disciplinado, que conta com a força coletiva (as mãos cheias de Gui Schwab – responsável por gaita, guitarras, violões, viola caipira, mandolim e outras cordas -, o baixo de Raphael Romano, e a bateria e percussão de Pompeo Pelosi) para fazer a voz de Rodrigo Nogueira (também mestre às guitarras, violões, ukulele, dobro etc.) ser ouvida além de limites geográficos e estéticos.

(Foto: Divulgação)

Criado numa década em que os garotos com guitarras falavam para o país inteiro, da classe A à E, Rodrigo, Gui, Raphael e Pompeo não querem ficar confinado a cercadinhos, circuitos cult e nichos menores: “Muitos artistas independentes da minha geração se contentam com isso, parecem que têm medo de se comunicar com mais gente. Nos anos 80, o povo do rock queria falar com mais gente, já compunha pensando no ao vivo, nos lugares maiores”, observa Rodrigo.

Não por acaso, o Suricato logo conquistou o respeito e a admiração de alguns ícones do rock popular brasileiro: Lulu Santos (que conheceu Rodrigo na banda do programa The Voice e gravou com o Suricato uma bela versão de “Um Certo Alguém”), Nando Reis, Leoni, Ritchie. A excelente participação do grupo no programa SuperStar, da TV Globo, deu projeção nacional e cercou de expectativa o sempre crucial segundo álbum.
Mudanças
Entre o disco de estreia e "Sol-te", ocorreram mudanças de formação importantes. A vinda de Gui Schwab foi muito mais do que a chegada de um multi-instrumentista acostumado a tocar com grandes nomes como Pepeu Gomes e Ritchie. Ele ampliou os diálogos de cordas a partir de sua versatilidade e da pesquisa etnomusical despertada pela paixão por sons de outros continentes e culturas. O didjeridoo australiano é marcante em duas faixas, especialmente “Inseparáveis”. 



(Foto: Divulgação)

Pompeo Pelosi, com boa estrada em blocos de carnaval como o Quizomba!, acrescentou suingue extra à cozinha. Baterista inicialmente ligado ao rock e psicólogo formado, ele teve sua trajetória musical e pessoal alterada a partir de um curso de pandeiro com Marcos Suzano. E neste disco abraçou com paixão as baladas folk e os elementos roots americanos – como prova a washboard (tábua de lavar) que tocou em “Not Yesterday”. O baixista Raphael Romano, fã de Nathan East e Wilie Weeks (famosos sidemen de Eric Clapton) que também veio de bandas de baile, não se intimidou com a pouca experiência em estúdio de gravação. Arrancou elogios de todos com a performance em faixas como “Eu Não Amo Todo Dia”, extraída na simplicidade da escola do blues rock. 
Para Sol-Te, gravado no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, o plano era se concentrar na linguagem do gênero que, junto a rock, country e blues, está na alma do Suricato. A audição deste Sol-te deixa claro que, incorporados todos os elementos folk, country e blues, assimiladas as influências e estradas diferentes percorridas por Gui, Rapha e Pompeo, todo o “estrogonofe com feijão” (expressão que Rodrigo usa para definir a essência mistureba do brasileiro), o Suricato é uma banda com voz própria. Pronta para ser solta no mundo.
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