Musical ‘Constellation’ voa alto e revive glamour dos Anos Dourados

Por Rodrigo Vianna


"Constellation" revive o glamou dos Anos Dourados (Foto: Studio Prime/Divulgação)

Inocência, sonhos e romantismo. Esses são os três ingredientes básicos da história que move “Constellation: Uma Viagem Musical pelos Anos 50”. O Contracenarte marcou presença na estreia para convidados, que aconteceu na noite de segunda-feira (10), no Teatro Vanucci, no Rio de Janeiro. Dirigido pelo premiado ator Jarbas Homem de Mello, o musical aposta em clássicos norte-americanos dos Anos Dourados para agradar o público e a crítica. Com elenco afinado e texto impecável, o espetáculo voa alto.

Escrito e idealizado por Cláudio Magnavita, "Constellation" se passa em 1955, em Copacabana, que vivia sua época de ouro, encantando celebridades internacionais e lançando modismos que se espalhavam pelo país. A atriz e cantora Jullie dá vida à jovem Regina Lúcia, que está na disputa por uma passagem para Nova York no voo inaugural do Super Constellation G em um concurso da Rádio Nacional, cuja final acontecerá no Golden Room Copacabana Palace.

(Foto: Studio Prime/Divulgação)

Jullie consegue, ao mesmo tempo, transmitir a delicadeza e inocência da personagem, e a paixão pela música e pelo namorado “quase noivo”, tenente Zé Luiz, interpretado pelo ator Marcio Louzada. Conhecida por trabalhos como a série “Quando Toca o Sino”, do canal Disney Channel, e dublagens em filmes e séries, Jullie consegue convencer o público a também embarcar no seu sonho a bordo do Super Constellation G. Afinal, quem nunca sonhou em ganhar uma viagem internacional para Nova Iorque?

Da TV para os palcos
Destaque no reality “The Voice Brasil”, da TV Globo, Jullie mostrou mais uma vez sua potência vocal, às vezes atrapalhada por problemas no som. A atriz alcançou notas altas e proporciou um grande espetáculo. Apesar de um elenco onde (quase) todos cantam, Jullie se destaca, e, mais uma vez, prova porque é um nome promissor no teatro musical. Na história, a sua personagem divide um quarto e sala em Copacabana com a mãe - separada do marido - e Tia Maria da Penha, interpretada por Andréa Veiga, uma vedete do Cabaré Casablanca.

(Foto: Studio Prime/Divulgação)

As três representam o início de uma geração que viveu no ano de 1955 um boom imobiliário no bairro gerado por um encantamento que o tornou desejado por milhares de pessoas. Para mim, particularmente, foi um prazer poder assistir a eterna Paquita em cena. Quase irreconhecível, Andréa deu o tom cômico ao espetáculo, e não deixou a desejar ao interpretar as canções. Sensual e cômica. Assim é a Tia Maria da Penha, que não perde uma oportunidade para arrumar um bom partido ou aproveitar o sonho da sobrinha, para tirar fotos com o Pelé e pedir a faixa de miss da Martha Rocha.

Já a atriz Lovie, que dá vida à mãe da jovem Regina Célia, nos impressionou pela potência vocal. Apesar de parecer um pouco nervosa, talvez por conta da estreia, ela nos proporcionou um dos melhores momentos do espetáculo ao interpretar “Unforgettable”. Lindo e emocionante. E o que falar do figurino assinado por Patrícia Muniz? Impecável. E isso pôde ser visto durante todo o espetáculo. Patrícia apostou em roupas coloridas e com muito brilho para ilustrar a época de ouro. Um detalhe chamou a atenção: um par de asas nas costas da boy band lembrava o sonho de voar.  

A história
Os anos 50 foram marcados por grandes avanços científicos, tecnológicos, transformações culturais e comportamentais. Foi a década em que começaram as transmissões de televisão, provocando uma grande mudança nos meios de comunicação. A história se  passa no ano em que a Varig adquiriu a aeronave mais moderna que havia no mercado da aviação e inaugurou uma nova rota entre Rio de Janeiro e Nova Iorque. Surgia o Super Constellation G, um avião super luxuoso, que reduziu o tempo de voo de 72 horas para apenas 20 horas e influenciou diretamente nos hábitos locais.

(Foto: Studio Prime/Divulgação)

Fruto de um extenso trabalho de pesquisa de Magnavita, “Constellation” narra o voo inaugural do avião Super Constellation G, um fato que gerou inúmeras matérias nos jornais da época e proporcionou momentos históricos, com personagens que se tornaram referência daquela geração. Jorginho Guinle, Carmen Mayrink Veiga, Martha Rocha, Ieda Maria Vargas e Pelé são alguns nomes que surgem ao longo do espetáculo para ilustrar esse momento tão rico da história brasileira.

Sob direção musical de Beatriz De Luca e coreografias de Vanessa Guillen, o público pode desfrutar de um repertório de 16 canções clássicas americanas da década de 50 como “Only You”, “Blue Moon”, “Stand by Me”, entre outros sucessos. No elenco, estão ainda Cleiton Morais, Daniel Cabral, Drayson Menezzes, Franco Kuster e Ugo Capelli. Os rapazes passeiam por vários personagens durante toda a peça. De ídolo musical a atendentes da companhia aérea. Porém, apesar do esforço, poucos são os que se destacam, e alguns, deixam a desejar, passando a ser um mero coadjuvante no palco.

Ponto cego
Confesso que tive dificuldades de assistir partes do espetáculo devido à posição que ficamos no teatro. Infelizmente, o Teatro Vanucci possui uma projeção que prejudica o público que está sentado nos cantos direito e esquerdo. De onde eu estava, na fileira D, assento 32, não pude ver as cenas que aconteciam na sala (ou quarto?) da personagem Regina Lúcia. Ouvi apenas as vozes dos atores, o que causou um certo incômodo. Esse, talvez, seja um problema a ser enfrentado pela produção e direção do musical, se quiser ver a casa cheia. Uma pena, mas alguns lugares acabaram se tornando pontos cegos.

“Constellation” é um espetáculo musical, de um autor nacional, mas com clássicos americanos. Alguns estranharam a ausência de canções nacionais que marcaram os Anos Dourados. Mas a história agradou. Entre uma turbulência e outra, o diretor Jarbas Homem de Mello terá tempo para colocar as peças dessa “aeronave” no lugar. Sem dúvida, “Constellation” é um presentão de fim de ano não só para os nossos avós, que viveram a época de ouro, mas para toda a família, que tem a oportunidade de embarcar nessa viagem, e reviver os Anos Dourados.

Serviço

“Constellation: Uma Viagem Musical pelos Anos 50”

Temporada: De 13 de Novembro até 21 de dezembro.
Horário:  Quinta, sexta e sábado às 21h30 e domingo às 20h30
Local: Teatro Vannucci – Shopping da Gávea - Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea
Preço: QuintaR$ 80 (inteira) / Sexta R$ 90 (inteira) / Sábado e Domingo R$ 100 (inteira)
Capacidade: 400 lugares
Classificação: Livre.
Duração: 120 min.

Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Obrigado pela sua opinião!
Contracene, seja o Artista!