‘Peguei o vírus do teatro’, diz Renato Aragão sobre ‘Os Saltimbancos’

Por Rodrigo Vianna

Renato Aragão estrela "Os Saltimbancos Trapalhãos - O Musical" (Foto: Divulgação)

Prestes a pisar no palco pela primeira vez, Renato Aragão não esconde o nervosismo. Apesar dos seus mais de 50 anos de carreira, o trapalhão fará a sua estreia no teatro nesta sexta-feira (3) com o espetáculo “Os Saltimbancos Trapalhões – O Musical”, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. E não poderia ser em ocasião melhor. Ao lado da filha, Livian Aragão, e dos amigos Dedé Santana, Tadeu Melo e Roberto Guilherme, Renato Aragão revive no teatro um dos seus maiores sucessos no cinema.

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                         Ô psit! 'Os Saltimbancos Trapalhões - O Musical' terá humor e piruetas

“É uma experiência completamente diferente do que eu já fiz na minha vida. Essa sim é uma verdadeira estreia. A gente chega aqui nesse palco e tudo é novo. Agora tem a presença do público, aqui na frente, qualquer reação ao que a gente faça, então temos que ter muito cuidado na hora de representar, porque o público vai estar fiscalizando a gente. Cada movimento que a gente”, disse.

(Foto: Divulgação)

Prestes a completar 80 anos, Renato Aragão transmite jovialidade e o tempo não parece ter passado para ele. No palco, ainda vemos o bom e velho trapalhão que ficou conhecido na televisão. Sem perder o bom humor, ele brinca ao ser perguntado sobre sua saúde, e avisa que já sente bem e revigorado. Em março, o humorista ficou internado após sofrer um infarto, e passou por cirurgia para desobstruir uma artéria: “Pode vir emoção, pode vir o que quiser, porque estou preparado para tudo”.

Vírus do teatro
Assinado por Charles Möeller, o texto foi inspirado no conto ‘Os Músicos de Bremen’, que também deu origem à peça ‘Os Saltimbancos’, dos italianos Sergio Bardotti e Luis Enríquez, e ao filme ‘Os Saltimbancos Trapalhões’ (1981), da RA Produções. Chico Buarque foi o responsável pelas canções e criou clássicos como ‘Piruetas’, ‘História de Uma Gata’ e ‘Hollywood’, que também fazem parte desta versão para o teatro. Renato Aragão se apaixonou tanto pelo teatro, que não pensa em parar por ai.

(Foto: Divulgação)

“Isso aqui é tão maravilhoso, teatro é um vício. Eu peguei um vírus do teatro sem querer, como peguei um vírus e fui parar no hospital. Qual o causador desse vírus? São essas duas figuras aqui (os diretores Cláudio Botelho e Charles Moeller). Eles me deram um apoio tão grande, que eu relutei muito tempo para responder. É uma responsabilidade enorme. Quando eu cheguei aqui, é uma alegria, é um vício que acho que vou fazer teatro sempre”, brincou o trapalhão.

No palco, Renato se transforma em Didi. O bom palhaço volta ao picadeiro, mas em novo endereço. O Contracenarte conferiu três números e uma cena do novo musical da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho e pôde ver o gênio em cena. Apesar do apelo infantil, Renato diz que a maior surpresa foi ver a grande procura por adultos: “O maior público não é formado por crianças, mas por adultos, o adulto que foi criança na época do filme. Eles se divertem tanto quanto a criança, estão felizes, e agora temos a oportunidade de levar esse universo para as novas gerações”, disse.  

(Foto: Divulgação)

O espetáculo
A equipe criativa traz a marca da Möeller & Botelho, com arranjos e regência do maestro Marcelo Castro, cenários de Rogério Falcão, iluminação de Paulo Cesar Medeiros, coreografias de Alonso Barros e coordenação artística de Tina Salles. A figurinista Luciana Buarque (‘Meu Pedacinho de Chão’) integra o time criativo M&B pela primeira vez.

No palco, o foco é na história de Didi (Renato Aragão) e Dedé (Dedé Santana), dois funcionários humildes que se tornam a grande atração de um circo por conta da incrível capacidade de fazer o público rir. O sucesso desperta a ira do Barão (Roberto Guilherme), dono do circo, e do mágico Assis Satã (Nicola Lama), que passam a persegui-los. Personagens como a vilã Tigrana (Adriana Garambone) e a mocinha Karina (Gisele Prattes) ajudam a criar ainda mais confusões. “‘Os Saltimbancos Trapalhões’ será um espetáculo para toda a família, assim como fizemos nas montagens de ‘O Mágico de Oz’ e ‘A Noviça Rebelde’ e como o Renato fez a vida inteira na televisão e no cinema’, comenta Charles Möeller.

(Foto: Rodrigo Vianna/Contracenarte)

Uma nova adaptação
Para Charles, o grande desafio foi recontar a história com uma estrutura de teatro musical, em que as canções apareçam de forma orgânica e os números surpreendam pela inventividade cênica e coreográfica. Além dos atores, estarão em cena dez artistas de circo selecionados em disputada audição, entre acrobatas, malabaristas, contorcionistas e trapezistas. ‘Eles estão acostumados a se apresentar em picadeiros, em arenas, e agora se adaptaram ao palco italiano e à contracena com os outros atores e bailarinos, que, na via inversa, precisaram desenvolver as habilidades circenses’, conta.

O diretor ressalta que o espetáculo é também uma grande homenagem à profissão de artista, ao valorizar o caráter artesanal do ofício e, principalmente, ao sublinhar o aspecto singelo e mambembe do circo. O cenário, de Rogerio Falcão, foi todo pintado manualmente e não tem recursos tecnológicos, enquanto os figurinos, de Luciana Buarque, misturam referências de diversas nacionalidades e culturas, típico do universo retratado.  O circo que aparece em cena é decadente, mas acaba de reencontrar o sucesso com o musical que Didi e Dedé montam por lá.

(Foto: Rodrigo Vianna/Contracenarte)

“Na adaptação, Didi encontra o conto dos Irmãos Grimm (‘Os Músicos de Bremen’) dentro de uma garrafa, resolve encená-lo como um musical e vira um fenômeno popular”, resume Charles, que trabalha com canções de Chico Buarque pela sexta vez, depois dos sucessos ‘Na Bagunça do Teu Coração’ (1997), ‘Suburbano Coração’ (2002), ‘Ópera do Malandro’ (2003), ‘Ópera do Malandro em Concerto’ (2006) e ‘Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos’ (2014).

Serviço:

“Os Saltimbancos Trapalhões – O Musical”

De 03 de outubro a 30 de novembro
Horário: Terças, quartas e quintas, às 20h30; Sextas, às 21h30; Sábados, às 20h; Domingos, às 18h.
Local: Cidade das Artes – Grande Sala, Av. das Américas, 5300 - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ
Informações e venda de ingressos: 21 4003-1212 / www.ingressorapido.com.br

Preços:

Camarote 1º nível: R$100
Frisa Lateral: R$120
Galeria 2º nível: R$50
Galeria Alta: R$40
Galeria Baixa: R$40
Platéia 1: R$150
Platéia 2: R$120

Ficha Técnica:

Texto: Charles Möeller
Música e Letras: Chico Buarque, Luis Bacalov, Sergio Bardotti
Arranjos e Regência: Marcelo Castro
Coreografia: Alonso Barros
Cenário: Rogério Falcão
Figurinos: Luciana Buarque
Design de Som: Marcelo Claret
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Visagismo: Beto Carramanhos
Casting: Marcela Altberg  
Direção de Produção: Edson Bregolato
Produção Executiva: Edson Mendonça/ Alessandra Azevedo
Coordenação Artística: Tina Salles
Direção Musical: Claudio Botelho
Direção: Charles Möeller 

Elenco:

Renato Aragão, Dedé Santana, Adriana Garambone, Giselle Prattes, Roberto Guilherme, João Gabriel Vasconcellos, Tadeu Mello, Ada Chaseliov, Nicola Lama, Livian Aragão, Nicolas Prattes, Diego Luri, Cristiana Pompeo, Marcel Octavio, Andrei Lamberg, Augusto Arcanjo, Camilla Marotti, Gabi Porto, Lais Lenci, Zago Mirabelli, Erika Henriques, Jessica Gardolin, Jonatan Karp, Kostya Biriuk, Olavo Rocha, Pauline Hachette, Rafael Abreu e Yulia Suslova.

Músicos:
Marcelo Castro, Anderson Pequeno, Marcio Romano, Matheus Moraes, Omar Cavalheiro, Whatson Cardozo, Zaida Valentim
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