'Os Saltimbancos Trapalhões - O Musical': A moçada vai pedir bis!

Por Pablo Pêgas


Renato Aragão em cena em "Os Saltimbancos Trapalhões" (Foto: Divulgação)

Atenção, Rio de Janeiro, o circo rompeu a lona e caiu no palco da Cidade das Artes, na Barra da Tijuca. O Contracenarte assistiu na última terça-feira (7) ao novo musical da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho junto a uma plateia de convidados ansiosa, e podemos dizer que "Os Saltimbancos Trapalhões - O Musical" chegou pra encantar e emocionar!
 
O que achamos?

Fomos atravessados de boas memórias, é tudo tão nostálgico e colorido no palco, que sentir lágrimas vindo não foi surpresa alguma. Fomos lembrados de uma época, onde ser honesto e ter bons amigos era o bastante, um tempo onde remar contra a correnteza da ganância era sinônimo de coragem, tempo onde o amor era em verso e cantado por dois jovens apaixonados, onde a vilania tinha pernas curtas, onde ter fé na vida mesmo quando ela parece descrente era melhor do que se entregar ao vazio. Pra onde foi tudo isso? Bom, a gente cresce e sem notarmos o mundo desaquece. Vamos esquecendo de algumas coisas que aprendemos.

Renato e Dedé estreiam nos palcos (Foto: Rodrigo Vianna/Contracenarte)

Os trapalhões não foram só palhaços que nos  divertiram durante a infância, eles contribuíram para o calor do mundo, contribuíram em parte ao que nos tornamos hoje. É bom saber que ainda conseguem reacender essa chama que vem virando fagulha. Tudo está no seu devido lugar, a banda afinada entra em sintonia com o coro que esbanja alegria. O figurino mambembe misturando estampas e cores e o mágico cenário criam o circo e dialogam com tudo em cena, com destaque no cenário para o letreiro de Hollywood e claro, os felinos da vilã Tigrana - os leões gigantes são, na minha opinião, uma das coisas mais criativas da peça.

Elenco em sintonia
O elenco tá engraçado, a talentosa Adriana Garambone leva o público a gargalhadas toda a vez que pisa no palco, Renato Aragão e Dedé Santana arrancam risos nostálgicos da platéia com suas trocas de "elogios" em cena, aquela velha competição dos grandes amigos que a gente sempre amou ver, o grande Roberto Guilherme, eterno sargento Pincel, faz o esperto e acaba sendo o mais bobo da história como sempre -  a gente confessa que adora ver as brincadeiras e os deboches  que fazem com ele, os números musicais são sensacionais, ficamos sem saber o que olhamos primeiro, é tanta coisa pintando o palco. Tudo contribui para esse espetáculo ser nomeado como uma grande produção.

(Foto: Rodrigo Vianna/Contracenarte)

A coreografia de "Piruetas" foi meticulosamente preparada para que conseguíssemos realmente nos ver sentados  na plateia de um circo. Funciona tanto, que garanto que você terá vontade de se levantar e bater palma como se de alguma forma a criança interior aí dentro fosse acordada do sono profundo causado pela rotina louca de cada dia. Em "Meu Caro Barão", Didi (Renato Aragão) senta-se em frente a uma mesa e começa a datilografar, sim, da-ti-lo-gra-frar, e todo o elenco se posiciona logo atrás sentados numa grande escada como se fossem as teclas da máquina de escrever. É lindo de se ver! Esteticamente, cenicamente, musicalmente! É muito bem feito!

Vale lembrar aos que ainda não viram, que a cena mais bela da peça vem no final, após toda a beleza dos números musicais, de toda a graça dos personagens, depois das poli-piruetas e cambalhotas, você pegue o lenço e se prepare! A temporada de Os Saltimbancos Trapalhões - O Musical na Cidade das Artes é curta, então é melhor você correr e comprar seu ingresso logo! Vale muito a pena conferir. 

(Foto: Rodrigo Vianna/Contracenarte)

Do filme para os palcos
Vale lembrar que o musical é sim baseado no filme "Os Saltimbancos Trapalhões" de 1981, claro que com alguns ajustes, contudo a história se mantem a mesma. Vamos ter a mesma receita do filme, mas novos ingredientes que carregam no sabor final! É pra degustar e pedir mais! É pra sair do teatro e ter vontade de voltar. É pra trazer os pais, e quando acabar puxar na manga do paletó do seu pai e dizer: "vamos voltar semana que vem?"

Sobre ser um saltimbanco, cada um tem um pouco, todos nós arriscamos uma vez na vida, saímos da zona de conforto em busca do que acreditamos. Botamos fé na liberdade e seguimos viagem! Apesar da incerteza, dos desvios, das criticas e do medo, vamos que vamos. Assim como Charles Möeller descreveu o Didi: "tudo em volta faz acreditar que as coisas não virão, mas como o Didi precisamos acreditar que elas encontrarão uma forma!" Para um garoto que nasceu no interior assistindo os Trapalhões e decidiu ser artista, dirigir o grandioso Renato Aragão pela PRIMEIRA VEZ no teatro é ter a prova de que as coisas encontram sua forma de chegar!

(Foto: Rodrigo Vianna/Contracenarte)

O Contracenarte parabeniza a toda a equipe pelo o trabalho lindo que está nascendo! Estaremos lá, batendo palmas e nos controlando para não dar cambalhotas juntos - como se fossemos capazes!

O espetáculo
Assinado por Charles Möeller, o texto da montagem foi inspirado no conto ‘Os Músicos de Bremen’, que também deu origem à peça ‘Os Saltimbancos’, dos italianos Sergio Bardotti e Luis Enríquez, e ao filme ‘Os Saltimbancos Trapalhões’ (1981), da RA Produções. Chico Buarque foi o responsável por todas as letras das canções e criou clássicos como ‘Piruetas’, ‘História de Uma Gata’ e ‘Hollywood’, que naturalmente fazem parte desta versão para o teatro.

“Partimos da história original e inserimos novos personagens e situações. Renato nos deixou muito à vontade para criar. A ideia é fazer uma festa em grande estilo para seus 80 anos e esta estreia no teatro, além de celebrar também os 70 anos de Chico Buarque. É um momento muito especial’, avalia Claudio Botelho.

(Foto: Rodrigo Vianna/Contracenarte)

A equipe criativa traz a marca da Möeller & Botelho, com arranjos e regência do maestro Marcelo Castro, cenários de Rogério Falcão, iluminação de Paulo Cesar Medeiros, coreografias de Alonso Barros e coordenação artística de Tina Salles. A figurinista Luciana Buarque (‘Meu Pedacinho de Chão’) integra o time criativo M&B pela primeira vez.

No palco, o foco é na história de Didi (Renato Aragão) e Dedé (Dedé Santana), dois funcionários humildes que se tornam a grande atração de um circo por conta da incrível capacidade de fazer o público rir. O sucesso desperta a ira do Barão (Roberto Guilherme), dono do circo, e do mágico Assis Satã (Nicola Lama), que passam a persegui-los. Personagens como a vilã Tigrana (Adriana Garambone) e a mocinha Karina (Gisele Prattes) ajudam a criar ainda mais confusões. “‘Os Saltimbancos Trapalhões’ será um espetáculo para toda a família, assim como fizemos nas montagens de ‘O Mágico de Oz’ e ‘A Noviça Rebelde’ e como o Renato fez a vida inteira na televisão e no cinema’, comenta Charles Möeller.

Serviço:

“Os Saltimbancos Trapalhões – O Musical”

De 03 de outubro a 30 de novembro
Horário: Terças, quartas e quintas, às 20h30; Sextas, às 21h30; Sábados, às 20h; Domingos, às 18h.
Local: Cidade das Artes – Grande Sala, Av. das Américas, 5300 - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro/RJ
Informações e venda de ingressos: 21 4003-1212 / www.ingressorapido.com.br

Preços:

Camarote 1º nível: R$100
Frisa Lateral: R$120
Galeria 2º nível: R$50
Galeria Alta: R$40
Galeria Baixa: R$40
Platéia 1: R$150
Platéia 2: R$120

Ficha Técnica:

Texto: Charles Möeller
Música e Letras: Chico Buarque, Luis Bacalov, Sergio Bardotti
Arranjos e Regência: Marcelo Castro
Coreografia: Alonso Barros
Cenário: Rogério Falcão
Figurinos: Luciana Buarque
Design de Som: Marcelo Claret
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Visagismo: Beto Carramanhos
Casting: Marcela Altberg  
Direção de Produção: Edson Bregolato
Produção Executiva: Edson Mendonça/ Alessandra Azevedo
Coordenação Artística: Tina Salles
Direção Musical: Claudio Botelho
Direção: Charles Möeller 

Elenco:

Renato Aragão, Dedé Santana, Adriana Garambone, Giselle Prattes, Roberto Guilherme, João Gabriel Vasconcellos, Tadeu Mello, Ada Chaseliov, Nicola Lama, Livian Aragão, Nicolas Prattes, Diego Luri, Cristiana Pompeo, Marcel Octavio, Andrei Lamberg, Augusto Arcanjo, Camilla Marotti, Gabi Porto, Lais Lenci, Zago Mirabelli, Erika Henriques, Jessica Gardolin, Jonatan Karp, Kostya Biriuk, Olavo Rocha, Pauline Hachette, Rafael Abreu e Yulia Suslova.

Músicos:
Marcelo Castro, Anderson Pequeno, Marcio Romano, Matheus Moraes, Omar Cavalheiro, Whatson Cardozo, Zaida Valentim
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