Dalí invade o Rio de Janeiro com seu surrealismo; Confira!

Por Ana Pies

Salvador Dalí (foto: Reprodução/ Internet)
Salvador Dalí é o primeiro nome ao se reconhecer quando se fala em surrealismo. O indivíduo pode não saber o que foi o surrealismo, nem quando nem como começou, mas sabe quem foi Salvador Dalí. Pode não saber nada além dos bigodes de Salvador, mas reconhece seus bigodes de longe. O artista vai muito além de seus quadros, é uma presença que vingou por décadas e manifestou-se diversas vezes como uma sombra imaginativa na cabeça de muitos artistas que se constroem atualmente.

A exposição se dá no Centro Cultural do Banco do Brasil e reúne 150 obras do artista. É, sem dúvida, uma experiência que abre ao público o reconhecimento de Dalí como muito mais do que um pintor surrealista: mostra sua trajetória por diversos movimentos e sua capacidade imaginativa de se moldar e experimentar 
enquanto comunicador visual. 

A curadoria de Montse Aguer é simples e eficiente, além de esteticamente agradável. Ela apresenta e de forma muito educativa os anos formativos do pintor, assim como sua versatilidade enquanto artista. Cada obra era acompanhada por um quadro que explicava, de forma sutil e objetiva, a situação histórica e biográfica que a acompanhava. Desde “Retrato de mi Hermana” até as famosas ilustrações de 
Alice no País das Maravilhas, existe uma junção de quadros e desenhos que educa e dialoga com leigos e com aqueles mais íntimos ao universo criativo do pintor.

Existe, porém, a problemática de qualquer exposição artística muito focada na qualidade histórica e educativa: o tédio. Apesar das obras expostas serem tão estonteantes quanto as mais famosas, a exposição incorre ao problema de ser um pouco chata para aqueles não tão familiarizados com o trabalho do espanhol. Como tem caráter retrospectivo, quem procura ver de perto o mito de Salvador Dalí, acaba se perdendo por meio de pinturas e desenhos que são mais interessantes para aqueles que já são mais íntimos ao pintor. Isso não desmerece a qualidade da exposição, mas é um ponto a se observar. 

Que sirva de aviso número um então: vá com paciência e com o coração 
aberto para aprender. 

Seguindo para o aviso número dois: tá cheio. 

Tive a sorte de poder ir numa quarta-feira, lá pelas 16hrs, onde não tinha muita gente, mas esperei trinta minutos para conseguir entrar no andar da exposição. A questão sobre a quantidade de pessoas não é pelo tempo gasto em fila mas sim sobre o fato que dentro do pequeno espaço reservado para as obras, é difícil conseguir manusear bem o tempo que você, expectador, precisa para ter um momento com a obra junto com o tempo de outras pessoas. Compartilhar Salvador Dalí naquele pequeno andar com tanta gente é um pouco desgastante, ainda mais quando seres humanos tem esse potencial tão grande pro egocentrismo narcisista. 

Para não haver mais delongas, concluo: a exposição é ótima e vale a pena. Os pontos abordados são só observações que não anulam a qualidade e o quão interessante é ver Salvador Dalí assim de perto e dessa maneira diferente. O programa é ótimo e muito estimulante e só dura até o final de setembro.

Serviço:

Onde: Centro Cultural do Banco do Brasil Quando: Até dia 22 de setembro, de 09h até 21hrs, aberto todos os dias menos as terças-feiras
Quanto: Entrada franca
Classificação: Livre
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