Wes Anderson acerta em cheio com 'O Grande Hotel Budapeste'

Por Rafaela Sales


Ano de lançamento: 2014
País: Estados Unidos
Língua: Inglês
Título original: “Grand Budapest Hotel”
Diretor: Wes Anderson
Avaliação: Pega a estatueta!

Wes Anderson é mais do que diretor. É marca registrada, assinatura, carimbo. Uma vez de frente pra um de seus trabalhos, é difícil não saber de quem se trata. Ao longo da carreira, Anderson dirigiu filmes como “O Fantástico Senhor Raposo”, “Os Excêntricos Tenembauns” e “Moonrise Kingdom”, alegorias que viriam a torná-lo um dos cineastas mais identificáveis do cenário. “O Grande Hotel Budapeste”, seu novo filme, é a consagração de seu estilo de cinema.

A história tem início nas memórias de um famoso escritor (Tom Wilkinson) que, para explicar o processo de escrita de um de seus maiores sucessos, vasculha uma viagem que fizera ao Grande Hotel Budapeste, na fictícia República de Zubrowka. Dentro das lembranças do autor, está um encontro que tivera com M. Moustafa (F. Murray Abraham), dono do hotel. No encontro, o magnata decide lhe contar como acabou herdando o local. É desse relato que surge a história de M. Gustave (Ralph Fiennes) e Zero (Tony Revolori), seu fiel escudeiro.


M. Gustave é o sedutor concierge do Hotel Budapeste, uma ilustre hospedagem nos Alpes europeus. Lá, Gustave é o grande maestro, responsável por satisfazer os clientes e organizar os funcionários. Ao seu lado, está o sempre prestativo Zero, o mensageiro do lugar. Com a morte de uma abastada cliente do hotel, por quem Gustave nutria sentimentos mais do que profissionais, ele e seu escudeiro partem em direção à mansão da falecida, a fim de prestar suas condolências (e algumas segundas intenções menos honráveis).

Quando Gustave chega à mansão, descobre ter herdado uma obra de valor inestimável, fato que a desregulada família da finada Madame D. (Tilda Swinton) não deixa passar em branco. O filho mais velho da ricaça, Dmitri (Adrien Brody), começa então uma caça aoconcierge, A partir daí, a trama passa por prisões, tiroteios, fugas, conspirações e mistérios. Uma verdadeira montanha-russa, com direito a menções - sob um olhar crítico - sobre a Guerra, com um Edward Norton fardado adentrando trens.


A obra de Wes Anderson é calculada. Dividida em capítulos, épocas e janelas de projeção, o filme é pensado milimetricamente. Anderson administra um elenco estelar a lá Woody Allen. Grandes atores em papéis pequenos, porém indispensáveis. O companheiro de longa data do diretor, Bill Murray, aparece por poucos minutos, mas é responsável por um dos melhores momentos do filme. Difícil destacar alguém nesse timaço, que inclui Tilda Swinton, Willem Dafoe, Harvey Keitel, Jude Law e Adrien Brody.

Se for pra falar de algum dos nomes de peso da trama, que se fale de Ralph Fiennes. Um parágrafo só dele, que brilha cena após cena, fazendo com que o espectador clame por mais e mais dele. Fiennes conduz a narrativa com o talento de quem sabe o que faz, navegando entre os momentos de drama e comédia habilmente, criando o fluxo que o enredo pede.

O vencedor do urso de prata no Festival de Berlim 2014 tem, além de Anderson, duas pessoas a agradecer: Adam Stockhausen, diretor de arte, e Robert D. Yeoman, responsável pela fotografia. Durante todo o filme, somos expostos a uma gama de cores e detalhes impressionantes (sem falar na qualidade dos figurinos). A composição é certeira, ainda mais ao ser embalada pela trilha sonora de Alexandre Desplat.

“O Grande Hotel Budapeste” é um sopro fresco, um filme que incorpora o que o cinema deve ser. Anderson joga na panela um romance adorável entre um mensageiro e uma confeiteira, uma fuga atrapalhada da prisão e a nostalgia de um homem que vive de lembranças. Dentro de cada história há uma nova história, um novo personagem, uma nova forma de encantar e entreter. Como incluir tanto em cem minutos? Eu não sei, mas ele o faz. E como o faz.

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