Festival de Inverno vence desafios e termina com sucesso

Cristina Braga no Museu Imperial (Foto: Divulgação)

Uma prova de que cultura erudita e popular podem, sim, dividir um único palco e agradar ao mesmo público foi dada no encerramento do 14 º Festival de Inverno da Dell‘Arte de Petrópolis, na Região Serrana do Rio. O Palácio de Cristal lotou para receber Zé Calixto e Rio Araripe, ícones da cultura nordestina brasileira. Após a apresentação da pocket-ópera La Bohéme, digirida por Lauro Gomes, seguiu-se um grande baile ritmado pelo calango, forró e baião, comandado pelo “Rei dos oito baixos” e marcou o fim de 10 dias que movimentaram a cidade.

Este ano, o Festival foi além e trouxe concertos de música clássica, cenas de principais óperas, jazz, MPB, canções populares francesas, e entre outros repertórios, os clássicos do tango ao público: “Assim, vamos rompendo o mito de que o festival da Dell´Arte é somente música erudita. Abrimos espaços para todas as manifestações culturais, com uma única exigência: a alta qualidade artística”, considerou Myrian Dauelsberg, presidente da Dell’Arte.

Desafios
Em 2014, vencido os desafios de manter a continuidade do Festival de Inverno, Myrian Dauelsberg já sonha com a próxima edição, e agradeceu a todos que colaboraram para que o evento que começou timidamente há 14 anos atrás e se transformou em uma grande e importante referência de cultura no estado do Rio de Janeiro.

“Muitos não imaginam o trabalho que dá para trazer um artista internacional, renomado por inúmeros prêmios, para uma apresentação. No entanto, somos incansáveis, acreditamos na cultura, no amor à música, na possibilidade de que a cada ano possamos descobrir um novo talento”, disse Myrian ao se referir aos pianistas da Nova Geração, que apresentaram os Concertos ao Meio-dia, no Cine Teatro do Museu Imperial.

Tradição já consolidada na programação do Festival da Dell’Arte, os músicos emocionaram a plateia com um repertório que incluiu Ravel, Saint Saens, Chopin, Lizst, Rachmaninoff e Grieg. Emoção também para quem estava no palco. “Apresentar esse concerto me deixa muito emocionada. Quando o toquei pela primeira vez, dona  Mariuccia Iacovino ainda estava viva”, lembrou em lágrimas a pianista Ligia Moreno ao encerrar a série de apresentações com o concerto de Grieg.  Mariuccia Iacovino foi a grande dama do violino brasileiro e exemplo de dedicação à música e grande incentivadora do festival.

Abertura de gala
A mostra de que o Festival de Inverno da Dell’Arte seria mais uma vez um grande sucesso foi logo percebida na Abertura de Gala com a apresentação da Orquestra Sinfônica Mariuccia Iacovino e Coro e Solistas Orquestrando a Vida, na Catedral São Pedro de Alcântara, num programa operístico que emocinou toda a platéia. Nos dias que seguiram, o público repercutiu pelas ruas da cidade as emoções que viveram ao ouvir os solistas Daniel Soren e Danielle Bragazzi.

O jazz também marcou presença na programação do festival com o retorno tão esperado do Duo Fênix, formado pelos pianistas Delia Fisher e Cláudio Dauelsberg  e a atração internacional New Tide Orquesta, que lotou o Palácio de Cristal em duas apresentações da Série Cristal Jazz. Houve ainda programação infantil com as oficinas do Stop Motion e o Festival vai à praça, onde cerca de 200 alunos de escolas municipais de Petrópolis apresentaram música e dança a partir do tema “O Brasil e sua Diversidade Cultural”.

Palácio de Cristal lotou para receber artistas (Foto: João Guerra/Contracenarte)

As artes plásticas tiveram vez com uma importante homenagem ao centenário da pintora Djanira da Motta Silva, no Museu Imperial, contando com uma mesa de debate entre Mônica Xexeo (Diretora do MNBA/IBRAM/MinC); Mauricio Vicente Junior (Diretor do Museu Imperial de Petrópolis Lauro Cavalcanti) e Luiz Áquila (Artista e amigo pessoal de Djanira). O Festival terminou com o gostinho de “quero mais” e com a certeza e a esperança de que promover cultura sempre vale à pena, ainda que os desafios sejam numerosos.
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