'Amante a Domicílio' tem roteiro oscilante e não cumpre o que promete

Da Redação

Cena do filme (foto: Reprodução/ Internet)
  • Ano de lançamento: 2013
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título original: “Fading Gigolo”
  • Diretor: John Turturro

A confissão de uma dermatologista a seu paciente faz com que um livreiro à beira da falência e um florista se tornem, respectivamente, cafetão e gigolô. A sinopse de “Amante a Domicílio” não propunha nada especial, mas a direção e o roteiro assinados por John Turturro, somados a Woody Allen como co-protagonista, construíram certa expectativa acerca da produção.

Murray (Woody Allen), dono de uma livraria prestes a ser fechada, descobre que a médica que lhe atende deseja ter uma experiência sexual envolvendo ela, uma amiga e um homem desconhecido. Curioso com o comentário, o livreiro propõe ao melhor amigo, Fioravante (John Turturro), sair com a médica em troca de uma boa quantia de dinheiro.

Receoso de início, o florista amigo de Murray decide olhar para a proposta com outros olhos. Ao invés de gigolô, Fioravante decide se considerar responsável por levar um pouco mais de amor e alegria a mulheres solitárias. O florista começa então uma jornada envolvendo médicas ricas, mulheres carentes e até uma viúva judia que vive sob as rigorosas práticas da religião.


Cena do filme (foto: Reprodução/ Internet)
O roteiro oscila durante todo o filme, sem nunca alcançar grandes momentos. Turturro parece não dominar sua própria narrativa, e se perde ao desenhar personagens mal desenvolvidos e estórias sem acabamento. O foco inicial da trama se dissolve antes da metade do filme, sem coordenação alguma.
A antes até divertida crônica de um florista tímido e o melhor amigo descobrindo um universo novo se transforma em um romance insosso, recheado de clichês. John Turturro, brilhante em muitos papéis durante sua carreira, se apaga em um personagem sem personalidade definida. O espectador não consegue se apegar ao protagonista, muito menos entender a complexidade dos dilemas que este enfrenta.

Woody Allen, que raramente atua em filmes não dirigidos por ele, é o ponto mais forte da trama. Engraçado e desenvolto, Allen oferece ao público os melhores diálogos do filme. Uma pena que o personagem que encarna não tenha sido tão bem aproveitado, mergulhando em situações mirabolantes em busca de brechas para uma comédia quase forçada.

Turturro tentou construir uma atmosfera woodyallenística, regada por uma mistura de jazz e Nova Iorque, porém, passou longe de alcançar o resultado que procurava. A miscelânea de informações ( vide a família de Murray, os confrontos étnicos e religiosos e as clientes exóticas do florista) não deixa tempo suficiente para o espectador respirar e absorver a história ali contada.

Noventa minutos se arrastam, causando a impressão de estarmos diante de um filme de mais de duas horas. “Amante a Domicílio” é um exemplo de boas intenções, porém má execução. O diretor tinha a faca e o queijo nas mãos, mas não soube ligar os elos. Allen como o cafetão desinibido de um tímido Turturro poderia ter sido sensacional. Poderia.


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